Artigo da seção pessoas Sandro Polloni

Sandro Polloni

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deSandro Polloni: 1921 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 23-12-1995 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Sandro Polloni , s.d.
Registro fotográfico autoria desconhecida

Biografia

Alexandre Marcello Polloni (São Paulo, São Paulo, 1921 - São Paulo, São Paulo, 1995). Produtor e cenógrafo. Fundador, em parceria com Maria Della Costa (1926-2015), do Teatro Popular de Arte (TPA), posteriormente intitulado de Teatro Maria Della Costa (TMDC), a primeira companhia permanente comparável ao Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Antes de enveredar para a produção teatral, Sandro Polloni estreia como ator no Teatro do Estudante do Brasil (TEB), na montagem de Romeu e Julieta, de William Shakespeare (1564-1616), dirigida por Itália Fausta (1879-1951), em 1938. De lá, segue para Os Comediantes, em que atua em Desejo, de Eugene O'Neill (1888-1953), e A Rainha Morta, de Henry de Montherlant (1895-1972), ambos em 1946, com direção de Ziembinski (1908-1978). No ano seguinte, está em cena em Terras do Sem Fim, adaptado da obra de Jorge Amado (1912-2001), dirigido por Zigmunt Turkov.

Em 1948, funda, com a atriz Maria Della Costa, o Teatro Popular de Arte, mas não atua no espetáculo de estreia, o polêmico Anjo Negro, de Nelson Rodrigues (1912-1980). Entra em cena nos espetáculos seguintes, Estrada do Tabaco, de Erskine Caldwell (1903-1987) e Jack Kirkland (1902-1969); Tereza Raquin, peça adaptada do romance de Émile Zola (1840-1902); e Lua de Sangue (Woyzeck), de Georg Büchner (1913-1937), todos encenados na temporada de 1948. Aos poucos, Sandro Polloni deixa de trabalhar como ator para se concentrar na função de produtor da companhia.

Depois de uma carreira de seis anos, o TPA abre uma sala de espetáculos em São Paulo, batizada de Teatro Maria Della Costa. Por ocasião da inauguração, Sandro e Maria declaram à imprensa: "A idéia de uma casa de espetáculos própria é conseqüência natural da falta de teatros em São Paulo, como aliás em todo o Brasil. Os teatros são poucos e os aluguéis, elevados. Geralmente se paga de 100 a 150 mil cruzeiros mensais. Os aluguéis (dos teatros) da municipalidade são inferiores, mas os teatros são cedidos por pouco tempo. Daí não interessarem para temporadas regulares. E por isso o desejo de todos os empresários de terem um teatro seu, sem o perigo de não encontrarem local de trabalho".1

Para empreender a construção, a dupla faz uma dívida de 7 milhões e lança mão de um livro de ouro e de uma campanha de empréstimo para pagar a primeira parcela. O espetáculo de inauguração, O Canto da Cotovia, 1954, de Jean Anouilh (1910-1987), com direção de Gianni Ratto (1916-2005), é muito bem recebido pela crítica e pelo público.

Em 1955, Sandro realiza, junto ao TPA, outra montagem histórica, A Moratória, de Jorge Andrade (1922-1984), novamente com direção de Ratto. Seguem-se outras produções representativas, sempre acompanhando os avanços cênicos contemporâneos, como é o caso de A Alma Boa de Set-Suan, primeira montagem profissional de Bertolt Brecht (1898-1956) no Brasil, com direção de Flaminio Bollini (1924-1978), em 1958; e Gimba, 1959, segundo texto a ser encenado de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), dirigido por Flávio Rangel (1934-1988); Depois da Queda, 1964, de Arthur Miller (1915-2005), outra direção de Rangel; Homens de Papel, 1967, de Plínio Marcos (1935-1999); e com direção de Fauzi Arap (1938-2013), Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã, 1968, de Antônio Bivar (1939).

Polloni fecha as portas da companhia em 1974, mantendo uma atividade permanente de montagens e excursões.

Além de ator e produtor, Polloni trabalha como cenógrafo e figurinista no TEB e na companhia do ator Jaime Costa (1897-1967). Faz os cenários de Sonata a Quatro Mãos, 1948, de Guido Cantini (1889-1945), Rebeca, a Mulher Inesquecível, de Daphne Du Maurier (1907-1989), e A Família Barret, de Rudolf Besier (1878-1942), 1950, no TPA; Pindura Saia, 1963, de Graça Mello (1914-1979), e Maria Entre os Leões, 1967, de Aldo De Benedetti (1892-1970), no TMDC; A Mala, 1977, de Julio Maurício (1919-1991), e Temos de Desfazer a Casa, 1989, de Sebastián Junyent (1948-2005), em que assina também a iluminação.

Quando da estreia do TPA, o crítico Décio de Almeida Prado (1917-2000) louva a iniciativa e a coragem de seu maior empreendedor: "Sandro Polloni é o primeiro empresário a aceitar o desafio do TBC em seus próprios termos, respondendo de igual para igual. Que um homem rico, vindo da indústria - Franco Zampari - tenha resolvido empregar capital no teatro, onde os lucros extraordinários são certamente menores, já nos parece suficientemente estranho. Mas, que a sua proeza seja agora repetida, em ponto maior, com maior riqueza de recursos, por dois atores, sem outras armas senão uma incansável pertinácia e uma teimosia que chega às raias da obstinação, eis o que nos deixa positivamente sem palavras".2

Notas

1. COSTA, Maria della; POLLONI, Sandro. Depoimento. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 3 out. 1954.

2. PRADO, Décio de Almeida. 'O canto da cotovia'. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 31 out. 1954.

Outras informações de Sandro Polloni:

  • Outros nomes
    • Alexandre Marcello Polloni
    • Sandro Polônio
    • Sandro Roberto
  • Habilidades
    • Cenógrafo
    • Iluminador
    • Produtor
    • Ator
  • Relações de Sandro Polloni com outros artigos da enciclopédia:

Representação (1)

Espetáculos (85)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (15)

  • PRADO, Décio de Almeida. Apresentação de teatro brasileiro moderno. Crítica teatral (1947-1955). São Paulo, Liv. Martins, 1956.  484 p. 
  • PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral, 1955-1964. São Paulo: Martins, 1964. 314 p.
  • ALBUQUERQUE, Johana. Sandro Polloni (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • BRANDÃO, Tania. Uma empresa e seus segredos: Companhia Maria Della Costa. São Paulo: Perspectiva; Rio de Janeiro: Petrobras, 2009. 792.09 B817e
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 135 p. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • MAGALDI, Sábato; VARGAS, Maria Thereza. Cem anos de teatro paulista. São Paulo: Senac, 2000.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • POLLONI, Sandro. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • PRADO, Décio de Almeida. Exercício findo: crítica teatral (1964-1968). São Paulo: Perspectiva, 1987. 289 p. (Coleção debates; 199).
  • PRADO, Décio de Almeida. O teatro brasileiro moderno: 1930-1988. São Paulo: Perspectiva, 1988. (Debates, 211).
  • Programa do Espetáculo - A Alma Boa de Set-Tsuan - 1966 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - A Próxima Vítima - 1967 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Depois da Queda - agosto de 1964. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Homens de Papel - 1967 Não catalogado
  • SILVA, Tânia Brandão da. Peripécias modernas: companhia Maria Della Costa. 1998. 204 p. Tese (Doutorado em História da Arte) - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SANDRO Polloni. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa349616/sandro-polloni>. Acesso em: 19 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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