Artigo da seção pessoas Lidia Kosovski

Lidia Kosovski

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deLidia Kosovski: 1956 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Lidia Kosovski (Rio de Janeiro RJ 1956). Cenógrafa e figurinista. Seu trabalho é notadamente marcado pela elegância no uso de diversos dispositivos e objetos cênicos singulares que, a partir da ação dramática, ganham significação teatral.

Forma-se em arquitetura e urbanismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, em 1979. Em 1981, assina com Sergio Silveira a cenografia de Flicts, de Ziraldo, e no ano seguinte trabalha em A Loja das Maravilhas Naturais, de Benjamim Santos, direção de Buza Ferraz, recebendo o Prêmio Mambembe por dois anos consecutivos - pelo cenário do primeiro espetáculo e pelos figurinos do segundo. Ainda em 1982, faz o cenário de A Fada que Tinha Idéias, de Fernanda Lopes de Almeida, concepção de Eduardo Tolentino de Araújo, com o Grupo TAPA, e Te Amo Amazônia, de Paulo César Coutinho. Seguem-se os cenários e figurinos de Cantares em Desafino, de Eugênio Santos, 1983, Ubu Rei, de Alfred Jarry, 1984, e O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, 1985, ambos dirigidos por Ricardo Kosovski, e O Rei Mago, de Thiago Santiago, 1986. Em 1988, recebe novo Prêmio Mambembe pelos cenários de Um Peixe Fora d'Água, de Sura Berditchevsky, com quem volta a trabalhar em 1990, em Peter Pan, de J. M. Barrie. Nesse período, cria também os cenários de Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor (1940), A Infância, de Thornton Wilder, e A Pipa, de Paulinho Tapajós, direção de Karen Acioly, em 1988; O Inimigo da Classe, de Nigel Williams, direção de Renato Icarahy, e Dois Idiotas Sentados Cada Qual em Seu Barril, de Dudu Sandroni e Fátima Valença, em 1989; Bodas de Sangue, de Federico García Lorca, 1990.

Em 1991, faz o cenário de As Alegres Mulheres de Windsor, de William Shakespeare, construindo um pequeno teatro em formato elisabetano dentro do palco do Teatro Glaucio Gill. No mesmo ano, conclui o mestrado na Escola de Comunicação da UFRJ com a dissertação Teatro e encenação: um olhar sobre o palco, sobre a evolução do espaço cênico no Ocidente, tema que retoma em sua tese de doutorado, concluído na mesma faculdade. Em 1993, concebe a cenografia de seis espetáculos: Amor de Quatro, de Douglas Carter Beane, Os Dois Cavaleiros de Verona, de William Shakespeare, ambos em parceria com Ney Madeira, Lamartine Babo II, de Antonio De Bonis, My Sweet Charity, de Bob Fosse, e Pianíssimo, de Tim Rescala, para o qual constrói um imenso piano cenográfico, onde se desenrola grande parte da ação. Por seu trabalho em Calendas de Primavera, de Marcia DuValle, recebe o Prêmio Coca-Cola de cenografia, e merece da crítica Lúcia Cerrone o comentário: "De grande impacto, os cenários de Lidia Kosovsky reproduzem uma feira medieval com todas as suas delícias. A imensa caixa teatral, para a encenação final do Auto do Carramanchão, é cheia de detalhes. Fechada a maior parte do tempo, ela acaba, quando usada, por se revelar um achado de criatividade".1

Seguem-se A Tragédia de Otelo, de William Shakespeare, Pirandello Nunca Mais, de Ricardo Hofstetter, Os Amantes do Metrô, de Jean Tardieu, A Cada Vez Que Se Conta Dele, de Bruno Lara Resende, Rei Lear, de William Shakespeare, A Cor Del'Arte, de Tomas Bakk, todos em 1994; Pixinguinha, de Fátima Valença, direção de Amir Haddad, e O Samba Valente de Assis, de Zé Trindade Neto, ambos em 1995; Cabaret la Boop, de Léo Jaime e Mig, Decote, criação coletiva da Companhia Atores de Laura, Tragédias Cariocas para Rir, coletânea de contos brasileiros pelo Núcleo Carioca de Teatro, direção de Luiz Arthur Nunes, Elvis, de Flavio Marinho, Os Impagáveis, de Tereza Frota, todos em 1996; Feitiço da Vila, de Andréia Fernandes, e Orquestra dos Sonhos, ópera de Tim Rescala, 1997. No mesmo ano, recebe o Prêmio Shell pela criação do cenário de O Malfeitor, de Rosyane Trotta, construindo, para a história do pescador condenado pela justiça por roubar porcas de uma ferrovia, trilhos por sobre os quais a mesa do delegado desliza pelo palco de uma cena para outra. Em 1998,  recebe o Prêmio Coca-Cola pelo cenário de Encantos, também de Rosyane Trotta, e assina ainda Chico Viola, texto e direção de Luiz Arthur Nunes, e O Julgamento, de Daniel Herz. Em 1999, trabalha em Carmem, de Augusto Boal, Celso Branco e Marcos Leite, concepção de Augusto Boal, O Momento de Mariana Martins, de Leilah Assumpção, Dolores, de Douglas Dwight e Fátima Valença, direção de Antonio De Bonis, e Um Gosto de Mel, de Shelagh Delaney. Em 2000, realiza o cenário de O Avarento, de Molière, comentado pelo crítico Macksen Luiz: "O cenário de Lídia Kosovski, de bom efeito e sólida concepção, permite que o diretor utilize, pelo abrir e fechar de cortinas, a idéia de revelações e encobrimentos, numa constante e sutil espreita cênica".2

Ainda em 2000, assina a cenografia de A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, dirigida por André Heller. Em 2002 faz o cenário de Elis, a Estrela do Brasil, de Douglas Dwight e Fátima Valença, dirigido por Diogo Vilela. No ano de 2003 assina os seguintes cenários: Clip-se, da Companhia Étnica de Dança, dirigida por Carmem Luz, O Anjo Negro, ópera de Nelson Rodrigues e J. Guilherme Ripper, direção de André Heller.

É responsável pelos cenários e figurinos dos espetáculos Leonce e Lena, de Georg Büchner, direção de Ricardo Kosovski e O Alfaiate do Rei, texto inédito de Maria Clara Machado, com direção de Cacá Mourthé, em 2004. No mesmo ano faz o cenário dos espetáculos Onde Canta o Sabiá, de Gastão Tojeiro, com direção de Antonio De Bonis e A Tempestade, de William Shakespeare, dirigida por Luiz Arthur Nunes.

Em cinema, assina os figurinos dos longas Vai Trabalhar Vagabundo II, de Hugo Carvana, e Meus Queridos Estranhos, de Maria Adelaide Amaral, com Daniel Filho e Suely Franco no elenco.

Durante o ano de 2001, é Diretora de Artes Cênicas da RioArte e, desde 1996, é professora de cenografia na Escola de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro, Uni-Rio.

Lidia Kosovski desenvolve também projetos de arquitetura teatral e trabalhos de criação e montagem de exposições em museus e instituições culturais.

Notas

1. CERRONE, Lúcia. Um alegre passeio ao século 13. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 nov. 1993.

2. LUIZ, Macksen. Vibração permanente. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 jun. 2000.

Outras informações de Lidia Kosovski:

  • Outros nomes
    • Lidia Kosovski
  • Habilidades
    • Cenógrafo
    • figurinista

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Fontes de pesquisa (5)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Lidia Kosovski. (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • CERRONE, Lúcia. Impacto da magia. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 jun. 1993.
  • KOSOVSKI, Lídia. Currículum enviado pela cenógrafa.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Rosyane Trotta Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Decote - 2003 Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LIDIA Kosovski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa350863/lidia-kosovski>. Acesso em: 24 de Ago. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7