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Teatro

Miriam Mehler

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.08.2021
15.12.1935 Espanha / Catalunha / Barcelona
Registro fotográfico Fredi Kleemann

Retrato de Miriam Mehler
Fredi Kleemann, Miriam Mehler
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Miriam Mehler (Barcelona, Espanha 1935). Atriz. Vinculada ao Teatro de Arena e ao Teatro Oficina, no início de sua carreira, a atriz funda o Teatro Paiol, onde passa a produzir montagens significativas nos anos 1970 e 1980.

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Biografia
Miriam Mehler (Barcelona, Espanha 1935). Atriz. Vinculada ao Teatro de Arena e ao Teatro Oficina, no início de sua carreira, a atriz funda o Teatro Paiol, onde passa a produzir montagens significativas nos anos 1970 e 1980.

Formada pela Escola de Arte Dramática (EAD), em 1957, Miriam integra a montagem de Eles Não Usam Black-Tie, em 1958, peça de Gianfrancesco Guarnieri que inaugura uma nova fase no Teatro de Arena. No mesmo ano, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), está em Um Panorama Visto da Ponte, prestigiada montagem de Alberto D'Aversa. Ainda em 1958, ganha o Prêmio Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), de atriz revelação por A Lição, de Eugène Ionesco, sob a direção de Luís de Lima.

Em 1959, atua em O Anjo de Pedra, de Tennessee Williams, dirigido por Benedito Corsi. No ano seguinte, faz uma incursão no Pequeno Teatro de Comédia, em As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller, malograda encenação de Antunes Filho. Em 1962, sob a direção de Flávio Rangel, integra o elenco de A Escada, de Jorge Andrade, encerrando sua estadia no TBC.

A partir de 1963 liga-se ao Teatro Oficina, participando sucessivamente de Quatro Num Quarto, de Valentin Kataev, direção de Maurice Vaneau; e Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, e Andorra, de Max Frisch, direções de José Celso Martinez Corrêa que a ajudam a firmar-se no panorama artístico paulistano.

Numa experiência inovadora, percorre sindicatos com a montagem de Quando As Máquinas Param, bem-sucedido espetáculo de Plínio Marcos, em 1967 e 1968. No ano seguinte, juntamente com seu marido Perry Salles, constrói o Teatro Paiol, nele estreando À Flor da Pele, texto que lança a dramaturga Consuelo de Castro, em encenação de Flávio Rangel. Com o mesmo diretor obtém, no ano seguinte, grande sucesso em Abelardo e Heloísa, texto de Ronald Millar, que trata da conflituosa relação dos amantes medievais condenados pela moral da época.

Em 1974, sob a condução de Antunes Filho, cria a Ritinha de Bonitinha, mas Ordinária, em São Paulo, texto de Nelson Rodrigues que acrescenta novo trunfo em sua carreira. No mesmo ano, Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá, ao lado de Raul Cortez, é uma oportunidade de comédia propiciada pelo texto de Fernando Mello. Em 1975, aceitando uma sugestão de Ademar Guerra, produz e interpreta Salva, de Edward Bond, montagem impactante que não conhece o calor da platéia.

Melhor sorte lhe reserva, ainda em 1975, participando de Absurda Pessoa, de Alan Ayckbourn, cuja direção de Renato Borghi contribui para levar o empreendimento a bom termo; e integrando Um Grito Parado no Ar, de Gianfrancesco Guarnieri, com direção de Fernando Peixoto, numa produção da companhia de Othon Bastos, texto representante do teatro de resistência.

Em 1976 defronta-se com outra significativa criação, a montagem de Emílio Di Biasi para A Moratória, de Jorge Andrade. O Diário de Anne Frank, de Frances Goodrich e Albert Hackett, em 1977, com direção de Antônio Mercado, volta a comover as platéias. Com o mesmo diretor, em 1978, produz e interpreta O Grande Amor de Nossas Vidas, de Consuelo de Castro.

Nos anos 1980, a atriz participa de algumas montagens vinculadas a resultados previsíveis, como Tem Um Psicanalista na Nossa Cama, de João Bethencourt, em 1980, direção de Odavlas Petti; Viva Sem Medo Suas Fantasias Sexuais, de John Tobias, direção de  José Renato, 1982; Não Explica Que Complica, de Alan Ayckbourn e direção de Odavlas Petti, 1984.

Em 1985, novamente sob o comando de Flávio Rangel, produz e interpreta A Herdeira, baseado na novela de Henry James.

Com Emílio Di Biasi volta a envolver-se em duas criações acima da média: Doce Privacidade, inteligente texto de Noel Coward, em 1986 e, no ano seguinte, O Tempo e a Vida de Carlos e Carlos, uma inovadora proposta do encenador baseada na linguagem cênica de Bob Wilson. Oportunidades asseguradas para exprimir seu talento, Miriam encontra em O Tributo, de Bernard Slade, direção de Antônio Mercado, em 1987; Cara e Coroa, de A. R. Gurney, em 1988, direção de José Renato e, em 1990, numa nova montagem de Pequenos Burgueses, desta feita conduzida por Jorge Takla. Sob a direção de Sérgio Mamberti volta ao contexto dramático nacional, em Luar em Branco e Preto, obra de Lauro César Muniz encenada em 1992.

Integra espetáculos com tendências experimentais e preocupações com a linguagem artística: Dindinho Coração da Mamãe, texto de Ilder Miranda que encontra em Roberto Lage um sensível encenador, 1993; El Dia Em Que Me Quieras, de José Ignácio Cabrujas, venezuelano que trata da saga de Carlos Gardel, direção de Antônio Mercado, 1994, e Mary Stuart, de Schiller, montagem de Gabriel Villela, que destaca Renata Sorrah e Xuxa Lopes nos desempenhos centrais, 1996. Em 1998 a atriz defronta-se com a última criação de Arthur Miller, Vidros Partidos, em delicada criação conduzida por Iacov Hillel.

Para a TV, Miriam deixa registrada sua participação num infindável número de telenovelas, onde sobressaem alguns grandes sucessos, tais como Marcados Para o Amor, em 1964; A Grande Viagem, em 1965; Redenção, em 1966; A Cabana do Pai Tomás, em 1969; O Direito de Nascer, em 1977-1978; Os Imigrantes, em 1982; As Pupilas do Senhor Reitor, em 1995; Colégio Brasil, em 1996, e Fascinação, em 1998.

Obras 1

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Espetáculos 82

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Fontes de pesquisa 15

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Miriam Mehler (ficha curricular) In: ___________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ANDORRA. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1964]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • CENTRO CULTURAL SÃO PAULO. Divisão de Pesquisas. Cronologia das artes em São Paulo 1975-1995: Artes cênicas - Teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. (Cronologia das artes em São Paulo, 3).
  • MEHLER, Miriam. Miriam Mehler. São Paulo: [s.n.], s.d. Entrevista concedida a Rosy Farias, pesquisadora da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras.
  • O Diário de Anne Frank. São Paulo: s.l., 1977. 1 programa de espetáculo.
  • PEQUENOS Burgueses. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1963]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • Programa do Espetáculo - A Herdeira - 1985.
  • Programa do Espetáculo - Abelardo e Heloisa - 1971.
  • Programa do Espetáculo - Absurda Pessoa - 1975.
  • Programa do Espetáculo - O Grande Amor de Nossas Vidas - 1978.
  • Programa do Espetáculo - Pequenos Burgueses - 1964.
  • Programa do espetáculo - Diálogo com a Mãe - 2003.
  • QUATRO num Quarto. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1962]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • TEIXEIRA, Isabel (Coord.). Arena conta arena 50 anos. São Paulo: Cia. Livre da Cooperativa Paulista de Teatro, [2004].
  • TODA DONZELA Tem Um Pai que É Uma Fera. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1964]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.

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