Artigo da seção pessoas Fabrício Carpinejar

Fabrício Carpinejar

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deFabrício Carpinejar: 23-10-1972 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Caxias do Sul)

Fabrício Carpi Nejar (Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1972). Poeta, cronista, pesquisador e jornalista. Com teor autobiográfico, sua obra explora as múltiplas manifestações de afeto da contemporaneidade, presentes nas relações familiares, nos casamentos e nas amizades. A linguagem poética de seus trabalhos, tanto em verso quanto em prosa, é marcada pelo contraste de expressões e de sentidos. Destaca-se também por suas narrativas infantis.

Filho dos poetas gaúchos Maria Carpi (1939) e Carlos Nejar (1939), Fabrício é alfabetizado em casa pela mãe. Da família de escritores cultiva o apreço pela leitura e a familiaridade com a linguagem literária, experiências que influenciam seu percurso profissional. As vivências da infância, como a dificuldade de adaptação ao ambiente escolar e o divórcio dos pais, tornam-se mais tarde elementos de inspiração para sua literatura.

Com vocação para a escrita, Fabrício ingressa no curso de jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1990. Em sua primeira experiência de criação literária publica o livro de poemas As Solas do Sol (1998). A obra narra a jornada do personagem Avalor, que percorre dez colinas ao longo da história. A linguagem poética do texto é marcada por paradoxos, como ocorre nos versos que descrevem o personagem: “carecia da idade de viver sua morte”1 e “aprendeu a se deslocar parado”2. Tais recursos estilísticos contribuem para a caracterização de Avalor como um indivíduo atípico, deslocado no mundo e apartado da realidade. Ao final de sua jornada pelas colinas, percebe-se que sua aventura é, na verdade, um conjunto de devaneios catatônicos.

Ao longo da carreira de Fabrício, dois temas tornam-se recorrentes nas obras: a relação entre pais e filhos e o casamento. Usando referenciais autobiográficos, o escritor reflete sobre sentimentos, relacionamentos e elos afetivos. No livro Um Terno de Pássaros ao Sul: Poemas (2000), composto em forma de monólogo, o narrador, fragilizado pelo contexto de desagregação familiar, demanda a volta do pai. A obra aborda a complexidade das relações familiares numa formatação textual reflexiva. Como no livro anterior, a linguagem se manifesta por contrastes: “Viajas com o olhar do regresso, / chegas com o olhar da despedida”3. Os versos destrincham defeitos e qualidades dos indivíduos em cada linha genealógica, enfatizando o relacionamento entre pais e filhos: “Lado a lado, caminhamos, / separados pelas andanças / que cada um desenha / em seus pensamentos”4.

Fabrício investe na produção acadêmica ao ingressar no mestrado em literatura brasileira da UFRGS, no ano 2000. Sua pesquisa se concentra na obra do poeta Manoel de Barros (1916-2014) e conclui que a produção do escritor se orienta por uma poesia do excesso, gerada pelo acúmulo de imagens e metáforas. Num estudo contrastivo, mostra que o trabalho de Barros se distancia do estilo de autores contemporâneos a ele, como João Cabral de Melo Neto (1920-1999), cuja composição poética se reduz a um dizer essencial, a uma poesia “do menos”. Em 2001, mesmo ano em que conclui o mestrado, Fabrício passa a coordenar o Curso Superior de Formação de Escritores e Agentes Literários da Universidade do Vale do Rio Sinos (Unisinos).

Em 2006, estreia na literatura infantil com o livro Filhote de Cruz Credo: a Triste História Alegre de Meus Apelidos, também baseado em relatos autobiográficos. A obra conta a história de Fabrício, um menino que, considerado feio, precisa contornar as adversidades resultantes de sua aparência. Devido aos maus-tratos e apelidos que recebe de colegas da escola, explora sua identidade e aprende a se defender com humor e inteligência. Filhote de Cruz Credo é considerado o melhor livro infantojuvenil pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2011 e entra para a Campanha Educar sem Discriminar, do Governo do Rio Grande do Sul, sendo distribuído na rede escolar do estado.

Fabrício lança em 2006 seu primeiro livro de crônicas, O Amor Esquece de Começar, uma compilação de textos publicados em seu blog. Ao manter o viés biográfico e temas das obras anteriores, como os afetos e a família, as crônicas reproduzem o estilo do autor em prosa poética. 

Investindo novamente nas crônicas, em 2008 publica o livro Canalha, em que ironiza os tradicionais perfis de masculinidade construídos pela sociedade moderna. A obra critica os papéis de gênero socialmente atribuídos aos indivíduos e valoriza o diálogo nas relações amorosas.

Fabrício cultiva o hábito de escrever frases poéticas em guardanapos e assiná-los. Muitos desses trabalhos se tornam populares em redes sociais como o Instagram e o Facebook, ao serem compartilhados por milhares de usuários. Em 2017, o autor publica uma coleção dos guardanapos no livro Liberdade na Vida É Ter um Amor para Se Prender.

Depois da morte do escritor Moacyr Scliar (1937-2011), Fabrício assume a coluna dele no jornal Zero Hora, na qual escreve sobre cultura e hábitos sociais e também sobre eventos de grande repercussão nacional.

Ao comunicar-se por diversas mídias e veículos de expressão, Fabrício Carpinejar torna-se uma importante figura da escrita intimista, fazendo com que leitores de várias gerações se identifiquem com sua poesia e literatura.

 

Notas:

1. CARPINEJAR, Fabrício. As solas do sol. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005, p. 13.

2. CARPINEJAR, Fabrício. As solas do sol. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005, p. 107.

3. CARPINEJAR, Fabrício. Um terno de pássaros ao sul. São Paulo: Escrituras, 2008, p. 8.

4. CARPINEJAR, Fabrício. Um terno de pássaros ao sul. São Paulo: Escrituras, 2008, p. 19-20.

Outras informações de Fabrício Carpinejar:

  • Outros nomes
    • Fabrício Carpi Nejar
    • Fabrício Carpinejar
  • Habilidades
    • Cronista
    • Poeta
    • Jornalista
    • Pesquisador

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Fontes de pesquisa (7)

  • CARPINEJAR, Fabrício. As solas do sol. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
  • CARPINEJAR, Fabrício. Um terno de pássaros ao sul. São Paulo: Escrituras, 2008.
  • CARPINEJAR, Fabrício. Café Filosófico: Reinvenção dos Vínculos (40 min). 20 abr. 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3JXxW3IOeg4. Acesso em: 20 jul. 2020.
  • CARPINEJAR, Fabrício. Entrevista a Pedro Herz do Canal Livraria Cultura. (30 min). 7 ago. 2017. DIsponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1IEF-alQdqI. Acesso em: 20 jul. 2020.
  • GOVERNO do Estado do Rio Grande do Sul. Artigo: “Governo Lança Projeto de Combate ao Bullying Escolar”. 15 nov. 2013. Disponível em: https://estado.rs.gov.br/governo-lanca-projeto-de-combate-ao-bullying-escolar.  Acesso em: 20 jul. 2020.
  • NEJAR, Fabrício Carpi. Teologia do traste: a poesia do excesso de Manoel de Barros. 2001. 117 f. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, 2001. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/3053. Acesso em: 15 ago. 2020.
  • TORNQUIST, Sandra Regina. A obra poética de Carpinejar: relações com regimes, dominantes e modalidades do imaginário. Orientador: Norberto Perkoski. 2009. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade de Santa Cruz do Sul, Santa Cruz do Sul, 2009. Disponível em: https://repositorio.unisc.br/jspui/bitstream/11624/312/1/SandraRegina.pdf. Acesso em: 25 ago. 2020.

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  • FABRÍCIO Carpinejar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa385748/fabricio-carpinejar>. Acesso em: 20 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7