Artigo da seção pessoas Alziro Azevedo

Alziro Azevedo

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deAlziro Azevedo: 23-05-1950 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre) | Data de morte 19-11-1994 Local de morte: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)

Biografia

Alziro Clóvis Azevedo (Porto Alegre RS 1950 - idem 1994). Cenógrafo, figurinista, professor e artista plástico. Apesar da carreira relativamente curta, entre 1975 e 1993 impõe-se como um dos mais destacados artistas da arquitetura cenográfica, e alcança reconhecimento nacional ao conquistar, em 1988, o Prêmio Molière de cenografia pelo espetáculo A Maldição do Vale Negro.

Inicia suas atividades artísticas como desenhista e pintor. Forma-se em artes plásticas no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), em 1975. No ano seguinte conquista o quarto lugar no 5º Salão do Jovem Artista, uma promoção conjunta da RBS Comunicações e da Prefeitura de Porto Alegre.
 
A relação com o teatro se inicia em 1975, como aderecista da montagem de Mockinpott, de Peter Weiss, produção do Teatro de Arena de Porto Alegre (TAPA), com direção do espanhol José Luiz Gomes, um dos primeiros espetáculos gaúchos a circular com sucesso pelo Brasil. Dois anos depois, Azevedo conquista seu primeiro Prêmio Açorianos de cenografia, com a montagem de O Homem que Não Quis Morrer, texto e direção de Dilmar Messias. Sobre a encenação escreve o escritor Caio Fernando Abreu: "O aspecto visual/formal de O Homem... é também muito importante. [...] Alziro Azevedo é um figurinista talentoso e criativo, que soube captar muito bem as transições dos climas do camarim para a pantomima, a tragédia ou a luta final".1 Nos anos subsequentes, cria cenários e figurinos para uma série de espetáculos dirigidos por Messias, destacando-se O Duque, a Cantora e a Linguiça, 1978; Lisarb ou Multi Antes pelo Contrário e As Aventuras de Mime Apestovich, do Início ao Meio.
 
Realiza sua primeira exposição individual, Bonecas, Bichos e Brinquedos, em 1978, merecendo do crítico Carlos Scarinci a seguinte avaliação: "Sua pintura como que dramatiza, num sentido quase teatral, a cena de que participam estes personagens. Há aí dentro uma atmosfera de sonho em que não sabemos claramente quem sonha. A indagação desloca-se das figuras para quem as manipula, dando-lhes uma pulsação de vida que não está na imobilidade física, real dos personagens".2

Ingressa no magistério superior em 1980, no IA/UFRGS, primeiro no Departamento de Artes Visuais, como professor de desenho e diretor da Galeria de Artes, transferindo-se posteriormente para o Departamento de Arte Dramática (DAD). Como professor das disciplinas de cenografia, cria cenários e figurinos para a montagem de A Boa Alma de Set-Suan, de Bertolt Brecht, em 1986, e supervisiona um grupo de alunos na criação cenográfica de A Tempestade, de William Shakespeare, em 1988, ambas dirigidas pelo professor Luiz Paulo Vasconcellos.

Entre 1982 e 1985 faz mestrado em cenografia e figurinos na Temple University, School of Communication and Theatre, na Filadélfia, Estados Unidos, e obtém o grau de Master of Fine Arts com a dissertação Designing for Ibsen's Peer Gynt with Puppets and Actors. Colabora como cenógrafo nas produções da Temple University: The Diary of a Scoundrel, de Alexander Ostrowsky, War and Peace, de Leon Tolstoi, e The Hostage, de Brendan Beham; e elabora adereços para os espetáculos da Opera Company of Philadelphia: La Traviatta e Macbeth, de Giuseppe Verdi, e A Danação de Fausto, de Hector Berlioz, entre outros.  
 
A fase mais importante da carreira de Azevedo é a que mantém parceria com o diretor Luiz Arthur Nunes, iniciada em 1986, com a primeira versão da paródia sobre o melodrama A Maldição do Vale Negro, texto de Caio Fernando Abreu e do próprio diretor. A segunda versão é produzida em 1988, no Rio de Janeiro, e dá a Azevedo o Prêmio Molière de melhor cenógrafo, na época o mais destacado prêmio de teatro do Brasil. Sobre a montagem escreve o crítico Macksen Luiz no Jornal do Brasil: "Uma grata revelação. Alziro Azevedo, o responsável pelo visual de A Maldição do Vale Negro, recebe o Molière com um cenário extremamente requintado que usa telões com o mesmo espírito de paródia do texto a que empresta sua imagem. [...] O cenário de Alziro Azevedo traz ainda uma outra qualidade: o seu alto nível de execução. Com acabamento e detalhismo, A Maldição do Vale Negro tem um arcabouço visual de um profissional que conhece o seu métier".3

Azevedo continua a residir em Porto Alegre, mas prossegue em sua parceria com Nunes, que se muda para o Rio de Janeiro e o convida a participar de cada nova montagem carioca. Desse período destacam-se as montagens JK, de 1989, produção de Zé de Abreu; A Vida como Ela É, de 1991, baseado em crônicas de Nelson Rodrigues, produção do Núcleo Carioca de Teatro; A Caravana da Ilusão, de Alcione Araújo, 1992; O Otimismo ou Cândido, de Voltaire, outra produção do Núcleo Carioca de Teatro, 1993; e Vestido de Noiva, 1993, também de Nelson Rodrigues.

Após sua morte, o Departamento de Arte Dramática da UFRGS dá à sala de apresentações o nome de Sala Alziro Azevedo.

Notas

1 A platéia ri e aplaude o vale-tudo de "O homem que não quis morrer". Folha da Manhã, Porto Alegre, 6 abr. 1977.

2 Alziro mostra Bonecas, Bichos e Brinquedos. Zero Hora, 25 out. 1978.

3 As pegadas do Molière. Jornal do Brasil, 17 maio 1989.

Outras informações de Alziro Azevedo:

  • Outros nomes
    • Alziro Clóvis Azevedo
  • Habilidades
    • professor
    • desenhista
    • Cenógrafo
    • figurinista

Espetáculos (77)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (7)

  • ABREU, Caio Fernando. A platéia ri e aplaude o vale-tudo de "O homem que não quis morrer". Porto Alegre: Folha da Manhã, abril de 1977.
  • ELOY, Lurdes (Org). Memória da Cena 1990-1993 - vol. I. Porto Alegre: Editora da Cidade, 2007.
  • ELOY, Lurdes (Org). Memória da Cena 1994-1996 - vol. II. Porto Alegre: Editora da Cidade, 2007.
  • HEEMANN, Cláudio. Doze anos na primeira fila. Porto Alegre: Editora Alcance. 2006.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Márcio Freitas Não Catalogado
  • ROSA, Renato, PRESSER, Décio. Dicionário de artes plásticas no Rio Grande do Sul. 2. ed. rev. ampl. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2000. 527p. R700.98165 R7887d 2. ed.
  • SCARINCI, Carlos. Alziro mostra Bonecas, Bichos e Brinquedos. Porto Alegre, Zero Hora, outubro de 1978.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ALZIRO Azevedo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa399798/alziro-azevedo>. Acesso em: 14 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7