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Artes visuais

Maurice Vaneau

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.07.2018
25.01.1926 Bélgica / a definir / Antuérpia
24.12.2007 Brasil / São Paulo / São Paulo
Maurice Vaneau (Bélgica 1926 - São Paulo SP 2007). Diretor, cenógrafo e figurinista. Belga de nascimento, Vaneau é um dos diretores do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) nos anos 1950, estabilizando uma carreira no Brasil nos anos subseqüentes.

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Biografia
Maurice Vaneau (Bélgica 1926 - São Paulo SP 2007). Diretor, cenógrafo e figurinista. Belga de nascimento, Vaneau é um dos diretores do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) nos anos 1950, estabilizando uma carreira no Brasil nos anos subseqüentes.

Ao realizar uma excursão pela América Latina com o Teatro Nacional da Bélgica, do qual era o diretor, Maurice Vaneau é convidado por Franco Zampari para integrar-se ao TBC, na condição de diretor artístico. Assume a função em 1955, estreando, no ano seguinte, A Casa de Chá do Luar de Agosto, um dos maiores sucessos da companhia, recebendo os prêmios Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), Saci e Governador do Estado de melhor direção. Ainda em 1956, dirige Gata em Teto de Zinco Quente, de Tennessee Williams, outra realização bem-sucedida. As Provas do Amor, uma comédia de João Bethencourt, e A Rainha e os Rebeldes, de Ugo Betti, são as criações de 1957. O TBC encontra-se numa séria crise financeira e Vaneau afasta-se da instituição.

Para o Teatro Maria Della Costa (TMDC), dirige, em 1962, O Marido Vai à Caça, vaudeville de Georges Feydeau; bem como a primeira versão de Quatro Num Quarto, de Valentin Kataev, para o Teatro Oficina. Na fase nacionalista do TBC encena Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade, grande trunfo artístico da companhia, em 1963. No ano seguinte comanda, para o Teatro Cacilda Becker (TCB), O Preço de um Homem, de Stève Passeur.

Em 1965 cria um de seus mais belos espetáculos: a versão brasileira de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Edward Albee, recebendo o Prêmio Saci de melhor diretor, destacando Cacilda Becker e Walmor Chagas nos desempenhos centrais. Em 1968, para o Teatro Ruth Escobar, dirige a clássica comédia Lisístrata, de Aristófanes, com bom resultado. Afinando suas relações com um teatro menos convencional ocupa-se de duas pequenas produções Um Dia na Morte de Joe Egg, de Peter Nicholson, 1968; e As Moças, de Isabel Câmara, 1969.

Volta à comédia, em 1970, com Black Comedy, de Arthur Laurents; e à vitoriosa direção de Os Rapazes da Banda, de Mart Crowley, reunindo um elenco de primeira linha. Um Equilíbrio Tão Delicado, de Edward Albee, montagem de 1971, reafirma seu talento e sensibilidade no palco. Em 1975 assume a coordenação do Departamento de Teatros da Prefeitura, na gestão de Sábato Magaldi à frente da Secretaria de Cultura. Liga-se à bailarina Célia Gouvêa e ambos, nos anos subseqüentes, realizam diversas montagens de dança. No teatro encena, em 1982, As Malandragens de Scapino, de Molière. Em 1985 assina a direção de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams; apresentando-se igualmente como intérprete no solo A Tigresa e Outras Histórias, de Dario Fo. Após algum tempo de afastamento dirige, em 1997, Beethoven, de Mauro Chaves. Ao longo da carreira desempenha de modo intermitente as funções de repórter de televisão, cenógrafo, coreógrafo e bailarino.

Sobre seu primeiro espetáculo para o TBC, assim registra suas impressões o crítico Décio de Almeida Prado: "[...] A Casa de Chá do Luar de Agosto é a representação mais norte-americana que já vimos feita por atores brasileiros. [...]. Pois foi esse conhecimento artesanal e artístico, esta segurança técnica, que Maurice Vaneau transplantou para o palco da Rua Major Diogo, recriando com absoluto rigor um espetáculo norte-americano, exatamente como o vemos em Nova York, com a mesma maneira de representar, os mesmos gestos, diríamos que as mesmas inflexões, não obstante a diferença de língua. [...] A Casa de Chá não representa, todavia, somente os Estados Unidos: representa também o Japão. [...] Vaneau soube captar, em duas ou três belíssimas cenas, o que há de grave e austero na arte oriental, essa dignidade, essa concentração voluntária sobre si mesmo, dos atores japoneses".1  

Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. 'A Casa de Chá do Luar de Agosto'. In: ______. Teatro em progresso. São Paulo: Martins, 1964. p. 22-26.

Exposições 1

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Eventos relacionados 57

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Fontes de pesquisa 13

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  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986.
  • GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.
  • MAGALDI, Sábato; VARGAS, Maria Thereza. Cem anos de teatro em São Paulo (1875-1974). São Paulo: Senac, 2000.
  • Morre o encenador belga Maurice Vaneau, que dirigiu o Teatro Brasileiro de Comédia. Disponível em: [http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/12/24/327749511.asp]. Acesso em: 26 dez. 2007. O Globo Online
  • PRADO, Décio de Almeida. A Casa de Chá do Luar de Agosto. In: ______. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Allegro Ma Non Troppo - 1975. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - As Malandragens de Scapino - 1982. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Sistema Fabrizzi - 1966. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Os Rapazes da Banda - 1970. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Quem Tem Medo de Virginia Woolf? - 1965. Não catalogado
  • TEATRO ALIANÇA FRANCESA. Belas Figuras: São Paulo, SP, [1983]. Programa do Espetáculo. Não catalogado
  • Teatro de Arena. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 24, out. 1978. Edição especial.

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