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Roberto Vignati

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.07.2021
08.10.1941 Brasil / São Paulo / São Paulo
Nicola Roberto Vignati (São Paulo, São Paulo, 1941). Diretor, autor e iluminador. Traduzindo e adaptando a maioria das obras que encena, Roberto Vignati imprime teatralidade aos seus espetáculos, com acentuação do desenho gestual, precisão de marcas e luz pictórica.

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Nicola Roberto Vignati (São Paulo, São Paulo, 1941). Diretor, autor e iluminador. Traduzindo e adaptando a maioria das obras que encena, Roberto Vignati imprime teatralidade aos seus espetáculos, com acentuação do desenho gestual, precisão de marcas e luz pictórica.

Privilegia textos de intenso conflito psicológico e social, como Bent, de Martin Sherman, e Bella Ciao, de Luís Alberto de Abreu.

Em 1960, depois de algumas experiências em teatro amador, faz curso com Eugênio Kusnet. Inicia a carreira de diretor no teatro infantil, encenando, entre outros, A Assembléia dos Ratos, de João das Neves, 1964, e O Patinho Preto, de Walter Quaglia, 1966. Como assistente de direção, trabalha ao lado de Antônio Abujamra e Antunes Filho em diversos espetáculos.

Na década de 1970, trabalha com operários do ABC paulista. Em 1972, encena Alta Vigilância, de Jean Genet, A Ilha das Cabras, de Ugo Betti e Antonica da Silva, de Joaquim Manuel de Macedo. Em 1974, monta Tempo dos Inocentes e Tempo dos Culpados, de Siegfried Lenz, pelo qual recebe prêmios, e duas versões de O Duelo, Bernardo Santareno, uma com estudantes, no Teatro Gazeta, e a segunda com atores do Teatro Oficina. Em 1978, dirige o Grupo de Teatro Mambembe em A Noite dos Assassinos, de José Triana.

Em 1980, estréia Longa Jornada Noite Adentro, de Eugène O'Neill. Em 1981, é consagrado pela encenação de Bent, de Martin Sherman, pela qual recebe doze prêmios, entre eles o da Associação Paulista de Críticos de Artes, APCA. O espetáculo faz a primeira temporada no Teatro Sesc Anchieta de São Paulo e, depois de ser apresentado no Rio de Janeiro, percorre cidades do interior do Estado de São Paulo. Em 1987, Vignati faz uma segunda montagem do texto, no TBC, São Paulo. Por indicação do autor, que assiste ao espetáculo, dirige a peça em Portugal, com o elenco do Teatro Experimental de Cascais.

O crítico Yan Michalski, depois de fazer restrições à direção do primeiro ato, que considera excessivamente exacerbada na caracterização vocal e gestual dos personagens e na "espetacularidade broadwayiana" do cenário, elogia o segundo ato: "O cenário fornece uma imagem estarrecedoramente convincente do inferno concentracionário; a movimentação dos atores adquire uma economia e uma expressividade admiráveis; a utilização de pequenos trechos musicais de Wagner infiltra sabiamente no clima um elemento de delirante grandiosidade. E, sobretudo, a ênfase da encenação desloca-se dos fatores acessórios para os ombros dos protagonistas Kito Junqueira e Ricardo Petraglia, cujos desempenhos constituem, mais do que minuciosas composições, corajosos mergulhos num inferno existencial, realizados com fantástica explosão de energia vital e com perfeito equilíbrio entre engajamento emocional e lúcida inteligência na condução de seus trabalhos".1

Em 1982, depois de remontar A Noite dos Assassinos, de José Triana, agora dirigindo Bia Lessa e Tonico Pereira, Vignati obtém novamente grande sucesso com a encenação de Bella Ciao, de Luís Alberto de Abreu. O espetáculo, que permanece dois anos em cartaz em São Paulo, recebe dezoito prêmios, entre eles, o APCA. Em 1984, faz temporada no Rio de Janeiro, repetindo o êxito de público e de crítica. Em O Estado de S. Paulo, a crítica Ilka Marinho Zanotto escreve: "Roberto Vignati respondeu ao desafio da importância do texto com a segurança e a paixão que vêm sendo sua marca registrada. (...) soube imprimir aos seus trabalhos força e originalidade. Excelente iluminador, as cenas de suas montagens gravam-se nas retinas dos espectadores como flashes ofuscantes aos quais ele dá uma abordagem de close cinematográfico. É nítida sua competência na direção dos atores que se entregam ao trabalho com a garra, a firmeza e a alegria do verdadeiro jogo teatral".2

Flávio Marinho, em O Globo, comenta: "Deixando o palco nu, utilizando apenas alguns dispositivos cenográficos, Roberto Vignati construiu um espetáculo à la Antunes Filho, de beleza macunaímica. Com marcações extremamente precisas e uma iluminação muito sensível, Vignati cria os mais variados climas, inclusive os de ilusão de multidão - mesmo com apenas sete atores".3

Em 1984, dirige Marília Pêra em Brincando em Cima Daquilo, de Dario Fo e Franca Rame, pelo qual recebe cinco prêmios. Encena Um Casal Aberto, de Dario Fo e Franca Rame, 1989, em Belo Horizonte, e Macambira, de Roberto Vignati, 1990, em Maceió. Ambos os espetáculos cumprem também temporadas nas capitais paulista e carioca.

Em 1986, recebe uma bolsa do consulado americano, como prêmio pela direção de Asls, de William Hoffman, primeiro espetáculo sobre aids realizado no Brasil.

Na década de 1990, encena, entre outros, Risco de Vida, de Roberto Vignati, 1993, A Hora da Estrela, adaptação da obra de Clarice Lispector (1925 - 1977), 1998, e AidsNós, de Roberto Vignati, 1999, última parte da trilogia sobre o tema da aids, encenada com alunos do Curso de Artes Cênicas do Centro Universitário Barão de Mauá de Ribeirão Preto, onde Vignati leciona como professor de interpretação. Dirige também novelas e programas de televisão, como O Sítio do Pica-Pau Amarelo, na TV Globo.

Ao longo de sua carreira, o diretor Roberto Vignati alia uma encenação de requintes teatrais a textos de discussão política e moral, ao mesmo tempo que mantém, ao lado dos espetáculos profissionais, um trabalho voltado para a democratização da atividade, com grupos amadores, fora do eixo Rio-São Paulo e do circuito comercial.

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Dois sísifos em busca de transcendência. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jan. 1981.

2. ZANOTTO, Ilka Marinho. Bella Ciao, melhor peça deste ano. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 12 dez. 1982.

3. MARINHO, Flávio. A longa saga da imigração italiana em Bella Ciao. O Globo, Rio de Janeiro, 5 jul. 1983.

Espetáculos 59

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Fontes de pesquisa 12

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  • FRASER, Etty. Etty Fraser. São Paulo: [s.n.], s.d. Entrevista concedida a Rosy Farias, pesquisadora da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira.
  • GARCIA, Clóvis. Marilia Pêra em atuação perfeita. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 de janeiro de 1985.
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil).
  • MAGALDI, Sábato. Bent, sem bandeiras além da dignidade humana, (sem referência), São Paulo, 13 de fevereiro de 1981.
  • Programa do Espetáculo - Abelardo e Heloisa - 1971.
  • Programa do Espetáculo - Bella Ciao - 1982.
  • Programa do Espetáculo - Bent - 1981.
  • Programa do Espetáculo - Calígula - 1962.
  • Programa do Espetáculo - O Duelo - 1975.
  • Teatro Por São Paulo. Palco e Platéia, São Paulo, ano III, no. 14, p.35, março de 1972.
  • VIGNATI, Roberto. (Dossiê Personalidade Artes Cênicas) Rio de Janeiro: CEDOC/Funarte.
  • VIGNATI, Roberto. Currículo enviado pelo próprio diretor. Rio de Janeiro, 2001.

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