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Enciclopédia Itaú Cultural

Nelson Gonçalves

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.05.2020
21.06.1919 Brasil / Rio Grande do Sul / Santana do Livramento
18.04.1998 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Nelson Gonçalves, s.d.

Antônio Gonçalves Sobral (Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, 1919 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998). Cantor e compositor. Conhecido como Rei do Rádio, é considerado um dos cantores brasileiros mais populares dos anos 1950. Maior vendedor de discos dessa década, tem como principal marca musical a interpretação de canções românticas e...

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Antônio Gonçalves Sobral (Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, 1919 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998). Cantor e compositor. Conhecido como Rei do Rádio, é considerado um dos cantores brasileiros mais populares dos anos 1950. Maior vendedor de discos dessa década, tem como principal marca musical a interpretação de canções românticas e melodramáticas, com uma voz grave e empostada.

Ainda na infância, Nelson Gonçalves muda-se do Rio Grande do Sul para a cidade de São Paulo, onde é criado no bairro do Brás. No colégio, recebe o apelido de Metralha, por causa de um problema fonético semelhante à gagueira, que o obriga a falar muito rápido. Depois de concluir o primário, trabalha como engraxate, garçom e jornaleiro.

Em 1935, torna-se lutador de boxe, na categoria peso-médio, e, nessa época, já tem contato com o meio boêmio da música. Vai para o Rio de Janeiro em 1939, na tentativa de iniciar uma carreira musical em programas de calouros, mas não obtém êxito. Persiste em sua escolha pela música e, dois anos depois, consegue gravar o primeiro disco pela Victor, gravadora com a qual mantém vínculo durante a maior parte da carreira.

Nessa primeira gravação, de 1941, canta “Sinto-me bem”, de Ataulfo Alves (1909-1969) e “Se eu pudesse um dia”, de Oswaldo França e Rosano Monello. Ingressa na Rádio Mayrink Veiga, na mesma época. Sua consagração ocorre em 1942 com o fox “Renúncia”, de Roberto Martins (1909-1992) e Mário Rossi (1911-1981). Em 1945, durante uma viagem a Recife, toma conhecimento da canção “Maria Betânia”, de Capiba (1904-1997), que grava e transforma em grande sucesso. Por causa dessa interpretação, Caetano Veloso (1942) pede aos pais que batizem a irmã mais nova como Maria Bethânia. Outro clássico de seu repertório é “Normalista”, de David Nasser (1917-1980) e Benedito Lacerda (1903-1958), lançada em 1949.

Durante toda a década de 1940, o timbre de Nelson se assemelha ao do cantor Orlando Silva (1915-1978). Apenas na década de 1950, depois de estabelecer uma parceria com o compositor Adelino Moreira (1918-2002), consolida estilo próprio, pelo qual é mais lembrado. Com uma voz de barítono, de grande extensão, interpreta de maneira técnica e emotiva canções com temas românticos, que tratam de paixões perdidas e eternas. Seu sucesso durante a era da transmissão musical radiofônica lhe rende o título de Rei do Rádio.

A parceria com Adelino Moreira produz alguns dos maiores sucessos de Nelson. Juntos, compõem canções como "Fica Comigo Esta Noite", "Escultura", "Êxtase" e "Mariposa", além das que são assinadas apenas por Adelino e emplacam na voz de Nelson, como "A volta do boêmio" e "Meu vício é você". Nelson usa uma técnica vocal que conjuga com sucesso afinação, harmonia, respiração, tônicas e divisão de palavras. Sua interpretação imprime aos boleros, tangos, foxes e quaisquer outros estilos que canta uma expressividade considerada marcante e singular.

Herivelto Martins (1912-1992) e David Nasser também obtêm êxitos com a voz do cantor, em canções como “Francisco Alves” e “Carlos Gardel”, homenagens a grandes cantores desaparecidos à época (início dos anos 1950), além de “Pensando em ti”. Sua carreira bem-sucedida permanece até o fim da vida, quando passa a ser reconhecido como último representante da geração das grandes vozes do rádio. Grande parte de sua produção é relançada em CD pela gravadora BMG, detentora do acervo da RCA-Victor.

Ao mesmo tempo em que emenda sucessos, gozando de grande popularidade, Nelson frequenta os ambientes tradicionalmente marginais do Rio de Janeiro, como a Lapa, onde ganha fama de machão e mulherengo. No fim da década de 1950, começa a consumir cocaína, e em 1966 é preso por porte de drogas, depois de ter chegado a abandonar a carreira artística em 1962. Recupera-se do vício e, nos anos 1970 e 1980, continua gravando com frequência, construindo uma carreira numericamente superlativa: 300 compactos e 120 LPs, num total de 50 milhões de discos – 15 discos de platina e 41 discos de ouro.

Apesar da vida conturbada, que se inicia depois da consagração como cantor e interfere em sua popularidade a partir dos anos 1960, Nelson Gonçalves continua sendo figura importante da música brasileira, pela qualidade técnica de sua interpretação e por ter marcado um período específico de produção e consumo da música no Brasil.

Obras 3

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