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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Paulo Francis

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.07.2021
02.09.1930 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
04.02.1997 Estados Unidos / Nova York / Nova York
Registro fotográfico autoria desconhecida

Retrato de Paulo Francis, s.d.
Paulo Francis
Acervo Cedoc/FUNARTE

Franz Paulo Trannin Heilborn (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1930 - Nova York, Estados Unidos, 1997). Crítico e diretor. Um dos críticos mais ferinos do teatro brasileiro, acaba por deixar o teatro em troca do jornalismo, tornando-se um respeitado e polêmico articulista de sua geração.

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Franz Paulo Trannin Heilborn (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1930 - Nova York, Estados Unidos, 1997). Crítico e diretor. Um dos críticos mais ferinos do teatro brasileiro, acaba por deixar o teatro em troca do jornalismo, tornando-se um respeitado e polêmico articulista de sua geração.

Começa a estudar teatro aos 20 anos. Em 1952, entra para o Teatro do Estudante do Brasil (TEB), companhia de Paschoal Carlos Magno (1906-1980), onde participa de três montagens em papéis secundários. No mesmo ano atua também em dois espetáculos fora do TEB, Romeu e Janete, de Jean Anouilh (1910-1987), pelo Teatro da Semana, e Mulher de Craig, de George Kelly, com direção de Henriette Morineau (1908-1990), por Os Artistas Unidos, recebendo prêmio de ator revelação.

Em 1956, é contratado como diretor pelo Teatro Nacional de Comédia (TNC), companhia oficial do Serviço Nacional de Teatro (SNT). A peça escolhida para comemorar o centenário de nascimento do autor Bernard Shaw (1856-1950), O Dilema de um Médico, é mal recebida pelo público e apreciada com frieza pela crítica, pouco interessados nas agruras do meio médico na Inglaterra do início do século XX. Em 1957, Francis dirige um espetáculo que reúne dois textos. Em O Telescópio, de Jorge Andrade (1922-1984), o diretor não consegue criar o clima de realismo em que se passa a vida de uma família em uma fazenda de café, no interior de São Paulo, assolada pela dispersão e pela crise econômica. Sua direção mostra melhores resultados na montagem de Pedro Mico, de Antônio Callado (1917-1997), que conta com cenário de Oscar Niemeyer (1907-2012) para mostrar a vida na favela. Apesar de carregar nas tintas da interpretação e de pintar de preto os atores, Paulo Francis consegue, entretanto, dar dinamismo à encenação, e o espetáculo é um dos raros sucessos de público do TNC.

Em 1957, no mesmo tempo em que encerra sua atuação como diretor com dois espetáculos, Luta Até o Amanhecer, de Ugo Betti, e A Mulher em Três Atos, de Millôr Fernandes (1923-2012), inicia suas atividades como crítico. Durante os seis anos consecutivos em que assina a coluna de teatro do Diário Carioca, Paulo Francis provoca polêmicas e suscita desafetos com seu estilo irônico e provocador.

Depois da crítica teatral, Paulo Francis se estabelece como jornalista e atua como articulista político, editor literário, escritor de ensaios, memórias e ficção. Escreve Opinião Pessoal, 1966; Certezas da Dúvida, 1970; Cabeça de Papel, 1978; Cabeça de Negro, 1979; O Afeto Que Se Encerra, Memórias, 1981; Filhas do Segundo Sexo, 1982; O Brasil no Mundo, uma Análise Política do Autoritarismo desde de Suas Origens, 1985; 1964: Trinta Anos esta Noite - O Que Vi e Vivi, 1994.

Na década de 80, muda-se para Nova York, de onde trabalha para a televisão brasileira como comentarista político e cultural. Nos 90, escreve e comenta sobre a vida da sociedade norte-americana na coluna semanal em O Estado de S. Paulo, Diário da Corte, e participa de Manhattan Connection, programa de debates semanal sobre o assunto na TV a cabo GNT.

Na ocasião de sua morte, escreve o jornalista Luís Nassif: "Havia o jornalista Paulo Francis e o estilo Francis. Graças ao brilho do jornalista, a partir dos anos 80 o estilo Francis tornou-se a grande influência do jornalismo brasileiro. E aí se criou uma situação paradoxal. Em qualquer mídia do mundo, sua irreverência, furor desorganizado, irresponsabilidade brilhante em relação aos fatos, suas fantasias de inventar fontes e situações e de colecionar modismos de maneira desestruturada tornariam-no personagem de destaque. Paulo Francis nasceu para ser maldito e único. O problema é que foi assimilado pelo establishment e passou a ser vários - a multidão de clones que assumiu sua arrogância, sem herdar o brilho"1.

Nota

1. NASSIF, Luís. O Jornalista e o estilo Francis. São Paulo, Folha de S.Paulo, 09 fev. 1997.

Obras 1

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Eventos relacionados 12

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Fontes de pesquisa 5

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  • FRANCIS, Paulo. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil).
  • MOURA, George. Paulo Francis: o soldado fanfarrão, a odisséia intelectual do ator, diretor e crítico de teatro Paulo Francis pelos palcos brasileiros. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996. 189 p.
  • Planilha enviada pela pesquisadora Rosyane Trotta.
  • Programa do Espetáculo - Diário de Um Louco - 1964.

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