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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Elias José

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.05.2019
25.08.1936
02.08.2008 Brasil / São Paulo / Santos
Elias José (Santa Cruz da Prata MG 1936 - Guarujá SP 2008). Contista, romancista, poeta e autor de livros didáticos. Elias José nasce em Santa Cruz da Prata, no município de Guaranésia, interior do estado de Minas Gerais. Mora na fazenda da família e frequenta o curso primário na escola rural do distrito. Na adolescência, estreita seus laços com...

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Biografia
Elias José (Santa Cruz da Prata MG 1936 - Guarujá SP 2008). Contista, romancista, poeta e autor de livros didáticos. Elias José nasce em Santa Cruz da Prata, no município de Guaranésia, interior do estado de Minas Gerais. Mora na fazenda da família e frequenta o curso primário na escola rural do distrito. Na adolescência, estreita seus laços com a literatura, ao organizar e escrever, com um grupo de colegas, o jornal da escola. Em 1962, ganha o primeiro lugar num concurso de contos promovido pela revista Vida Doméstica. Formado em 1967 em letras e pedagogia, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guaxupé (Fafig), faz cursos de especialização e pós-graduação em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 1970, publica sua primeira coletânea de contos, A Mal-Amada, que recebe menção honrosa no Concurso de Livros de Contos  Prêmio José Lins do Rego, patrocinado pela Livraria Editora José Olympio, em 1968. Torna-se professor de literatura brasileira e teoria literária da Fafig, onde também atua como vice-diretor, diretor e coordenador do Departamento de Letras. Na rede pública de ensino, dá aulas de língua portuguesa e literatura brasileira na Escola Estadual Dr. Benedito Leite Ribeiro. A partir 1976, por sugestão de sua esposa, Sílvia, escreve histórias para sua primeira filha, Iara. Inicia assim sua produção infanto-juvenil, cujo primeiro lançamento é As Curtições de Pitu. A afinidade com o gênero e o sucesso obtido com a publicação levam-no a dedicar-se quase exclusivamente ao público infantil, para o qual escreve mais de cem livros. Em 1993, aposenta-se de suas atividades profissionais e permanece em Guaxupé, deslocando-se apenas para as inúmeras palestras de que participa. Morre em 2 de agosto de 2008, aos 72 anos.

Comentário Crítico
A carreira literária de Elias José começa nos anos 1970, quando a indústria editorial inicia uma política de promoção de novos escritores. Nos contos de A Mal-Amada, sua primeira publicação, já se faz notar a impressão de estranhamento em relação à apresentação do cotidiano, a partir da perspectiva do narrador ou de eventos insólitos.

Os temas trabalhados pela contística de Elias José envolvem a solidão e alienação dos indivíduos, a cisão dos vínculos afetivos tradicionais, a necessidade de romper a rotina, em oposição à impossibilidade de realmente efetivá-la, bem como a angústia daí decorrente. Alinha-se, de algum modo, à linhagem dos contistas que reagem à perspectiva realista em sentido estrito, no caminho aberto pelo escritor Murilo Rubião (1916 - 1991), o qual apoia e favorece a edição de seu primeiro livro. Também desenvolve os chamados minicontos, em que se notabiliza o escritor Dalton Trevisan. Os prêmios recebidos pela obra dedicada ao público adulto de Elias José testemunham o processo de difusão e de estímulo aos jovens escritores iniciado à época de sua estréia literária.

Em sua produção de obras infantis e juvenis, começada em 1976, Elias José busca a linguagem cotidiana e a sintaxe direta, no esforço de se aproximar dos seus leitores. Tematicamente, trabalha com elementos bastante variados, como a realidade social e suas injustiças (em Os que Não Podem Voar), as relações afetivas e humanitárias (Curtições de Pitu e Jogo Duro), as aventuras que visam decifrar enigmas (O Fantasma do Porão) e o reconto de narrativas folclóricas de origem europeia, indígena ou africana [os volumes de (Re)Fabulando].

Na poesia para crianças, valoriza a temática do cotidiano e o aspecto material das palavras buscando efeitos de sonoridades e trocadilhos. Nesse sentido, retoma procedimentos da cultura oral e popular, em poemas que não se propõem a "ensinar" conteúdos morais, mas aprender a brincar com as palavras extraindo delas novos significados.

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