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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Antonio Manuel

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.01.2021
1947 Portugal / Beira Litoral / Avelãs de Caminho
Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz

Sinais em Azul e Preto, 1986
Antonio Manuel
Acrílica sobre tela
120,00 cm x 90,00 cm

Antonio Manuel da Silva Oliveira (Avelãs de Caminho, Portugal 1947). Escultor, pintor, gravador e desenhista. Chega ao Brasil em 1953 e fixa residência com a família no Rio de Janeiro. Em meados da década de 1960, estuda na Escolinha de Arte do Brasil (EAB), com Augusto Rodrigues (1913-1993), e freqüenta o ateliê de Ivan Serpa (1923-1973). Nessa...

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Biografia
Antonio Manuel da Silva Oliveira (Avelãs de Caminho, Portugal 1947). Escultor, pintor, gravador e desenhista. Chega ao Brasil em 1953 e fixa residência com a família no Rio de Janeiro. Em meados da década de 1960, estuda na Escolinha de Arte do Brasil (EAB), com Augusto Rodrigues (1913-1993), e freqüenta o ateliê de Ivan Serpa (1923-1973). Nessa época, é também aluno ouvinte da Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Inicialmente, utiliza o jornal e sua matriz - o flan - como suporte para seus trabalhos. Realiza interferências e inventa notícias, nas quais aborda temas políticos e discussões estéticas. Em 1968, na exposição Apocalipopótese, organizada por Hélio Oiticica (1937-1980) e Rogério Duarte (1939), apresenta as Urnas Quentes - caixas de madeira lacradas que deveriam ser arrebentadas pelo público. Em 1970, Antonio Manuel propõe o próprio corpo como obra, no Salão de Arte Moderna, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Posteriormente, produz vários filmes de curta-metragem, como Loucura & Cultura (1973) e Semi-Ótica (1975). A partir da década de 1980, realiza pinturas de caráter abstrato-geométrico, nas quais explora as ortogonais e a sugestão de labirinto. Apresenta, em 1994, a primeira versão da instalação Fantasma que, como outras obras do artista, solicita uma reflexão sobre o contexto social e político brasileiro.

Análise
Antonio Manuel nasce em Portugal e vem para o Brasil em 1953, fixando-se no Rio de Janeiro. Na metade da década de 1960, estuda com Augusto Rodrigues, na Escolinha de Arte do Brasil, e freqüenta o ateliê de Ivan Serpa. Nessa época, é também aluno ouvinte da Escola Nacional de Belas Artes (Enba). A partir de 1965, participa de salões de arte e bienais.

No início da carreira, usa o jornal como suporte de seus trabalhos. Realizando interferências com tinta nanquim, anula algumas notícias ou imagens, acrescenta ou ilumina outras. Passa, em seguida, a utilizar o flan - cartão plastificado em relevo, que é a matriz para a impressão de jornais. Chega a elaborar os próprios flans, inventando as notícias; e os jornais impressos são distribuídos nas bancas, como se fossem autênticos. Cria uma série de jornais abordando temas políticos, como o movimento estudantil de 1968, ou ligados a discussões estéticas e poéticas.

Em 1968, na exposição Apocalipopótese, realizada no Aterro do Flamengo, cuja proposta, idealizada por Hélio Oiticica e Rogério Duarte, era ser uma experiência coletiva de arte, Antonio Manuel apresenta as Urnas Quentes - caixas de madeira fechadas e lacradas, que deveriam ser arrebentadas pelo público, para que pudesse ser conhecido seu conteúdo. Nas caixas o artista coloca textos referentes a situações políticas ou estéticas ao lado de imagens relacionadas à violência, recortadas de jornais. Como em outros trabalhos do período, o evento convida à participação do espectador, que passa a ser co-realizador da obra. Esses trabalhos relacionam-se a um contexto de repressão política e de censura aos meios de comunicação.

Em 1970, Antonio Manuel propõe o próprio corpo como obra, no Salão de Arte Moderna, realizado no Museu de Arte Moderno do Rio de Janeiro (MAM/RJ). A proposta é recusada pelo júri. Na noite da abertura da exposição, o artista apresenta ao público seu corpo nu. Segundo o artista, com O Corpo É a Obra, a idéia é questionar os critérios de seleção e julgamento das obras de arte. O ato passa a ter o caráter de protesto contra o sistema político, artístico e social em vigor. Sobre a performance, o crítico Mário Pedrosa escreve que o artista faz "o exercício experimental da liberdade". A partir desse momento, seu interesse centra-se na questão do corpo e seus sentidos.

Antonio Manuel realiza vários filmes de curta-metragem, como Loucura & Cultura (1973) e Arte Hoje (1976). Desde a década de 1980, dedica-se à pintura em acrílico e realiza telas de caráter geométrico-abstrato, em que explora a sugestão de labirinto. Em 1994, apresenta a primeira versão da instalação Fantasma, um espaço repleto de carvões, suspensos por fios de nylon que parecem flutuar no espaço da galeria. O público é convidado a percorrer o espaço, podendo ser tocado ou marcado pelas peças de carvão. Segundo o artista, a fotografia que integra a exposição é de um personagem real que, ao ter sua imagem divulgada pela imprensa como testemunha de um crime, passa a viver escondido, perdendo sua identidade. Com utilização de várias formas de expressão, a obra de Antonio Manuel traz um caráter de inquietude e de constante reflexão sobre o contexto social e político brasileiro.

Obras 14

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Corpobra

Acrílico, madeira, fotografia p&b e palha
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Empate 4 x 4

Acrílica sobre tela
Reprodução Fotográfica Paulo Scheuenstuhl

Exposições 235

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Feiras de arte 4

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Mídias (1)

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Antonio Manuel - Enciclopédia Itaú Cultural
Em 1970, Antonio Manuel apresenta seu próprio corpo nu como obra no Salão de Arte Moderna do MAM/RJ. “É uma questão meio ética meio estética porque, na verdade, eu já não confiava mais nos suportes e nos meios”, explica o artista. A proposta ousada é rejeitada pelo júri do evento, mas abre discussões importantes no campo das artes no Brasil. Alguns anos antes desse episódio, em 1966, Manuel inicia sua carreira tendo como suporte o jornal. Seja por meio de interferências com nanquim nos periódicos existentes ou na criação de notícias e publicações como se fossem autênticas, as obras dessa fase são fruto de seu profundo interesse pela mídia impressa. “[Vêm de] uma verdadeira paixão pela coisa gráfica”, comenta. Depois de experimentar diferentes materiais e linguagens, nos anos 1980 ele migra para a pintura abstrata. “Encaro uma tela assim, direto, sem saber o que vai dar. Esse desafio, para mim, é importante”.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 14

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  • ANTONIO Manuel. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1984. (Arte brasileira contemporânea).
  • ARTE hoje/88: artistas convidados. Ribeirão Preto: Prefeitura Municipal, 1988.
  • CANEJO, Cynthia Marie. Antonio Manuel: a dialectical response to brazilian developments in modern art. 1998. 63 f. Tese (Doutorado)- Master of Arts in Art History, University of California, Santa Barbara, 1998.
  • DEPOIMENTO de uma geração: 1969-1970. Curadoria Frederico Morais; texto Francisco Bittencourt, Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1986. 104 p.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MANUEL, ANTONIO. Antonio Manuel. Rio de Janeiro, RJ: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1997.
  • MANUEL, Antonio. Antonio Manuel - entrevista a Lúcia Carneiro e Ileana Pradilla. Rio de Janeiro: Lacerda Ed., 1999. 80p. (Palavra do artista).
  • OBJETO na arte: Brasil anos 60. Coordenação Daisy Valle Machado Peccinini de Alvarado. São Paulo: FAAP, 1978.
  • OCUPAÇÕES descobrimentos. Tradução Paulo Henriques Britto. Niterói: MAC, 1998. .
  • PIZA, Waltércio Caldas, Vergara, Hércules Barsotti, Milton Dacosta, Antonio Manuel, Amilcar de Castro. São Paulo: Gabinete de Arte, 1986.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

Como citar

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