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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Evaldo Mocarzel

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.06.2022
09.02.1960 Brasil / Rio de Janeiro / Niterói
Evaldo Sérgio Vinagre Mocarzel (Niterói, Rio de Janeiro,1960). Cineasta, dramaturgo e jornalista. Em 1982, forma-se em cinema pela Universidade Federal Fluminense e escreve crítica de filmes para o jornal O Fluminense. Com a crise do cinema brasileiro, a partir de 1990, dedica-se ao jornalismo. Atua como editor do “Caderno 2” de O Estado de S. P...

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Evaldo Sérgio Vinagre Mocarzel (Niterói, Rio de Janeiro,1960). Cineasta, dramaturgo e jornalista. Em 1982, forma-se em cinema pela Universidade Federal Fluminense e escreve crítica de filmes para o jornal O Fluminense. Com a crise do cinema brasileiro, a partir de 1990, dedica-se ao jornalismo. Atua como editor do “Caderno 2” de O Estado de S. Paulo e como coordenador da área de cultura da sucursal Rio da Agência Estado. Faz produção de especiais de rock para a TV Manchete e edita mais de 50 comerciais de discos da gravadora Polygram. 

No início dos anos 2000, escreve peças de teatro e integra, durante quatro anos, o Círculo de Dramaturgia criado pelo diretor Antunes Filho (1929-2019) no Centro de Produção Teatral do Serviço Social do Comércio (Sesc/SP). Em 1999, em Nova York, durante um curso de cinema, realiza o projeto Pictures in the Park que discute o roubo da imagem da população de rua. 

Em 2001, com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, filma o curta documental À Margem da Imagem, produzido por Ugo Giorgetti (1942), laureado com 19 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Entre eles, a Margarida de Prata, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2002, transforma-o em longa-metragem, premiado em Gramado e no Festival do Rio.  

Dirige mais três filmes sobre o cenário urbano paulistano: À Margem do Concreto (2006), sobre ocupações; À Margem do Lixo (2008), sobre catadores de papel; e À Margem do Consumo (ainda inédito), sobre favelas.

Em 2003, filma Mensageiras da Luz – Parteiras da Amazônia e, em 2005, Do Luto à Luta, um documentário sobre Síndrome de Down. Seu último filme é Antártica, de 2013. Dedica-se também a filmagem de peças teatrais encenadas por importantes companhias de São Paulo.

Paralelamente, exerce carreira acadêmica como professor do curso de cinema da Escola Superior Sul-Americana de Cinema e Televisão do Paraná (CINETVPR), nas disciplinas sobre documentário e fundamentos de direção. Ministra, também, vários cursos e oficinas pelo Brasil sobre cinema documental. Em 2005, traduz para o português a obra Notas Sobre o Cinematógrafo, de Robert Bresson (1901-1999), para a Editora Iluminuras e, em 2010, assina a biografia da cineasta Ana Carolina (1945), pela “Coleção Aplauso”.

Análise

Na retomada do cinema brasileiro, Evaldo Mocarzel aparece como um dos cineastas mais produtivos. Realiza filmes com poucos recursos, que despertam a atenção da crítica pela qualidade no tratamento de questões cruciais para compreensão do país, sua heterogeneidade e seus problemas sociais.

Destacam-se os documentários que discutem os excluídos da metrópole paulista. Em À Margem da Imagem (2002), investiga a vida de pessoas que, por diferentes razões, vivem nas ruas de São Paulo. À Margem do Concreto, que combina depoimentos com imagens de telejornais, debruça-se sobre o problema da moradia e os movimentos organizados de trabalhadores urbanos que ocupam os prédios ociosos da cidade, de modo a pressionar o Estado por políticas públicas de habitação. Em À Margem do Lixo, os protagonistas são os catadores de lixo de São Paulo, agentes de uma das cadeias econômicas mais lucrativas do país, a reciclagem de materiais. Há, ainda, À Margem do Consumo, sobre moradores de favelas.

Nesse mosaico de marginalizados urbanos, percebe-se um esforço em captar a consciência de cada entrevistado em relação à sua condição social, rejeitando a vitimização desses indivíduos. Os filmes discutem os meios de comunicação de massa, em especial o cinema, que estetizam e exploram a miséria. Os recursos narrativos transitam entre a ficção, o documentário e o telejornalismo, com uso exaustivo da entrevista que nem sempre garante um diálogo real entre a câmera e o entrevistado, como observa o crítico Jean-Claude Bernardet (1936).

Nos documentários seguintes, há uma diversificação da linguagem, dos temas e espaços, sem perder o tom político. Mensageiras da Luz – Parteiras da Amazônia é um filme etnográfico sobre o cotidiano de mulheres parteiras em regiões isoladas no norte do país, onde o sistema de saúde não chega. Do Luto à Luta (2005), por sua vez, retrata com sensibilidade os desafios enfrentados por pessoas portadoras de Síndrome de Down.

Obras 1

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Espetáculos 5

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Exposições 2

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Mostras audiovisuais 2

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Fontes de pesquisa 9

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  • BERNARDET, Jean-Claude. A entrevista. In: CAIXA Cultural. O som no cinema. Rio de Janeiro, 2008. p. 119-130
  • BRYAN, Guilherme. Mergulho nos fatos. In: Revista do Brasil, São Paulo, n. 13, p. 34-35, jun. 2007.
  • MANEVY, Alfredo. À margem da imagem. In: Sinopse, São Paulo, v. 4, n. 9, p. 16, ago. 2002.
  • MATTOS, Carlos Alberto. As paixões siamesas de Evaldo Mocarzel. ...rastros de Carmattos, jan. 2013. Disponível em: https://carmattos.com/2013/01/27/as-paixoes-siamesas-de-evaldo-mocarzel/. Acesso em: 08 ago. 2013.
  • MATTOS, Carlos Alberto. Sem margem de redenção. Críticos, 3 mar. 2007. Disponível em: http://criticos.com.br/?p=1185&cat=1. Acesso em: 08 ago. 2013.
  • MELLÃO, Gabriela. Primeiro cineasta, depois dramaturgo. In: Bravo!, São Paulo, v. 12, n. 150, p. 86-89, fev. 2010.
  • NAPOLI, Tatiana. Evaldo Mocarzel: o documentário para ir além do jornalismo. In: Revista de Cinema, São Paulo, v. 4, n. 45, p. 35, jun.-jul. 2004.
  • PRADO, Miguel Arcanjo. Evaldo Mocarzel quebra muro entre teatro e cinema na mostra Novas Dramaturgias em Tempos Digitais. Disponível em: http://entretenimento.r7.com/blogs/teatro/2012/11/28/evaldo-mocarzel-quebra-muro-entre-teatro-e-cinema-na-mostra-novas-dramaturgias-em-tempos-digitais/. Acesso em: 08 ago. 2013.
  • Programa do Ciclo de Leituras Dramáticas, 2010. Não Catalogado

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