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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Angelo Bucci

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.04.2019
17.10.1963 Brasil / São Paulo / Orlândia
Angelo Bucci (Orlândia, São Paulo, 1963). Arquiteto, professor e pesquisador. Referência da arquitetura paulista contemporânea, é autor de projetos como A Casa de Fim de Semana, em São Paulo, e o edifício de apartamentos em Lugano, na Suíça. Atua também como professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP)...

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Angelo Bucci (Orlândia, São Paulo, 1963). Arquiteto, professor e pesquisador. Referência da arquitetura paulista contemporânea, é autor de projetos como A Casa de Fim de Semana, em São Paulo, e o edifício de apartamentos em Lugano, na Suíça. Atua também como professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e como professor visitante de centros internacionais renomados, como Harvard, Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Universidade de Veneza.

Em sua arquitetura é possível notar a influência da Escola Paulista Modernista, cuja simplicidade do traço e o emprego da estrutura aparente são diretrizes na elaboração de projetos nas décadas de 1950 a 1970. Com programas de variados portes, desde casas a complexos culturais, Bucci reinterpreta os valores estéticos da primeira geração de arquitetos paulistas, protagonizada por Lina Bo Bardi (1914-1992), Paulo Mendes da Rocha (1928) e Vilanova Artigas (1915-1985). Este, um dos fundadores da FAU/USP, em 1948.

Gradua-se como arquiteto em 1987 pela Universidade de São Paulo. Neste mesmo ano, começa a trabalhar no Escritório Aflalo Gasperini e, em seguida, com o arquiteto Marcello Fragelli (1928-2014). Com os arquitetos Álvaro Puntoni (1965) e Álvaro Razuk, funda o escritório Arquitetura Paulista (1989-1992). Torna-se professor da Faculdade de Arquitetura de Taubaté em 1990 e, desde então, mantém atividade paralela como docente em diferentes centros de pesquisa e universidades.

Neste período, vence o Concurso do Pavilhão do Brasil para a Expo'92 em Sevilha1. O projeto chama a atenção da crítica internacional, que o identifica como um manifesto da arquitetura paulista por enaltecer a cultura arquitetônica brasileira com soluções técnicas e construtivas. Em 1994, realiza o projeto da clínica de psicologia em Orlândia2.

Com os arquitetos Milton Braga, Fernando de Mello Franco e Marta Moreira, em 1996, funda o escritório MMBB. Datam desse período, os projetos do estacionamento subterrâneo do Trianon, que recebe o prêmio ex-aequo da 4a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, a reforma da Casa Baeta de Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi (1818-2010) e a Casa de Ribeirão Preto. Nesta última, o método utilizado por Bucci é assim descrito por Fernando Serapião:

“A estratégia ‘meio caverna, meio nave’ está presente: a relação com a topografia é evidente nos três volumes artificiais que fazem a mediação entre o térreo e a casa elevada. Equilibrada por quatro pilares, ela possui estrutura sobre a cobertura, que a apoia e segura o piso com tirantes. ‘É como se estivesse de cabeça para baixo’, conta o arquiteto…"3.

Bucci compara essa solução estrutural de "pendurar" a laje da casa com o projeto do Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro (MAM/RJ), do arquiteto modernista Affonso Eduardo Reidy (1909-1964)4. A linguagem arquitetônica de Angelo ultrapassa as referências paulistas e remete ainda à arquitetura da escola carioca de Oscar Niemeyer (1907-2012) e ao arquiteto suíço Le Corbusier (1887-1965), salienta Otavio Leonídio [5].

O caráter experimental de sua arquitetura é chave no entendimento de suas obras. A estratégia "meio caverna, meio nave" é uma característica que permeia seu pensamento arquitetônico e pode ser melhor compreendida no livro São Paulo, Razões de Arquitetura: da Dissolução dos Edifícios e de Como Atravessar as Paredes6. Resultado da tese de doutorado defendida em 2005, o livro é publicado no Brasil em 2010 e pela Universidade de Columbia, EUA, em 2015, com participação do arquiteto inglês Kenneth Frampton (1930). 

Nele, recorrendo a filósofos, historiadores e arquitetos como o alemão Walter Benjamin (1892-1940), Milton Santos e Rino Levi (1901-1965), Bucci discorre sobre o exercício do arquiteto: atividade em constante transformação, que encontra suas respostas no diálogo com a cidade. Utiliza São Paulo como exemplo. A violência latente cidade é representada por suas paredes, que não devem ser vistas pelo arquiteto como limite, defende Bucci, mas devem ser atravessadas e dissolvidas. 

Obtém o título de mestre pela FAU/USP em 1998, começa a lecionar na mesma Universidade em 2001 e afasta-se do MMBB em 2002. No ano seguinte, funda seu próprio escritório, o SPBR, com apoio do arquiteto Álvaro Puntoni. Como pequeno escritório que se propõe a "explorar o campo de um possível ainda não realizado"7, o SPBR tem se destacado na crítica do Brasil e do mundo.

Datam deste período os projetos da Midiateca da Pontifícia Universidade Católica, no Rio de Janeiro (PUC/RJ) – ganhador do primeiro prêmio no concurso – e a Casa de Fim de Semana, em São Paulo. A última, localizada na região central paulista, subverte o conceito de casa convencional. Em vez de se dedicar principalmente à morada, seus espaços proeminentes são a piscina e o jardim. A piscina eleva-se a seis metros de altura com uma leveza estrutural que o pesquisador Rafael Urano compara às obras de Artigas, de Paulo Mendes ou de Marcos Acayaba (1944)8.

Em 2005, Bucci inicia a atividade como professor visitante de universidades internacionais. Em 2011, torna-se membro honorário do American Institute of Architects (AIA) em Washington. Seu reconhecimento se estende durante a última década, período em que o SPBR recebe seguidas premiações e publicações.

A eloquência do pensamento arquitetônico singular de Angelo Bucci somada ao engajamento como docente e pesquisador, entre o Brasil e o exterior, reiteram sua importância no cenário arquitetônico e acadêmico mundial.

Notas

1. GRUPO SP. Pavilhão do Brasil na Expo'92. Site oficial do escritório. São Paulo. Disponível em: < http://www.gruposp.arq.br/?p=10 >. Acesso em: 20 out. 2018.

2. BUCCI, Angelo; MEIRELLES, João Paulo. Entrevista realizada por Francesco Perrota-Bosch, Gabriel Kozlowski, Mariana Meneguetti, Valmir Azevedo. Entre-entre, São Paulo, 27 nov. 2009. Disponível em: < http://entre-entre.com/Content/entrevistas/pdf/entre-spbr-20160330175954.pdf >. Acesso em: 15 out. 2018. 

3. SERAPIÃO, Fernando. O equilibrista. Monolito, São Paulo, n.1, pp. 10-19., fev. 2011. 

4. SERAPIÃO, Fernando. SPBR Arquitetos: Residência, Ubatuba, SP, São Paulo. Projeto Design, São Paulo, n. 364. Disponível em: < https://arcoweb.com.br/projetodesign/arquitetura/spbr-arquitetos-residencia-ubatuba-18-08-2010 >. Acesso em: 10 out. 2018.

5. LEONÍDIO, Otávio. Espaço de risco. Monolito, São Paulo, n.1, pp 30-35, fev. 2011. 

6. BUCCI, Angelo. São Paulo, razões de arquitetura. Da dissolução dos edifícios e de como atravessar paredes. São Paulo: Romano Guerra, 2010. 6 v. (RG Bolso). 

7. SPBR. Sobre. Site oficial do escritório. São Paulo. Disponível em:< http://www.spbr.arq.br/sobre/ >. Acesso em: 15 out. 2018.

8. FRAJNDLICH, Rafael Urano. Angelo Bucci subverte os espaços residenciais nesta casa de fim de semana, em São Paulo. aU, São Paulo, n. 240, fev. 2014.. Disponível em:  . Acesso em: 20 out. 2018.

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