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Música

Dorival Caymmi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.02.2021
30.04.1914 Brasil / Bahia / Salvador
16.08.2008 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Dorival Caymmi, 1971

Dorival Caymmi (Salvador, Bahia, 1914 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,  2008). Compositor, violonista, poeta e cantor. Combinando simplicidade e sofisticação, Caymmi trata, em suas composições, de temas do cotidiano, principalmente da Bahia, e do seu amor pelo mar, personagem principal de sua obra. 

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Dorival Caymmi (Salvador, Bahia, 1914 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,  2008). Compositor, violonista, poeta e cantor. Combinando simplicidade e sofisticação, Caymmi trata, em suas composições, de temas do cotidiano, principalmente da Bahia, e do seu amor pelo mar, personagem principal de sua obra. 

Autodidata, começa a tocar violão sozinho, com alguma ajuda do pai, e depois, por sugestão de um tio, compra o método do violonista Canhoto (1889-1928). Fã das revistas de cinema e do rádio, conhece os ídolos da época, como o cantor e compositor Francisco Alves (1898-1952) e a cantora Carmen Miranda (1909-1955), e, por intermédio deles, compositores como Ary Barroso (1903-1964) e Noel Rosa (1910-1937). Em 1927, deixa os estudos e passa a trabalhar no jornal soteropolitano O Imparcial

Ainda em Salvador, Caymmi aproveita a cultura tradicional da cidade, principalmente a de matriz africana, de uma Bahia ainda colonial, para compor suas músicas. Entre as primeiras composições estão as canções praieiras (gênero inaugurado por ele) “O Mar” (1937), “É Doce Morrer no Mar” e “A Jangada Voltou Só”; o samba “Você Já Foi à Bahia?” (inspirado nos sambas de roda), essas três de 1941; e as composições baseadas em motivos folclóricos “A Preta do Acarajé” e “Roda Pião” (ambas de 1939). 

Viaja para o Rio de Janeiro em abril de 1938. Trabalha em redações de jornais e frequenta o meio artístico, tocando violão e cantando. Recebe convite para se apresentar no programa do compositor Lamartine Babo (1904-1963), na Rádio Nacional. É contratado pela TV Tupi e, poucos meses depois, vai para a Rádio Transmissora. 

Caymmi conhece o sucesso em 1939, quando grava com Carmen Miranda um disco com a música “O que É que a Baiana Tem?”, presente no filme Banana da Terra (1939), estrelado pela cantora. O requebrado de mãos e antebraços que caracteriza sua performance é sugestão do compositor. A partir desse encontro, por meio dos filmes de Carmen, a figura estilizada da baiana vira ícone mundial. No mesmo ano, Caymmi recebe o convite para integrar o elenco da Rádio Mayrink Veiga.

Sua música é diferente do que se ouve nos programas de rádio da época. As letras trazem aspectos da vida na Bahia desconhecidos em outros lugares do país, como os balangandãs ou os pregões das baianas.

Para embalar essas letras, Caymmi utiliza harmonias e modulações de meio tom, comuns na música erudita e no jazz. Em 1940, lança a canção “Samba da Minha Terra”, com versos que se tornam um ícone no mundo do samba: “Quem não gosta do samba bom sujeito não é / Ou é ruim da cabeça ou doente do pé”.  

Tempos depois, o compositor passa a se dedicar aos sambas-canções. Acostumada a escutar os sambas de roda e as canções praieiras do compositor, a crítica estranha o gênero na voz de Caymmi e não recebe bem a novidade. Apesar disso, alguns desses sambas-canções, como“Você Não Sabe Amar” (1950) e “Nem Eu” (1952), trazem novos arranjos, sobretudo acordes dissonantes e letras concisas, sem o caráter melodramático comum no gênero. 

Uma de suas músicas mais conhecidas, “Marina” (1947), é um samba-canção gravado por quatro cantores, sendo a versão mais conhecida a de Dick Farney (1921-1987). No mesmo ano, o compositor lança o livro Cancioneiro da Bahia, que reúne a obra gravada até então e temas folclóricos, com prefácio e organização do escritor Jorge Amado (1912-2001) e ilustrações do pintor Clóvis Graciano (1907-1988)

O aumento do número de boates no final dos anos 1940 e começo dos 1950 leva a uma maior proximidade dos artistas com o público. A orquestra, então, é substituída pelo quarteto, mas Caymmi interpreta suas canções acompanhado apenas do violão, dispensando outros instrumentos. Com essa inovação, inicia-se o processo que desemboca na moderna música popular brasileira, o que leva o compositor a ser considerado um dos precursores da bossa nova. Suas composições são gravadas por artistas do gênero, como “Saudades da Bahia” (1957) e “Doralice” (1959), interpretadas pelo cantor João Gilberto (1931-2019). São também da década de 1950 outros dois grandes sucessos do compositor: “Saudades de Itapoã” (1956) e “Maracangalha”, sucesso no Carnaval de 1956. 

Em 1964, o produtor Aloysio de Oliveira (1914-1995) promove o encontro de Dorival Caymmi e Tom Jobim (1927-1994) no álbum Caymmi Visita Tom e Leva Seus Filhos Nana, Dori e Danilo. Os compositores apresentam duas canções inéditas: “Só Tinha de Ser com Você”, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, e ”Das Rosas”, de Caymmi. 

Na década de 1970, Caymmi é convidado para compor a trilha sonora da novela Gabriela, baseada no romance de Jorge Amado. Segundo João Araújo (1935-2013), ex-presidente da Som Livre, o compositor é a pessoa perfeita para traduzir musicalmente o texto do escritor baiano1. O convite resulta na canção de abertura da novela “Modinha para Gabriela” (1975), interpretada pela cantora Gal Costa (1945).

A série de songbooks produzida por Almir Chediak (1950-2003), em abril de 1994, contempla a obra do compositor com dois livros em comemoração aos 80 anos de Dorival Caymmi. Em 2001, a neta, Stella Caymmi (1962), lança a biografia do avô: Dorival Caymmi – o Mar e o Tempo, pela Editora 34.

Sempre atento, um observador do cotidiano, paciente e sem pressa, Dorival Caymmi produz canções que, de tão populares, tornam-se folclóricas, como “Samba da Minha Terra” e “Maracangalha”. Além de criar um gênero (canções praieiras), Caymmi tem uma obra de várias facetas e com um grande número de obras-primas, musicadas por artistas de diferentes gerações. É consagrado como um dos grandes inovadores da música popular brasileira.

Nota

1. VIEIRA, Renato. Nasceu assim, ficou assim. O Tempo, Pampulha, 3 jul. 2012. Disponível em: https://www.otempo.com.br/pampulha/nasceu-assim-ficou-assim-1.8506. 

Obras 43

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Espetáculos 3

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Fontes de pesquisa 12

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  • BOSCO, Francisco. Dorival Caymmi. São Paulo, Publifolha, 2006.
  • CANTALICE, Tiago. O Brasil não seria o mesmo sem Dorival Caymmi. Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2 maio 2016. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/?p=41697. Acesso em: 4 out. 2020.
  • CAYMMI fez sucesso nacional em 1938 com 'O que é que a baiana tem'. G1, 16 ago. 2008. Disponível em: https://cutt.ly/LgqGULv. Acesso em: 4 out. 2020.
  • CAYMMI, Stella. Caymmi e a Bossa Nova. Rio de Janeiro: Editora Ibis Libris, 2008.
  • CAYMMI, Stella. Dorival Caymmi - o mar e o tempo. São Paulo, Editora 34, 2001.
  • CONHEÇA a origem de “Maracangalha”, de Caymmi. Catraca livre, 22 maio 2014. Disponível em: https://catracalivre.com.br/arquivo/conheca-a-origem-de-maracangalha-de-caymmi/. Acesso em: 4 out. 2020.
  • DORIVAL CAYMMI. Site oficial do artista. Disponível: http://www.dorivalcaymmi.com.br. Acesso em: 05 out. 2010.
  • RISÉRIO, Antonio. Caymmi: uma utopia de lugar. São Paulo: Perspectiva, 1993.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 1: 1901-1957). São Paulo: Editora 34, 1997. (Coleção Ouvido Musical).
  • TATIT, Luiz. O Cancionista: composição de canções no Brasil. São Paulo: Edusp, 1996.
  • UM CERTO Dorival Caymmi. In: Música Brasileira 4. Documentários. Direção geral Aluisio Didier. Rio de Janeiro: Europa Filmes, 2007. DVD.
  • VIEIRA, Renato. Nasceu assim, ficou assim. O Tempo, Pampulha, 3 jul. 2012. Disponível em: https://www.otempo.com.br/pampulha/nasceu-assim-ficou-assim-1.8506. Acesso em: 5 out. 2020.

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