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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Lucia Laguna

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.02.2021
31.03.1941 Brasil / Rio de Janeiro / Campos dos Goytacazes
Registro fotográfico Amilcar Packer

Série Entre a Linha Vermelha e a Linha Amarela nº 46, 2005
Lucia Laguna
Acrílica e óleo sobre tela
Coleção do artista / Cortesia Galeria Laura Marsiaj Arte Contemporânea (Rio de Janeiro, RJ)

Lucia Gambaro Laguna (Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, 1941). Artista plástica e professora de língua portuguesa. Laguna retrata paisagens urbanas destacando a variedade arquitetônica e a profusão de formas e cores presentes nas cidades, particularmente nos contornos cariocas.

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Lucia Gambaro Laguna (Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, 1941). Artista plástica e professora de língua portuguesa. Laguna retrata paisagens urbanas destacando a variedade arquitetônica e a profusão de formas e cores presentes nas cidades, particularmente nos contornos cariocas.

Forma-se em letras em São João del Rei, Minas Gerais, em 1971, e trabalha como professora de português e literatura até 1993. Aposenta-se em 1994, e inicia cursos teóricos e práticos de artes plásticas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Entre seus professores, está o pintor Charles Watson (1951), que realiza viagens a museus de várias partes do mundo com os alunos no projeto Dynamic Encounters. Neste projeto, Laguna conhece a obra de artistas plásticos que se tornam referências, como o pintor italiano Giorgio Morandi (1890-1964). 

O ponto de partida para o trabalho da artista são as paisagens urbanas. Moradora do bairro São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro, a pintora vê, do seu ateliê, um cenário que mescla casas, telhados e barracos. Com base no enquadramento proporcionado pela janela, pinta a mistura de cores e formas que vê no bairro não planejado, no qual diversas arquiteturas e classes sociais convivem. 

Realiza a primeira exposição individual na Galeria Centro Cultural Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, em 1998, e passa a exibir seus quadros em exposições coletivas. Em uma das séries desse período, Entre a Linha Vermelha e a Linha Amarela (2001), Laguna inspira-se na paisagem que há entre duas vias expressas da cidade. Chama a atenção de críticos de arte como Paulo Herkenhoff (1949) e da marchande Laura Marsiaj, que exibe os quadros de Laguna em sua galeria a partir de 2004. 

A diversidade do entorno do ateliê é uma constante em seu trabalho: há formas geométricas incompletas, como um quadrado sem um dos lados, e linhas retas que se sobrepõem e se encontram com manchas coloridas e disformes. Ao começar um quadro, Laguna não pinta sobre a tela em branco: parte de pinturas feitas por seus assistentes, que também registram a vista do ateliê. Cobre pedaços do quadro com fita crepe e usa tinta a óleo para fazer uma segunda camada de pintura sobre a inicial. Por fim, arranca a fita e obtém intervalos e traços marcantes como resultado desse movimento brusco, além da junção de elementos de duas pinturas diferentes. Esses elementos convivem no mesmo espaço de maneira pouco harmoniosa, uma vez que se invadem e se atropelam. Assim como eles, suas obras revelam uma beleza desordenada traduzindo o mundo que a pintora enxerga de seu ateliê.

Em 2006, recebe o prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça. No ano seguinte, suas pinturas são expostas no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Participa de diversas exposições coletivas, como o 32o Panorama da Arte Brasileira (2011) no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 2012, sua obra é exibida na 30ª Bienal de São Paulo e, em 2016, a mostra Enquanto Bebo a Água, a Água Me Bebe é exposta no Museu de Arte do Rio (MAR). 

Em 2018, o trabalho Nem Pássaro ou Inseto, Folha, Bolha e Galho… Nada Escapa à Armadilha do Olhar é exibido na Galerie Karsten Greve, em Paris. No mesmo ano, realiza a exposição Vizinhanças no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). A mostra é uma seleção de obras da artista produzidas entre 2012 e 2018, que tem a Zona Norte do Rio de Janeiro como tema comum. Para a ocasião, Laguna cria a pintura Paisagem nº 114 (2018), que mescla diversas referências de obras expostas no Masp.

Ao traduzir em imagem a riqueza do mundo que as janelas de seu ateliê revelam, Lucia Laguna oferece uma perspectiva única de formações urbanas não planejadas, que retratam as peculiaridades das paisagens suburbanas e a beleza desordenada das cidades.

Obras 4

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Reprodução fotografica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Paisagem nº 26

Acrílica e óleo sobre tela

Exposições 38

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Feiras de arte 2

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Fontes de pesquisa 4

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