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Teatro

Flaminio Bollini

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.06.2017
29.01.1924 Itália / Lombardia / Milão
11.12.1978 Itália / Lazio / Roma
Flaminio Bollini Cerri (Milão, Itália, 1924 - Roma, Itália, 1978). Diretor. Jovem encenador chamado da Itália para dirigir no Teatro Brasileiro de Comédia. No breve período em que está no Brasil dirige um número pequeno de montagens, a maioria com intensa representatividade. Responsável por A Alma Boa de Set-Suan, primeira encenação profissional...

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Biografia

Flaminio Bollini Cerri (Milão, Itália, 1924 - Roma, Itália, 1978). Diretor. Jovem encenador chamado da Itália para dirigir no Teatro Brasileiro de Comédia. No breve período em que está no Brasil dirige um número pequeno de montagens, a maioria com intensa representatividade. Responsável por A Alma Boa de Set-Suan, primeira encenação profissional de Bertolt Brecht, no Brasil, pelo Teatro Maria Della Costa.

Recém-formado pela Regia Accademia di Arti Drammatica di Roma, dirigida por Silvio D'Amico, Bollini faz assistência de direção para Luchino Visconti e Giorgio Strehler, estreando em 1950 como diretor com A Guerra de Tróia Não Acontecerá, de Giraudoux.

Aos 23 anos, já se encontra em São Paulo, para assumir o posto de um dos diretores do TBC, encenando Ralé, a peça máxima de Gorki, com um material humano de primeira linha: a tradução é de Brutus Pedreira e Eugênio Kusnet (1898-1975), cenografia e figurinos de Tulio Costa, e no elenco destacam-se Carlos Vergueiro, Maria Della Costa (1926-2015), Elizabeth Henreid, Paulo Autran (1922-2007), Luiz Linhares, Sergio Cardoso (1925-1973), Cleyde Yáconis (1923-2013), Ziembinski (1908-1978), entre outros. O diretor utiliza-se de técnicas interpretativas possivelmente originadas no Actor's Studio, releitura norte-americana de Lee Strasberg para o método de Stanislavski, causando estranheza e alvoroço junto ao elenco, acostumado ao estilo cerebral de Adolfo Celi (1922-1986). Com Bollini, os artistas experimentam agora as possibilidades da composição física e do improviso criativo baseado nas associações livres para a criação das personagens. A excelente montagem chama a atenção na temporada de 1951, impressionando crítica e público, e servindo como cartão de visitas do trabalho do diretor, como destaca o crítico Décio de Almeida Prado (1917-2000): "(...) A direção de Flaminio Bollini aproveitou-se, aliás, de forma exemplar dessa riqueza de segundos e terceiros planos, fazendo a ação serpentear com grande engenhosidade por todos os meandros daquele quase labirinto, eclipsando-se aqui para ressurgir logo adiante, num ritmo que marca com absoluta segurança os momentos de expansão e de retração do enredo. (...) E assim, a partir da movimentação dos atores, vai sendo criada plasticamente a atmosfera lírica ou brutal, cômica ou dramática, que convém a cada cena. Bastaria essa qualidade - a mecânica difícil e exatíssima da representação - para revelar, no mais recente e mais jovem diretor do Teatro Brasileiro de Comédia, o pulso de um verdadeiro homem de teatro, se não percebêssemos, em Ralé, ainda muitas coisas. De um modo geral, parece-nos que a direção de Bollini prima especialmente pela autoridade demonstrada nas cenas de conjunto - o espetáculo mantém-se sempre extremamente uno e coeso -, e pela maneira com que soube manobrar um número muito grande de atores, sem permitir a nenhum deles uma decaída que se possa taxar de grave".1

Apesar do sucesso de estréia de Bollini no TBC, em 1952 o encenador é encarregado de apenas duas produções menores da companhia; Diálogo de Surdos, de Clô Prado, para o Teatro das Segundas-Feiras; e a inexpressiva Vá Com Deus, de Murrey e Boretz, primeiro trabalho de assistência de direção de Antunes Filho (1929) na companhia.

Bollini é um dos diretores que se envolvem com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, projeto de Franco Zampari (1898-1966) para a sétima arte, que já nesse período enfrenta dificuldades financeiras, filmando Na Senda do Crime, um roteiro policial seu com atuação de Miro Cerni, Cleyde Yáconis e Silvia Fernanda, finalizado graças aos recursos do Banco do Estado de São Paulo, credor da empresa.

Retorna ao teatro em 1954, criando Mortos Sem Sepultura, texto de Sartre sobre a Resistência Francesa e a repressão nazista no período da II Guerra, que soa pesado para público e crítica, resultando num fracasso para o TBC.

Em 1955 está no Rio de Janeiro, dirigindo para Os Artistas Unidos, Diálogo das Carmelitas, de Georges Bernamos, homenagem ao Congresso Eucarístico Internacional, destacando Henriette Morineau (1908-1990) à frente de numeroso elenco. No mesmo ano vai ao Recife para encenar Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues (1912-1980), para o Teatro de Amadores de Pernambuco, TAP.

Regressa a São Paulo em 1956 a convite de Sandro Polloni (1921-1995) para assumir a direção do Teatro Maria Della Costa, TMDC, com o qual realiza três encenações de grande relevo, projetando Maria Della Costa, cabeça da companhia e atriz cuja única aparição no TBC se dera sob sua direção em Ralé. Para ela e Polloni dirige A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca; A Rosa Tatuada, de Tennessee Williams; e Moral em Concordata, de Abílio Pereira de Almeida (1906-1977), com Odete Lara, Jardel Filho (1927-1983) e Armando Bógus (1930-1993) no elenco.

Retorna em 1957 para a Itália. No ano seguinte, todavia, volta ao TMDC para efetivar sua mais expressiva e surpreendente direção no Brasil: A Alma Boa de Set-Suan, de Bertolt Brecht, primeira encenação profissional do autor alemão entre nós, montagem grandiosa e reveladora das teorias de encenação do teatro épico. O encenador realiza um espetáculo frio, originalmente distanciado, levando os prêmios Saci e Governador do Estado de melhor diretor do ano. É este seu último trabalho no Brasil, já que volta definitivamente para a Itália, onde se dedica pouco ao teatro e cinema, mas fundamentalmente ao rádio e à televisão.

A importância histórica do encenador é fixada pelo crítico Yan Michalski (1932-1990): "De todos os diretores importados por Zampari, Bollini foi provavelmente o que realizou o menor número de espetáculos entre nós. Mas o radicalismo com que implantou novos processos de ensaios no TBC, e o mérito de ter trazido Brecht aos palcos brasileiros, valeram-lhe a reputação de ser, sob alguns aspectos, o mais moderno dos encenadores italianos que na mesma época vieram trabalhar em São Paulo".2

Notas

1 PRADO, Décio de Almeida: Apresentação do Teatro Brasileiro Moderno. São Paulo, Editora Perspectiva, 2001, p. 289.

2 MICHALSKI, Yan. Flaminio Bollini Cerri. In: __________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Espetáculos 17

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Fontes de pesquisa 4

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  • GUZIK, Alberto. TBC: crônica de um sonho. São Paulo: Perspectiva, 1986.
  • GUZIK, Alberto; PEREIRA, Maria Lúcia (Org.). Teatro Brasileiro de Comédia. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 25, set. 1980. Edição especial.
  • PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1996. (Debates, 211).
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado

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