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Cinema

Abílio Pereira de Almeida

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.03.2017
26.02.1906 Brasil / São Paulo / São Paulo
10.05.1977 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Fredi Kleemann

Abílio Pereira de Almeida
Fredi Kleemann, Abílio Pereira de Almeida
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Abílio Pereira de Almeida (São Paulo SP 1906 - idem 1977). Autor e produtor. Dramaturgo identificado com a alta burguesia paulistana, classe que retrata em tom satírico na maioria de suas criações de comédia de costumes. É o autor nacional mais montado pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

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Biografia

Abílio Pereira de Almeida (São Paulo SP 1906 - idem 1977). Autor e produtor. Dramaturgo identificado com a alta burguesia paulistana, classe que retrata em tom satírico na maioria de suas criações de comédia de costumes. É o autor nacional mais montado pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Formado em direito pela Universidade de São Paulo, USP, participa como ator de montagens beneficentes de Alfredo Mesquita. Freqüentador da Livraria Jaraguá, é um dos fundadores do Grupo de Teatro Experimental (GTE), comandado por Mesquita, em 1943. Com essa equipe monta seu primeiro texto, Pif-Paf, em 1946, acumulando as funções de autor, diretor e ator. Essa experiência repete-se em 1948, na inauguração do TBC, com a montagem de seu texto A Mulher do Próximo. Como a anterior, essa peça enfoca os problemas do jogo e a desagregação dos costumes na alta burguesia.

A partir de 1949 toma parte ativa na organização do TBC, como diretor secretário e, igualmente, na companhia cinematográfica Vera Cruz, outra iniciativa sob os auspícios do empresário Franco Zampari. Isso talvez explique porque ele tenha sido o autor nacional mais presente no repertório da companhia da Rua Major Diogo, responsável por alguns dos êxitos econômicos da empresa. Entre essas criações destacam-se Paiol Velho, com direção de Ziembinski, em 1951; Santa Marta Fabril S. A., dirigido por Adolfo Celi, em 1955; e Rua São Luís, 27 - 8º Andar, em 1957. Na primeira, é enfocada a incapacidade da elite agrária em administrar seus bens; na segunda, a crise que acomete a "geração de 1932" frente às novas coordenadas político-sociais; e, na terceira - cujo título é o endereço de uma garçonnière - a velha e a nova geração encontram na dissipação dos costumes motivo para entreter suas vidas esvaziadas de sentido.

Abílio escreve a maior parte de suas criações para fora do TBC. Moral em Concordata, cujo tema do adultério e da dissipação de costumes volta a reinar; é levada com sucesso em 1956 pelo Teatro Maria Della Costa (TMDC), com produção de Sandro Polloni. Em O Comício, de 1955, pela Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, o autor lança-se sobre a corrupta vida de um candidato. Alô...36-5499, um pesado dramalhão, é montagem de Antunes Filho para o Pequeno Teatro de Comédia, em 1958. A peça tem montagem de grande sucesso na Argentina, onde recebe o nome de Deliciosamente Amoral.

Para a companhia de Dercy Gonçalves escreve duas encomendas: Dona Violante Miranda, em 1958, e Os Marginalizados, em 1971. Seu texto Em Moeda Corrente do País, um dos poucos dramas, é levado à cena com sucesso pelo Teatro Cacilda Becker (TCB), em 1960, centrado sobre a corrupção que atinge um funcionário público.

Com produção do próprio autor são encenados: O Bezerro de Ouro, em 1961; Círculo de Champagne, em 1964; Licor de Maracujá, em 1966; Clube da Fossa, em 1968; e o espetáculo para o público infantil Independência ou Morte, em 1972.

Ele deixa inédito Os Donos da Verdade, uma crítica ao "poder jovem" que emerge em 1968 e um inacabado livro de memórias, denominado Confissões de Um Anjo de Guarda.

Segundo observações do crítico Yan Michalski, Abílio é um "autor polêmico, geralmente combatido pela crítica e bem-sucedido na bilheteria. Abílio escrevia quase sempre sobre a burguesia paulistana, da qual era um ilustre representante. Sua familiaridade com a sua própria classe social é um elemento-chave das suas comédias, sob forma de observações críticas pertinentes, pitorescas e comunicativas, mas prejudicadas por um forçado espírito de moralismo, e visando em geral - e freqüentemente com sucesso - a uma repercussão de escândalo, o que condenava a sua dramaturgia a uma evidente superficialidade. Por outro lado, o alcance eminentemente local da sua temática fez com que a maioria das suas peças fosse montada e consumida exclusivamente em São Paulo. Mas Paiol Velho - que teve uma versão cinematográfica intitulada Terra é Sempre Terra e Santa Marta Fabril S. A. - que já nos anos 80 serviu de base a uma minissérie de televisão - contêm qualidades que, se tivessem sido cultivadas e exploradas mais a fundo, poderiam ter conduzido o inegável instinto teatral do autor a resultados de uma dimensão que a sua dramaturgia, apesar da sua momentânea popularidade, não conseguiu alcançar".1

Notas

1 MICHALSKI, Yan. Abílio Pereira de Almeida. In: __________. PEQUENA Enciclopédia do teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Obras 2

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Exposições 2

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Eventos relacionados 55

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Fontes de pesquisa 11

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  • ALMEIDA, Abílio Pereira. Depoimento. In: DEPOIMENTOS IV. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1977.
  • DA antropofagia a Brasília: Brasil 1920- 1950. São Paulo: FAAP : Cosac & Naif, 2002. 637 p., il. color. Pesquisar
  • DYONISOS, nº 25, Rio de Janeiro, SNT-MEC-DAC-FUNARTE, setembro de 1980.
  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986.
  • O Estado de S. Paulo. 10/05/2003, Caderno 2, p. D3. Não catalogada
  • PRADO, Décio de Almeida. Apresentação do Moderno Teatro Brasileiro. São Paulo. Editora Perspectiva: 1996.
  • PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Classe Média Televisão Quebrada - 1978. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Homem Elefante - 1981. Não catalogado
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. R791.430981 E56

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