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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Renato Gama

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.09.2022
21.09.1975 Brasil / São Paulo / São Paulo
Renato Rodrigues (São Paulo, São Paulo, 1975). Compositor, cantor, violonista, produtor musical, dramaturgo, arte-educador, musicoterapeuta. Movido pela indignação contra o racismo brasileiro, dedica sua obra à reflexão sobre as origens do preconceito contra a população negra e periférica e à exaltação da negritude. É comprometido com a comunida...

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Renato Rodrigues (São Paulo, São Paulo, 1975). Compositor, cantor, violonista, produtor musical, dramaturgo, arte-educador, musicoterapeuta. Movido pela indignação contra o racismo brasileiro, dedica sua obra à reflexão sobre as origens do preconceito contra a população negra e periférica e à exaltação da negritude. É comprometido com a comunidade onde nasceu e cresceu, a Vila Nhocuné, na Zona Leste de São Paulo, onde mantém o estúdio Pele Preta e se empenha no fomento à cultura.

Sua identidade sonora absorve diversas influências relacionadas à diáspora africana: Itamar Assumpção (1949-2003), Jards Macalé (1943), samba, samba-rock, ritmos africanos, rap e soul estão entre as referências que moldam sua personalidade musical. Ao mesmo tempo, bandas de rock internacional como Rolling Stones, Red Hot Chili Peppers e Living Colour também fazem parte de sua formação.

Filho de músico amador, cresce ouvindo o pai tocar músicas de artistas como Benito Di Paula (1941), Tim Maia (1942-1998), Martinho da Vila (1938) e da dupla Antônio Carlos & Jocafi nas festas em casa. Ainda, o pai toca bateria no grupo Os Impossíveis. Renato mora por um curto período com o avô materno, que é músico na Rádio Nacional de Campinas e toca tango no violão. O avô paterno, frequentador de terreiro, o introduz aos ritmos de candomblé. Aprende a tocar violão e bateria com um tio materno. Estuda guitarra em 1989 e a mãe o presenteia, no ano seguinte, com seu primeiro instrumento. Integra uma banda chamada Beth, como guitarrista, e faz o primeiro show da carreira em 1991. 

Forma a banda Nhocuné Soul em 1998. Na mesma época, integra um grupo de samba como violonista. Assiste, então, a um show de Itamar Assumpção e Jards Macalé e a marcante experiência o motiva a criar um novo tipo de som, que não se enquadre em um único rótulo.

Embora o samba seja ainda uma das referências, a sonoridade da banda traz influência de rock, principalmente pelo estilo do guitarrista Luiz Couto. Renato conhece o músico na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde cursa o primeiro ano de letras, em 1995, e a influência que Couto traz do Red Hot Chili Peppers harmoniza com o estilo da Nhocuné Soul. Nesta época, o bairro é uma das regiões mais violentas de São Paulo e Renato acredita que a formação de uma banda com o nome do bairro pode valorizar a autoestima dos moradores.

Sofre discriminação na universidade, experiência determinante para o conteúdo de suas letras. É impedido de entrar na universidade durante um festival de música, pois um segurança não acredita que ele seja aluno por conta da cor de sua pele. A denúncia do racismo, então, torna-se um assunto sempre presente nos versos do compositor.

A Nhocuné Soul lança três discos: Samba rap periférico (2003), Amando e sambando (2008) e Banzo (2012). A sonoridade se apoia no andamento do violão de Renato, muito influenciado pelo estilo de Jorge Ben Jor (1942), na referência ao samba-rock (os backing vocals coletivos remetem aos coros de grupos como Os Originais do Samba e Trio Mocotó) e no tom roqueiro trazido pela guitarra. Algumas das influências são citadas em letras da banda. A canção “A lua e eu” (1976), do soulman Cassiano (1943-2021), é citada em versos da música “Rael” (2008). Já “Devagar, devagarinho” (1995), de Martinho da Vila, é mencionada em “Era mais um gol” (2010). Elementos do rap aparecem no estilo de cantar de Renato e nas intervenções de DJs em algumas bases.

Renato lança o primeiro disco solo, Olhos Negros Vivo, em 2018, em que Itamar Assumpção e samba-rock ainda são referências muito presentes. Em 2016, é convidado para fazer um show no Centro Cultural Penha, em São Paulo. A apresentação é gravada e o artista lança o trabalho em CD. Um selo alemão se interessa em lançar o disco em vinil e convida Renato para uma turnê pela Europa. Em 2019, grava em Berlim outro disco, batizado com o nome da cidade. Berlim, lançado em 2020, apresenta uma sonoridade diferente, mais apoiada na mistura de elementos do jazz com o samba. Em 2021, lança o single “Aquilombar”. A música aponta para uma nova direção, com influência de ritmos africanos, com os quais Renato se envolve mais profundamente ao se relacionar com músicos de Guiné Bissau e da Nigéria, durante as gravações de Berlim.

Como produtor musical e diretor artístico, tem trabalhos com a cantora Izzy Gordon (1963) e com o grupo Pastoras do Rosário da Penha. Envolve-se com teatro em 2002, quando integra o grupo Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes. Escreve a peça A saga do menino diamante, que ganha o Prêmio Shell, em 2010. Renato Gama também se forma em musicoterapia, em 2018, pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e exerce a profissão desde 2020.

Renato Gama tem uma obra musical que combina diversas influências da música negra brasileira e mundial. A estética do samba-rock (no andamento do violão e na mistura de elementos rítmicos do samba e do soul estadunidense) e a inspiração em Itamar Assumpção (no jeito de compor e cantar) são características notáveis em seu trabalho, bem como um espírito antropofágico capaz de absorver informações de diferentes ambientes para criar algo original. O discurso comprometido com a comunidade, na denúncia da violência policial e do racismo e na observação atenta do cotidiano periférico, é a principal marca de suas letras.

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