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Literatura

Henriqueta Lisboa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.03.2015
15.07.1901 Brasil / Minas Gerais / Lambari
09.10.1985 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Henriqueta Lisboa (Lambari, MG, 1904 - Belo Horizonte, MG, 1985). Poeta, ensaísta, crítica literária e tradutora. Realiza os estudos iniciais na sua cidade natal, onde vive até 1924, ano em que se muda junto com a família para o Rio de Janeiro, onde João Lisboa, seu pai, exerce o cargo de deputado federal. No ano seguinte inicia sua carreira lit...

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Biografia
Henriqueta Lisboa (Lambari, MG, 1904 - Belo Horizonte, MG, 1985). Poeta, ensaísta, crítica literária e tradutora. Realiza os estudos iniciais na sua cidade natal, onde vive até 1924, ano em que se muda junto com a família para o Rio de Janeiro, onde João Lisboa, seu pai, exerce o cargo de deputado federal. No ano seguinte inicia sua carreira literária com a publicação de Fogo Fátuo (1925), coletânea de poemas. Em 1935, fixa residência na cidade de Belo Horizonte. Seu livro de poemas Velário é publicado um ano depois, em 1936. Na década de 1940 mantém correspondência com o romancista e poeta Mário de Andrade (1893-1945), edita mais cinco livros de poesia e inicia sua carreira como professora do ensino superior na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Maria da Universidade Católica de Minas Gerais (posterior PUC/MG), onde leciona literatura brasileira e literatura hispano-americana.

Ao longo da década de 1950 segue publicando coletâneas de poemas regularmente e, na década seguinte, em 1963, torna-se a primeira mulher a ser eleita membro da Academia Mineira de Letras. Publica também ensaios e traduções da obra do poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321). Seu último livro de poemas, Pousada do Ser, é publicado em 1982. Em 1985, após sua morte, inicia-se a publicação da sua obra reunida, sob o título de Poesia Geral.

Comentário crítico
Muitos críticos, entre eles o português João Gaspar Simões (1903-1987), identificam o tema da morte como central na poesia de Henriqueta Lisboa, tendo-a apelidado, inclusive, de “poeta da morte”. A autora, por sua vez, incomoda-se com essa classificação e justifica a presença constante de reflexões sobre esse tema pelo fato de ele estar envolvido com grande parte dos problemas existenciais e metafísicos do homem. Segundo o ensaísta Paschoal Rangel (1922-2012), “[...] por causa dessa constante preocupação metafísica, a morte – talvez a mais filosófica das situações humanas – é uma das marcas mais inapagáveis da poesia de Henriqueta”.

E é possível perceber, ao longo de toda a sua obra, a presença marcante do tema – que, já ao final da sua produção poética, no seu último livro, Pousada do Ser, é descrito pelos seguintes versos, que denotam sua a importância para o pensamento e a arte da poeta: “Porém acima de qualquer assombro/ aquele assombro vindo de antanho/ para atravessar o século/ de ponta a ponta – flecha escusa – e ser/ perene assombro dos mortais/ – a morte”.

Assim como outros autores do segundo período do modernismo, Henriqueta Lisboa envolve-se com o desenvolvimento de uma corrente que se convenciona chamar de neossimbolismo. Esses autores, entre os quais se destacam Cecília Meireles (1901-1964) e Vinicius de Moraes (1913-1980), buscam equilibrar as novidades e a iconoclastia do primeiro grupo modernista com temas caros ao simbolismo, sobretudo de ordem espiritual e metafísica, bem como com a utilização de formas e estilemas do movimento oitocentista, como se percebe na construção recorrente de imagens simbólicas e sinestésicas.

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