Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mariana Palma

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2021
17.09.1979 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Sem Título, 2011
Mariana Palma
Aquarela e lápis sobre papel

Mariana Palma (São Paulo, São Paulo, 1979).  Artista visual.  Com base na construção de espaços pictóricos, trabalha em suas obras a justaposição de elementos e técnicas diversificadas, em um desejo de apurar a linguagem da pintura e expressar suas inquietações.

Texto

Abrir módulo

Mariana Palma (São Paulo, São Paulo, 1979).  Artista visual.  Com base na construção de espaços pictóricos, trabalha em suas obras a justaposição de elementos e técnicas diversificadas, em um desejo de apurar a linguagem da pintura e expressar suas inquietações.

Seu primeiro contato com as artes é durante a infância, em aulas de pintura feitas por sua avó. Ao acompanhar essas aulas, Mariana inicia seu aprendizado sobre volumetria e materialidade da pintura, elementos que cercam sua obra nos anos seguintes. Em 1998 ingressa no curso de artes plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e se forma em 2000. Desenvolve uma intensa produção desde a época da faculdade, participando de várias exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior. Integra o grupo de pesquisa do Atelier Fidalga, espaço dedicado à troca entre artistas multidisciplinares. Ao final do curso de graduação, estabelece um trabalho na área de instalação, explorando plataformas ligadas à tecnologia, que ressaltam o uso da cor e da tridimensionalidade. 

O interesse pela pintura e a figuração estão presentes em retratos oníricos de figuras humanas ornadas de joias, tecidos elaborados e rendas. Utilizando de referências como a pintura flamenga1, o romantismo e o barroco, a experimentação da artista formula uma costura com elementos modernos e contemporâneos, como padronagens industriais de tecidos e da cultura popular brasileira, criando o que ela chama de paisagem. Em sua produção, utiliza suportes como aquarela, tinta acrílica e óleo, o desenho, a fotografia e a escultura em materiais profusos.

Entre 2003 e 2006, participa de inúmeras exposições e é contemplada com o Prêmio Aquisição, em 2003, pela Casa Olhar em Santo André; em 2005, pelo Museu de Arte de Ribeirão Preto; e, em 2006, pelo Museu de Arte Contemporânea de Campinas, configurando-se como agente participativa da geração contemporânea de arte brasileira. Algumas de suas obras também compõem acervos como Instituto Itaú Cultural, Museu de Arte do Rio e Coleção Banco Itaú S.A.

A curadora, crítica de arte e jornalista Juliana Monachesi (1976), ao conhecer os diferentes aspectos de seu trabalho, traça um paralelo entre as obras da artista em exposições ao longo de seis anos e os processos artísticos desenvolvidos em três suportes. Na coletiva 28º Salão de Arte de Ribeirão Preto (SP), as pinturas enigmáticas mesclam paisagens, figuras humanas fragmentadas e camadas de tecido e trazem “a tradição do grotesco e do informe”2, com padronagens que remetem às obras do pintor francês Henri Matisse (1869-1954). Anos depois, em 2004, na 9ª Bienal de Santos, as novas pinturas de Mariana apresentam desenvolvimento na técnica e requinte decorativo.

Sua entrada para a Galeria Casa Triângulo, em uma exposição individual em 2005, demonstram sua maturação poética em trazer os mesmos caminhos de superfícies e padrões têxteis junto a ruídos de humanidade: marcas, vincos, vestígios de presença e ausência. A fragmentação da paisagem em sua pintura não mais descansa o olhar, totalmente tomada por texturas em representações virtuosas. Em seus desenhos, a lógica se torna inversa, os espaços brancos e o vazio se tornam mais presentes, dando à morbidez o lugar da asfixia. O discurso da artista se torna mais vigoroso e coerente, estabelecendo um diálogo com sua história. 

Em sua exposição individual Deságue, realizada em 2012 na galeria Triângulo, em São Paulo, a artista apresenta a verticalidade iminente com sua nova série de trabalhos. Trazendo comparações entre a força da gravidade sobre plantas e as chamadas de “teresas" – cordas de lençóis utilizadas por presos para a fuga – as interpretações metalinguísticas se intercalam nas sobreposições de superfície, originando mais elementos. Sua técnica trabalha a sinuosidade e a flutuação de pigmentos na tinta e gera padrões ritmados em uma composição de espaço-tempo abstrata, reforçando a abordagem da pintura contemporânea em suas elaborações.

Em 2020, o Instituto Tomie Ohtake abriu a exposição Lumina, com curadoria de Priscyla Gomes, reunindo obras de 20 anos da trajetória de Mariana Palma, sobretudo pintura e desenho. O conjunto de obras propõe uma integração entre partes e superfícies, que se encostam e atritam dando forma a um novo corpo. As obras da artista provocam sensações táteis e aproximam os trabalhos, tendo a obscuridade e o renascimento como fios condutores. Esses polos são determinantes para a compreensão da multiplicidade da linguagem da artista e de seus meticulosos processos de criação.

No desenvolvimento de suas obras, Mariana Palma parte de pressupostos da tradição pictórica e de um conjunto de referências contemporâneas para construir camadas de superfície. O que gera é um transbordamento dessas camadas em um repertório emocional que, ao mesmo tempo, é provido de uma organização precisa que afirma a consistência técnica e poética da artista.

 

Notas:

1. As pinturas flamengas datam dos séculos XV e XVII, no Norte da Europa, e se caracterizam por retratar cenas religiosas, paisagens e naturezas mortas e pelo uso de cores vivas e o tratamento especial da luz. Cf. DE RUBENS a Van Dyck – Pintura Flamenga da Coleção Gerstenmaier. Fundação D. Luís. Disponível em: http://www.fundacaodomluis.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=804&catid=92.

2. Cf. MONACHESI, Juliana. Cara a cara com o avesso das coisas. In: Galeria Casa Triângulo. Disponível em: https://www.casatriangulo.com/pt/artista/14/mariana-palma/texto/35/cara-a-cara-com-o-avesso-de-todas-as-coisa-juliana-monachesi/.

Obras 6

Abrir módulo
Reprodução fotografica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Sem Título

Óleo sobre tela (tríptico)
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Sem Título

Aquarela e lápis sobre papel
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Sem Título

Aquarela e lápis sobre papel

Exposições 38

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 8

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: