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Teatro

Gabriel Villela

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.02.2017
1958 Brasil / Minas Gerais / Carmo do Rio Claro
Antônio Gabriel Santana Villela (Carmo do Rio Claro, Minas Gerais, 1958). Diretor, cenógrafo e figurinista. Um dos talentosos e requisitados diretores que surgem na década de 1990, dotado de uma teatralidade barroca, vigorosa, com frequentes apelos ao imaginário brasileiro.

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Biografia

Antônio Gabriel Santana Villela (Carmo do Rio Claro, Minas Gerais, 1958). Diretor, cenógrafo e figurinista. Um dos talentosos e requisitados diretores que surgem na década de 1990, dotado de uma teatralidade barroca, vigorosa, com frequentes apelos ao imaginário brasileiro.

Após formar-se como diretor teatral pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), estreia, em 1989, com o espetáculo Você Vai Ver o Que Você Vai Ver, de Raymond Queneau (1903-1976), primeira produção do grupo Circo Grafitti. Em seguida, dirige O Concílio do Amor, de Oscar Panizza, uma produção do grupo Boi Voador. Ainda em 1989, cria o espetáculo Relações Perigosas, uma adaptação teatral de Heiner Müller para a obra de Chordellos de Laclos, com atuação da atriz Ruth Escobar (1936).

Com Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu (1990), de Carlos Alberto Soffredini (1939-2001), recebe Apetesp de melhor cenografia e Molière e Shell de melhor diretor, a peça é uma dramatização da célebre canção O Ébrio, de Vicente Celestino. No mesmo ano, cria A Vida É Sonho, de Calderón de la Barca (1600-1681), em que a atriz Regina Duarte (1947) interpreta o príncipe Segismundo.

A partir de 1992, inicia uma profícua relação com o grupo mineiro Galpão, encenando uma adaptação para a rua de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, empreendimento bem-sucedido que culmina em muitas viagens pelo Brasil e Europa, arrebatando diversos prêmios, considerado um marco da década de 1990.

Dirige A Guerra Santa, em 1993, uma versão brasileira de A Divina Comédia realizada por Luís Alberto de Abreu (1952), tendo Beatriz Segall (1933) à frente do elenco e em 1994, A Falecida, de Nelson Rodrigues (1912-1980), com Maria Padilha (1960). No ano seguinte cria, com o Galpão, A Rua da Amargura, texto de Eduardo Garrido que explora os ritos da Semana Santa nos circos-teatros, ganhando os prêmios Molière e Shell de melhor direção. Em 1995, dirige Marieta Severo (1946), no espetáculo A Torre de Babel, de Fernando Arrabal.

Em 1996, dirigindo Renata Sorrah (1947) e Xuxa Lopes (1953), realiza espetáculo a partir do texto Mary Stuart, de Schiller (1759-1805). No mesmo ano, estréia O Mambembe, de Artur Azevedo (1855-1908), uma produção do Teatro Popular do Sesi (TPS), encena Ventania, de Alcides Nogueira (1949), e A Aurora da Minha Vida, de Naum Alves de Souza (1942-2016). E, com os atores do Teatro Castro Alves (1847-1871), na Bahia, cria uma versão multicultural para O Sonho, obra de August Strindberg (1948-1912).

Com atores do núcleo Glória, em 1997, no Rio de Janeiro, encena dois espetáculos polêmicos: Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), e A Vida É Sonho, de Calderón de la Barca.

Em 1999 monta Replay, de Max Miller, e, em 2000, inaugura um série de retomadas da obra do dramaturgo e compositor Chico Buarque (1944), com a montagem de Ópera do Malandro. Em 2001, seguem-se mais duas realizações com texto de Chico Buarque, os musicais Os Saltimbancos e Gota d'Água, uma transposição de Medéia para o universo dos morros cariocas. Em 2002, lança A Ponte e a Água da Piscina, de Alcides Nogueira, onde J. C. Serroni (1950) desenha uma cenografia que sugere um espaço bombardeado, cercado por muros com cacos de vidro.

A encenação de Gabriel para Romeu e Julieta é uma das grandes montagens brasileiras do texto de Shakespeare, como destaca Alberto Guzik (1944-2010): "O mineiro Gabriel Villela mergulhou em suas memórias de infância. Buscou músicas de procissões e serenatas para compor a trilha sonora e encomendou a Luciana Buarque figurinos recriados a partir de velhas roupas de teatro. Usou vários elementos circenses para definir a estética do trabalho. Os atores se apresentam sobre pernas-de-pau ou caminham como se fossem equilibristas sobre a corda bamba. Esse Romeu e Julieta, interpretado com graça e arrebatamento pelo Grupo Galpão, ganha a plena dimensão quando apresentado na rua".1

Notas

1 GUZIK, Alberto. 'Romeu e Julieta', na montagem apaixonante do Grupo Galpão. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 12, 01 fev. 1994.

Espetáculos 90

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Fontes de pesquisa 10

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  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996.
  • GUZIK, Alberto. 'Romeu e Julieta', na montagem apaixonante do Grupo Galpão. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 12-A, 01 fev. 1994.
  • PENNAFORT,Roberta. Cena construída por contrastes.Estadão On Line,2 de junhode 2011.Disponível em: < http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110603/not_imp727394,0.php >. Acesso em: 3 de junho de 2011.
  • PEREIRA, Maria Lúcia. Shakespeare leva um banho de Brasil. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 set. 1992. Caderno 2, capa.
  • PONZIO, Ana Francisca. Villela leva amantes de Verona à Sé. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 jan. 1993. Caderno 2, capa.
  • Programa do Espetáculo - Esperando Godot - 2006.
  • Programa do Espetáculo - Sua Incelença, Ricardo III - Circuito SESC 2012.
  • Programa do Espetáculo Leonce e Lena 2007.
  • RIOS, Jefferson del. Shakespeare ousado e iluminado. O Estado de S. Paulo, São Paulo, p. 2, 25 jan. 1993.
  • ______. Shakespeare nas ruas. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 5, 22 jan. 1993.

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