Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Marco Antonio Rodrigues

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.04.2017
23.08.1955 Brasil / São Paulo / São Paulo
Marco Antonio Rodrigues (Santos, São Paulo, 1955). Diretor. Artista identificado com um teatro de cunho popular e brechtiano, um dos fundadores do grupo Folias d´Arte e do teatro Galpão do Folias.

Texto

Abrir módulo

Biografia

Marco Antonio Rodrigues (Santos, São Paulo, 1955). Diretor. Artista identificado com um teatro de cunho popular e brechtiano, um dos fundadores do grupo Folias d´Arte e do teatro Galpão do Folias.

Após se formar em psicologia em Santos, onde se inicia no teatro amador, estréia profissionalmente em São Paulo com a direção de O Menino Maluquinho, infantil de Ziraldo, em 1984; de quem encena, nos anos subseqüentes, O Menino Mais Bonito do Mundo e O Pequeno Planeta Perdido.

Em 1988, põe em cena História de Dois Amores, baseado em Carlos Drummond de Andrade. Como professor e encenador no Teatro Escola Célia Helena, conduz uma série de espetáculos didáticos bem-sucedidos, com destaque para Boca de Ouro e Rasto Atrás, em 1991; Os Últimos Dias de Solidão de Robinson Crusoe, de Jérôme Savary, em 1992; Senhora dos Afogados, em 1998; Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, em 2002.

Em 1991, ganha o Prêmio Molière na categoria especial de melhor direção por Enq, o Gnomo, de Marcos de Abreu.

No teatro adulto ganha destaque com a encenação de Um Uísque para o Rei Saul, de César Vieira (1931), em 1993, seguida, no ano posterior, de Ressuscita-me, de Rodolfo Santana. Com Verás Que Tudo é Mentira, obra de Théophile Gauthier adaptada por Reinaldo Maia, alcança expressivos resultados que chamam a atenção da crítica.

Em 1996, obtém adesão de público e boa repercussão, e recebe o Prêmio Mambembe de direção com a montagem de Cantos Peregrinos, obra musical de José Antônio de Souza que une personagens bíblicos num bem-humorado tom farsesco. Sua encenação para a obra de Plínio Marcos (1935 - 1999) O Assassinato do Anão do Caralho Grande alcança sucesso e notoriedade, e também o Prêmio Mambembe de melhor direção, em 1997.

Em 1998 funda, com outros artistas, o grupo Folias d'Arte, um novo ponto de referência na geografia cultural da cidade, com a aberta intenção de um teatro popular de matriz brechtiana. A primeira montagem é Folias Fellinianas, uma colagem de textos de Reinado Maia. Em 1999, obtém sucesso junto ao público jovem com Missa Leiga, texto de Chico de Assis (1942).

Com o grupo Folias encena, em 2000, o musical Surabaya Johnny, um cabaré lítero-musical em torno das canções extraídas da obra de Bertolt Brecht.

Em 2001, está à frente de uma realização cheia de méritos: o texto de Michael Frayn Copenhagen, árdua discussão entre dois físicos nucleares às vésperas do encerramento da Segunda Guerra Mundial, quando se prepara a explosão da bomba atômica. No mesmo ano, novamente com o Folias, encena Babilônia, de Reinaldo Maia, enfocando a vida dos despossuídos nas regiões periféricas do planeta. Em 2002, dirige o ator Francarlos Reis no espetáculo-solo À Putanesca, reunião de textos curtos de jovens dramaturgos paulistas.

Na avaliação da crítica Mariangela Alves de Lima (1947) sobre Copenhagen: "O espetáculo é dirigido por Marco Antonio Rodrigues com a simplicidade e a energia de uma contenda de idéias. Não há quase atrativos de outra ordem e pode-se dizer que a única liberdade cênica do espetáculo consiste em estilizar e poetizar a declaração de amor que a personagem Werner Heisenberg faz à sua terra natal. Mais do que um nacionalista, Heinsenberg professa um afeto nativista pelo lugar onde nasceu. É a única concessão do espetáculo ao sentimentalismo e funciona bem porque permite entrever sob os argumentos o fundo irracional sobre os qual os regimes totalitários erigem o mito do nacionalismo. As interpretações de Oswaldo Mendes no papel de Niels Bohr e Carlos Palma (Werner Heisenberg) são pautadas por uma clareza de inspiração brechtiana. Dirigem-se ao público, articulam bem os argumentos, marcam as diferenças temporais e concentram a paixão sobre o mecanismo do debate e não sobre abstrações mensuráveis. Teatro de idéias, parte do Projeto Arte e Ciência no Palco, o espetáculo atinge o alvo porque abre uma discussão e não porque põe um ponto final no debate".1

Notas

1. LIMA, Mariangela Alves de. Responsabilidade moral da ciência em questão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 1 jun. 2001. Caderno 2, p. 3.

Espetáculos 53

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 14

Abrir módulo
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • COMPANHIA TEATRAL AS GRAÇAS. Site oficial do grupo. Disponivel em e . Acessado em: 19 maio 2011. Espetáculo: Noite de Reis - 2006. Não catalogado
  • GALPÃO DO FOLIAS. Babilônia: 11 out. a 16 dez. 2001, São Paulo, SP, 2001. Programa do Espetáculo. Não catalogado
  • LIMA, Mariangela Alves de. Responsabilidade moral da ciência em questão. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 1 jun. 2001. Caderno 2, p. 3.
  • Programa do Espetáculo - A Coleira de Bóris - 2008. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Blasted - 2004. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Copenhagen - 2001. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - El Dia Que Me Quieras - 2005. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Ensaio sobre a Cegueira - 2002. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Assassinato do Anão do Caralho Grande - 1998. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Os Azeredo Mais os Benevides - 2000. Não Catalogado
  • RODRIGUES, Marco Antonio. Currículo enviado pelo artista.
  • SANTOS, Valmir. Peça inspira discussão fora do palco. Folha de S.Paulo, São Paulo, 9 abr. 2001. Ilustrada, p. E4.
  • ______. Copenhagen exibe semideuses humanos. Folha de S.Paulo, São Paulo, 6 abr. 2001. Ilustrada, p. E12.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: