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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Jeferson De

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.03.2022
26.01.1968 Brasil / São Paulo / Taubaté
Jeferson Rodrigues de Rezende (Taubaté, São Paulo, 1968). Diretor, roteirista. Sua obra apresenta reflexões sobre a presença do racismo na sociedade brasileira e se estabelece como "cinema negro", na definição do próprio cineasta, por ser produzida por um diretor negro e ter protagonistas negros e temática relacionada às culturas negras.

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Jeferson Rodrigues de Rezende (Taubaté, São Paulo, 1968). Diretor, roteirista. Sua obra apresenta reflexões sobre a presença do racismo na sociedade brasileira e se estabelece como "cinema negro", na definição do próprio cineasta, por ser produzida por um diretor negro e ter protagonistas negros e temática relacionada às culturas negras.

O cinema marca a vida de Jeferson De desde a infância. Entre os 6 e 7 anos de idade, morador de Taubaté, sua cidade natal, aos finais de semana, seu pai busca um projetor e rolos de filmes e os exibe ao ar livre em um lençol esticado em uma quadra. 

Jeferson De inicia a vida acadêmica na Faculdade de Filosofia na Universidade de São Paulo (USP), mas pede transferência para o curso de Cinema. Com bolsa de iniciação científica oferecida pela Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), realiza a pesquisa Diretores cinematográficos negros. Em 2000, durante o Festival Internacional de Curtas, na atração intitulada Dogma Feijoada, o jovem direotr publica o manifesto Gênese do cinema negro brasileiro, sintetizado em suas palavras: “No cinema negro, a gente faz filme com os restos, não com as partes nobres, assim como a feijoada era feita pelos negros escravizados. Trazemos personagens e histórias que foram deixados de lado”1. Junto a outros realizadores e realizadoras que assinam o manifesto, como Lilian Solá Santiago e Noel dos Santos Carvalho, ele compõe o grupo chamado de Cinema Feijoada que, nos anos seguintes, promove mostras  e  debates  sobre a presença do negro no cinema brasileiro. Por não se sentir representado pelo sobrenome Rezende, ao entendê-lo como proveniente de um de seus ancestrais, senhor de escravos, Jeferson adota o “De” como parte de seu nome artístico, resgatando sua história pessoal, também comum a de tantas pessoas negras no Brasil. 

Nos anos 2000, trabalha como editor em emissoras de televisão, como a MTV, com as séries 20 e Poucos Anos e Tudo de Bom, e o SBT, com a série Popstars. Em 2001, inicia parceria com a gravadora Trama na coprodução de seus primeiros curta-metragens: Distraída para a morte (2001), Carolina (2003) e Narciso RAP (2004) – cujos roteiros são publicados em 2005 no livro Dogma Feijoada e o cinema negro brasileiro. Apesar de serem todos centrados em personagens negras, os curtas variam em formas estéticas e narrativas. Distraída para a morte e Narciso RAP trazem adolescentes negros em suas diferentes perspectivas de vida. Carolina recupera a biografia de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), escritora que morava na favela e que se tornou um fenômeno literário na década de 1960. 

Em 2009, funda a produtora Buda Filmes, cujas produções focalizam principalmente questões ligadas aos direitos humanos, à identidade, à etnia e à história contemporânea, buscando valorizar a cultura e a diversidade brasileira. Um ano depois, lança seu primeiro longa-metragem Bróder, que é selecionado para VI Laboratório de Roteiros do Instituto Sundance e para o Festival de Berlim, recebendo também o prêmio de melhor filme pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), além de outras onze indicações no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. O filme trata do reencontro de três amigos que dividem a infância em Capão Redondo, bairro periférico localizado na zona sul da capital paulista.

Em 2013, entre outras produções, dirige a série Pedro e Bianca (TV Cultura), pela qual ganha o prêmio Emmy Kids e o Prix Jeunesse Iberoamericano na categoria ficção para 12 anos. Em 2015, estreia seu segundo longa-metragem, O Amuleto, seguido por Correndo atrás (2016), baseado no livro Vai na bola, Glanderson, do ator e escritor Hélio de La Peña (1959). Em 2018, o cineasta é destaque na 13ª edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que homenageia um cineasta negro pela primeira vez e exibe boa parte de suas produções. Entre 2019 e 2020, dirige a novela Bonsucesso (TV Globo), que se destaca por trazer diversos personagens negros em diversas funções de relevância variada, algo ainda pouco comum na produção audiovisual da televisão brasileira. 

Seu quarto longa-metragem, M8 – Quando a morte socorre a vida, conta a história de Maurício (Juan Paiva), jovem periférico e negro que ingressa na faculdade de medicina por meio do programa de cotas e reconhece no cadáver da aula de Anatomia um outro corpo negro presente na universidade além do seu. Em fevereiro de 2021, o filme entra para o catálogo do streaming Netflix, ficando entre as obras da plataforma mais vistas no Brasil. A obra recebe o prêmio APCA de Melhor Filme e os prêmios de melhor ator, atriz e direção no Festival SESC de Melhores Filmes.

Em 2021, estreia o longa Doutor Gama, obra biográfica sobre o advogado abolicionista Luís Gama (1830-1882), nos cinemas e no streaming Globoplay. O cineasta relata que a ignorância diante dessa figura o motiva a filmar sua biografia, considerando que a história aprendida na escola só ressalta a figura de Princesa Isabel (1846-1921) como fundamental na libertação das pessoas escravizadas no Brasil. O filme evidencia a importância da discussão racial na sociedade brasileira atual e surpreende ao ser a primeira produção de época do diretor que requer investimento substancial em pesquisa e produção. O filme é selecionado para o American Black Film Festival, mostra de cinema independente que se concentra principalmente nas obras de membros negros da indústria cinematográfica. 

Jeferson De atua em diversas áreas da produção audiovisual buscando construir narrativas de valorização da população negra no Brasil, tendo em vista seu protagonismo, sua diversidade e sua riqueza cultural.

Notas
[1] ITO, Carol. “Ele não é o Spike Lee brasileiro”. Trip, nov. 2018. Disponível em: https://revistatrip.uol.com.br/trip/ele-nao-e-o-spike-lee-brasileiro. Acesso em: 26 set. 2021.

Mostras audiovisuais 2

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