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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mário Fiori

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.01.2021
1908 Brasil / São Paulo / São Paulo
1985 Brasil / São Paulo / São Paulo
Mario Fiori (São Paulo, São Paulo, 1908 – idem, 1985). Fotógrafo. Integrante do Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), faz parte da Escola Paulista, movimento fundador e consolidador da fotografia moderna no Brasil. Suas obras são ecléticas, com temas variando entre a vida no campo, a natureza e a cidade e seus elementos. No entanto, sua abordagem ...

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Mario Fiori (São Paulo, São Paulo, 1908 – idem, 1985). Fotógrafo. Integrante do Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), faz parte da Escola Paulista, movimento fundador e consolidador da fotografia moderna no Brasil. Suas obras são ecléticas, com temas variando entre a vida no campo, a natureza e a cidade e seus elementos. No entanto, sua abordagem estética ressalta a composição das formas em fotografias monocromáticas.

Inicia a vida profissional como alfaiate, ofício que aprende com o pai. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, trabalha como enfermeiro e posteriormente se estabelece como comerciante, vendendo insumos para a produção artística. Por meio do contato com o fotógrafo e sócio fundador do FCCB José Yalenti (1895-1967), associa-se à instituição em 1948.

Fiori participa dos empréstimos internos da sociedade, adquirindo cotas para que a nova sede na Rua Avanhandava, em São Paulo, seja comprada em maio de 1949. Coopera na realização da sala de fotografia do FCCB na 2ª Bienal de São Paulo (1953-1954), importante marco de reconhecimento do trabalho bandeirante e de inserção da fotografia no circuito da arte. É membro assíduo das comissões executivas e organizadoras dos Salões Internacionais de Arte Fotográfica de São Paulo, compondo-as em 1953 e de 1957 a 1964.

Sua obra Prece (1950), exibida no 9º Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Paulo (1950) e no 35º Salão da Escócia (1951), ainda apresenta aspectos do pictorialismo. Seu tema, associado ao sublime por conter uma mulher em súplica aos pés de uma cruz sobre uma montanha, é acompanhado pelo trabalho técnico ao ressaltar a área da cruz com um entorno mais claro, destacando-a por meio do contraste e da construção de um efeito de vinheta1 para escurecer as bordas da imagem. Por meio dessa conjunção entre tema e técnica, a obra se aproxima das características da pintura, ponto central do movimento pictorialista na consecução de uma fotografia artística.

Já em Elos (ca.1950), Fiori se volta para as formas encontradas na cidade e exaltadas pelo contraste na imagem. O próprio nome da obra aponta para o desenho das linhas retas e diagonais, articulando ligações entre as partes como nos componentes de uma corrente. Nessa abordagem artística há a defesa da fotografia como uma arte capaz de organizar o mundo frente à velocidade das mudanças trazidas ao país pela industrialização tardia e pelo desenvolvimento dos centros urbanos.

Boa parte da produção de Mario Fiori ocorre entre as décadas de 1950 e 1960, participando do auge da construção da estética moderna na fotografia brasileira e fortalecendo o FCCB como uma sociedade reconhecida internacionalmente pelo engajamento de seus associados e pela força e autonomia formal e política da instituição.

Além de expor em competições nacionais, Fiori exibe suas fotografias no exterior, em eventos como o 4º Salão da Dinamarca (1951), o 14º Salão de Portugal (1951) e o 20º Salão de Barcelona (1961). No 15º Salão de Hong Kong (1960), participa com Escala de Luz (1957), fotografia bastante contrastada que ressalta as bordas de um arranjo com tijolos de oito furos de tal maneira que as linhas sobre a escuridão compõem uma abstração. Um material sólido e tido como banal, através da visão e da técnica do fotógrafo, é transformado na leveza de linhas que percorrem o enquadramento, ora cessando ora continuando no encontro com suas transversais. Em 2016, Escala de Luz se torna parte do acervo Museu de Arte de São Paulo Foto Cine Clube Bandeirante (Masp FCCB).

No ano de 1960 Fiori recebe o título de sócio honorário do FCCB. Contudo, ao longo da década, se afasta da sociedade devido às demandas do trabalho e se dedica apenas à fotografia vernacular2. A última menção ao seu nome no Boletim Foto Cine aparece no catálogo do 23º Salão Internacional de Arte Fotográfica de São Paulo (1964), como membro da comissão organizadora e como participante com uma fotografia.

Da proximidade ao pictorialismo ou aos temas idílicos e às composições modernas, revelam-se as pesquisas imagéticas realizadas pelo dedicado fotógrafo bandeirante Mário Fiori. O conjunto de sua obra se consolida na investigação da fotografia por meio do monocromatismo e da organização das formas no espaço do enquadramento, destacando sua capacidade de observar e fixar tanto as formas fluidas da natureza quanto as matérias rígidas engendradas pelo homem.

 

Notas:

1.  Escurecimento das bordas da fotografia quando comparada ao seu centro.
2.  Feita sem intenção de ser exposta publicamente e tendo como tema a vida cotidiana. Como exemplo, têm-se as fotografias dos álbuns de família.

Exposições 2

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Exposições virtuais 1

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