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Cinema

Jota Soares

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.06.2017
1906 Brasil / Sergipe / Propriá
1988 Brasil / Pernambuco / Recife
José da Silva Soares Filho (Propriá, Sergipe, 1906 - Recife, Pernambuco, 1988). Ator, cineasta, argumentista, roteirista, cronista e radialista. Filho de José Soares da Silva, comerciante e dono do cinema Guarani, um dos primeiros de Propriá. Aos 13 anos parte para Aracaju, onde realiza os estudos secundários. Nesse período, tem aulas de teatro ...

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Biografia

José da Silva Soares Filho (Propriá, Sergipe, 1906 - Recife, Pernambuco, 1988). Ator, cineasta, argumentista, roteirista, cronista e radialista. Filho de José Soares da Silva, comerciante e dono do cinema Guarani, um dos primeiros de Propriá. Aos 13 anos parte para Aracaju, onde realiza os estudos secundários. Nesse período, tem aulas de teatro e canto.

Após a falência do pai, em 1919, trabalha como operário em uma fábrica de chocolates na Bahia. Em fins de 1922, muda-se para Recife e colabora como músico no Bloco de Voluntários do Exército. Como soldado, tem uma breve passagem pelo Rio de Janeiro, mas retorna a Recife e ingressa em uma companhia de circo. Em 1924, procura Edson Chagas (1901-1958) e Gentil Roiz (1899-1975), fundadores da Aurora-Film, e trabalha no longa Retribuição (1924), de Roiz, que marca o início da produção do chamado ciclo do Recife. Paralelamente ao trabalho na produtora, é músico em blocos e cabarés da cidade.

Participa como ator nas produções seguintes da Aurora-Film: Um Ato de Humanidade (1925), Aitaré da Praia (1925) e Jurando Vingar (1925), todos de Gentil Roiz; bem como em Herói do Século XX (1926), dirigido por Ary Severo (1903-1994). Estreia como diretor em A Filha do Advogado (1926), inicialmente dirigido por Ary Severo, que deixa a equipe devido a conflitos com Edson Chagas. Em seguida, dirige Sangue de Irmão (1927), único filme de enredo da Goyanna-Film, e a segunda versão de Aitaré da Praia, ao lado de Ary Severo e Luiz Maranhão, pela Liberdade-Film. Na década seguinte, assina a direção, juntamente com Maranhão, do último filme do ciclo do Recife, No Cenário da Vida (1930). Escreve o projeto do longa A Feiticeira da Rua da Moeda (1930), mas não chega a realizá-lo.

Com o fim do ciclo, em 1931, volta a trabalhar no comércio. Em 1944 escreve, em parceria com Pedro Salgado Filho, a monografia História da Cinematografia Pernambucana e colabora na fundação do Museu-Cinema, em Recife, que se dedica à exibição de filmes antigos. Entre 1953 e 1960 trabalha como radialista, destacando-se com o programa Epopeia do Cinema, da Rádio Tamandaré. É também locutor de lutas de boxe e de jogos de futebol pelas rádios Clube, Capibaribe e Olinda. Na década de 1960, publica Relembrando o Cinema Pernambucano, série de 59 crônicas sobre o ciclo do Recife, no Diário de Pernambuco.

Análise

Jota Soares torna-se a grande personalidade do ciclo do Recife devido, sobretudo, ao seu esforço e dedicação em divulgar a experiência do ciclo regional de cinema mais produtivo do país, que resulta na realização de 13 filmes de ficção.

Para Lucilla Bernardet, pioneira nas pesquisas sobre o ciclo, os enredos tratam geralmente de temas como relações amorosas, propriedade, moral e honra, apresentando personagens maniqueístas, que buscam o amor ou um tesouro. Seja nos dramas urbanos ou nas aventuras rurais, os esquemas dramáticos e narrativos são simples. A inspiração no cinema americano é constante, principalmente nos primeiros filmes do movimento, mas há sempre uma reinvenção baseada em temas e condições locais.

Um Ato de Humanidade, filme desaparecido cuja base para a pesquisa é realizada por meio de documentações de acervos especializados, é o segundo filme de enredo do ciclo do Recife. Apresenta a estreia de Jota Soares como ator, interpretando um rapaz sifilítico à espera de sua amada. Graças a um remédio milagroso, ele se cura da doença, conquista a bela jovem e ascende socialmente. Em A Filha do Advogado, único longa cuja cópia sobreviveu até os dias atuais, a direção e o papel principal são de Jota Soares. Esse melodrama é considerado uma das obras mais ambiciosas da Aurora-Film, sendo exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em contraposição às produções anteriores, o longa destaca o cenário urbano recifense, a exuberância da alta sociedade e suas contradições morais. Esse tipo de enredo e produção é retomado em No Cenário da Vida, cujas cenas de cabaré são sonorizadas por Jota Soares diretamente da cabine, num momento em que o cinema sonoro conquista os espectadores.

As crônicas publicadas entre dezembro de 1962 e fevereiro de 1964 no Diário de Pernambuco são marcadas por um tom subjetivo que confere ao autor o status de guardião da memória do movimento. Em seu discurso, segundo a pesquisadora Regina Behar, há uma intencionalidade em marcar o lugar do cinema pernambucano no movimento da cinematografia nacional, além de exaltar, entre outros aspectos, o orgulho regional, o heroísmo, o sacrifício e o pioneirismo daquele grupo de jovens que decide fazer cinema com escassos recursos técnicos e econômicos. Seus depoimentos e as informações de seu arquivo pessoal direcionam as representações e os discursos presentes na historiografia do tema até os dias de hoje.

Obras 1

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Exposições 2

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Fontes de pesquisa 6

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  • BEHAR, Regina Maria Rodrigues. Caçadores de Imagem: cinema e memória em Pernambuco. Tese de doutorado. São Paulo: ECA/USP, 2002.
  • BERNARDET, Lucilla Ribeiro. O Cinema Pernambucano de 1922 a 1931: primeira abordagem. São Paulo: Mimeo, 1970.
  • CUNHA FILHO, Paulo C. (org.) Relembrando o cinema pernambucano: dos arquivos de Jota Soares. Recife: Fundação Joaquim Nabuco: Editora Massangana, 2006. 115 p.
  • DUARTE, Eduardo. A estética do ciclo do Recife. Recife: Editora da UFPE, 1995. 49 p.
  • RAÚJO, Luciana Correâ de. O cinema silencioso pernambucano e suas histórias. Disponível em < http://www.mnemocine.art.br >. Acesso em: 10 mai. 2012.
  • SOARES, Jota. Subsídios para uma história do cinema em Pernambuco. Notícias de Pernambuco, n. 3, p. 32-38, abr. 1953.

Como citar

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