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Fausto Fawcett

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.08.2016
10.05.1957 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Fausto Borel Cardoso (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Cantor, compositor, artista performático, jornalista, escritor, autor teatral, roteirista. Nasce e é criado no bairro carioca de Copacabana, referência para sua obra. Gradua-se em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) em 1983 e inicia suas performanc...

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Biografia
Fausto Borel Cardoso (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Cantor, compositor, artista performático, jornalista, escritor, autor teatral, roteirista. Nasce e é criado no bairro carioca de Copacabana, referência para sua obra. Gradua-se em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) em 1983 e inicia suas performances nas noites cariocas: representações dramáticas de histórias curtas que misturam teatro, música e poesia, apresentadas em casas noturnas e bares. Seu nome artístico é emprestado da atriz americana Farrah Fawcett (1947-2009).

Entra no mercado de música em 1986 por indicação do cineasta Cacá Diegues (1940) a um executivo de gravadora. Seu primeiro disco, Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros (1987), apresenta crônicas urbanas e futurísticas declamadas em narrativas que se passam em Copacabana. A base musical tem ritmo bem marcado e simples. É um disco inovador por sua linguagem cinematográfica, e a canção Kátia Flávia, faz imenso sucesso em todo Brasil sendo usada na trilha sonora da novela O Outro, da rede Globo. Narra a história de uma fugitiva da polícia, que vai de Copacabana para o subúrbio do Rio de Janeiro num cavalo branco.

A partir de seu segundo disco, Império dos Sentidos (1998), elabora shows baseados nos personagens que cria, como Santa Clara Poltergeist, inspiração para o disco, Fausto Fawcett & Falange Moulin Rouge – Básico Instinto (1993).

Fausto Fawcett escreve cinco livros e quatro peças de teatro. Suas músicas estão nas trilhas sonoras dos filmes Lua de Fel (1992), dirigido por Roman Polanski (1933); O Superoutro (1989), com direção de Edgard Navarro (1949) e Tropa de Elite (2007), dirigido por José Padilha (1967). É roteirista e ator nos seriados Vampiro Carioca (2011) e Sombrio 40 graus (2012-2013), veiculados pelo Canal Brasil.

Análise da trajetória
A formação de Fausto Fawcett em comunicação (1983, PUC/RJ) é importante para a compreensão de seu trabalho. Escolhe a música para comunicar a mistura socioeconômica, a multiplicidade de personagens e histórias da alta boemia, a violência e o submundo, baseado nas observações de seu bairro de origem, Copacabana.

Circula por diferentes áreas da produção cultural carioca nos anos 1970. A gênese de sua linguagem poética são as performances: narrativas teatrais com música e poesia, em casas noturnas e bares. Nos anos 1980, o rock brasileiro populariza-se, e o mercado fonográfico absorve bandas novas. Nesse contexto, aos 30 anos de idade, o pioneiro Fausto Fawcett apresenta, em seu primeiro disco, Fausto Fawcett e os Robôs Efêmeros, uma linguagem não convencional.

Aspectos como eficiente uso de imagens poéticas, humor, atmosfera cinematográfica e velocidade discursiva conferem unidade conceitual ao disco. Não é bem recebido, entretanto, pela crítica da época. A simplicidade da música é subestimada sem perceber que é exatamente isso que oferece condições para a inserção de letras  longas e complexas.

Durante a década de 1990, Fausto Fawcett continua a explorar em seus shows suas vontades performáticas. Com narrativa inicialmente idealizada para um videoclipe, Santa Clara Poltergeist (1990) transforma-se num show ‘erótico-multimídia’, que origina seu terceiro disco Fausto Fawcett & Falange Moulin Rouge – Básico Instinto.

A verve midiática de Fausto Fawcett antecipa aspectos culturais preponderantes nas décadas seguintes ao combinar elementos contemporâneos díspares, informações multifacetadas, inesperadas e com amplo registro entre o erudito e o popular. Em entrevista no começo de sua carreira, diz sobre seu inesperado sucesso: em poucos dias passei de coqueluche do underground a coqueluche do povão”1. Seu contemporâneo, o cantor Cazuza (1958-1990), observa na mesma matéria: “o que mais me impressiona no Fausto, além das letras fantásticas, é o fato de ele ter conquistado ao mesmo tempo a Zona Sul e a Zona Norte do Rio de Janeiro”. Sua música ocupa um espaço mais democrático ao mesmo tempo em que apresenta vastas referências: o humor, a urbanidade, a afirmação pop, o Fluminense Futebol Clube, a poesia do inglês William Blake (1757-1827), as bandas punk, a ficção científica nas histórias em quadrinhos, a selvageria, a provocação à normalidade, à pornografia, aos assuntos místicos, às obsessões etc.

Sua produção literária ganha relevância a partir dos anos 1990. Os cinco livros editados revelam de maneira contundente a marca literária que permeia sua produção. Fausto descreve sua sensibilidade poética da seguinte maneira: “Há uma interseção entre o meu lado escritor e o meu lado músico, que é o ritmo, o ritmo da fala, que leva para um certo tipo de rap, de repente, de narração”. Sua literatura encontra correspondência com seu aspecto midiático, ao dizer que participa do que define como “show business da literatura: o circuito-show da palavra”, como entende os eventos de lançamento e divulgação de livros.

Notório pelas parcerias criativas, desenvolve trabalhos com colegas músicos, diretores de arte, artistas, modelos, apresentadoras e seus mais recentes trabalhos envolvem a autoria de roteiros para séries de televisão dos quais participa também como ator.

Nota
1 MÚSICA: O vampiro carioca. Veja, São Paulo, n.987, 5 ago. 1987. p.138-139. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx >. Acesso em: jul. 2015.

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