Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Napoleão Moniz Freire

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.08.2021
01.05.1928 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
18.11.1971 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Napoleão Muniz Freire (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1928 - idem, 1971). Ator, cenógrafo e figurinista. Um dos fundadores d'O Tablado, trabalha em importantes companhias profissionais de seu tempo, alternando a função de ator com as de cenógrafo e figurinista.

Texto

Abrir módulo

Napoleão Muniz Freire (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1928 - idem, 1971). Ator, cenógrafo e figurinista. Um dos fundadores d'O Tablado, trabalha em importantes companhias profissionais de seu tempo, alternando a função de ator com as de cenógrafo e figurinista.

Engenheiro formado e exercendo profissionalmente a atividade, participa das primeiras reuniões na casa de Aníbal Machado (1894 - 1964), de onde surge O Tablado. Suas primeiras experiências em teatro têm lugar nessa companhia, onde, aos 24 anos, atua em Sganarello ou O Enganado pelas Aparências, de Molière (19622-1673), em 1952. Dois anos depois, estréia como cenógrafo em Nossa Cidade, de Thornton Wilder. A partir daí, começa a trabalhar alternadamente como ator e cenógrafo, evitando acumular as duas funções. Já na sua segunda criação cenográfica, em 1955, é premiado como revelação: o cenário de Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado (1921-2001), lhe vale o Prêmio Teatro Brasileiro. Permanece ligado ao grupo até 1957, trabalhando na maioria das vezes como ator no amplo espectro abarcado pelo repertório que vai dos textos infantis de Maria Clara até o realismo psicológico de Tio Vânia, de Anton Tchekhov (1860-1904), também de 1955, ou de O Tempo e os Conways, de J. B. Priestley (1894-1984), 1957. Em 1956, estréia como cenógrafo e figurinista em um conjunto profissional, a Companhia Tônia-Celi-Autran (CTCA), realizando os seguintes espetáculos: Dois a Dois, de George Neveux, direção Adolfo Celi (1922-1986), 1956; Os Cegos, de Michel de Ghelderode, dirigido por Rubens Corrêa (1931-1996) - trabalhando também como ator; e Olho Mecânico, de A. C. Carvalho, encenação de Benedito Corsi, ambos em 1958. No mesmo ano, participa de O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh (1910-1987), no Teatro Maria Della Costa (TMDC). Recebe, nesse ano, o Prêmio Prefeitura do Distrito Federal de melhor cenógrafo por em Uma Mulher em Três Atos, de Millôr Fernandes (1923-2012). Em 1959, tem rápida passagem pelo Teatro do Rio, onde, pela primeira e possivelmente última vez, acumula as funções de ator, cenógrafo e figurinista em A Ratoeira, de Agatha Christie (1890-1976), sob a direção de Ivan de Albuquerque (1932-2001). No Teatro Cacilda Becker (TCB), assina cenário e figurino de Os Perigos da Pureza, de Hugh Mills, 1959, recebendo os prêmios Governador do Estado e Associação Paulista de Críticos Teatrais (APCT), como figurinista. Em 1960, seu cenário para o Teatro da Praça, em Um Elefante no Caos, de Millôr Fernandes, recebe a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT), e o Prêmio Governador do Estado da Guanabara.

Atua em três espetáculos do Teatro dos Sete: a consagrada e histórica montagem de estréia da companhia, com O Mambembe, de Artur Azevedo, 1959; A Profissão da Senhora Warren, de Bernard Shaw, e Com a Pulga Atrás da Orelha, de Georges Feydeau, ambos em 1960, todos com direção de Gianni Ratto. Em O Mambembe , assina também os figurinos, que lhe valem o Prêmio Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT). É premiado como ator, com a Estatueta Padre Ventura, dos críticos independentes do Rio de Janeiro, pelo desempenho em A Profissão da Senhora Warren. É premiado pelo cenário de Lição de Botânica, de Machado de Assis (1839 - 1908), 1960, em montagem do Teatro Nacional de Comédia (TNC). Em 1962, recebe os prêmios Aliance Française, pelos cenários e figurinos em L'École des Fammes, de Molière, e Associação Brasileira de Críticos Teatrais, pelo figurino de Pigmaleoa, de Millôr Fernandes, encenação de Adolfo Celi.

Em 1966, atua sob a direção de Ademar Guerra (1933-1993) em Oh, Que Delícia de Guerra!, de Charles Chilton (1917) em colaboração com Joan Littlewood e o grupo do Theatre Workshop, e na direção de Flávio Rangel (1934-1988), no espetáculo O Sr. Puntila e Seu Criado Matti, de Bertolt Brecht (1898-1956) e, no ano seguinte, na de Maurice Vaneau (1926-2007) na Companhia Carioca de Comédia, onde volta a unir as funções de ator, cenógrafo e figurinista em O Olho Azul da Falecida, de Joe Orton, 1967. Assume, durante uma gestão, a diretoria da Divisão de Teatro da Guanabara. Em 1970, empresaria Romina e Julien, de Charles Dyer (1928), trabalhando simultaneamente como ator e como cenógrafo, sob a direção de Luiz Carlos Maciel (1938). Quando morre, em 1971, está em cena como Dr. Rank em Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, direção de Cecil Thiré (1943), acumulando também a criação da cenografia.

O crítico Yan Michalski (1932-1990) comenta a carreira de Napoleão Muniz Freire: "Pessoa brilhante, ator brilhante, cenógrafo brilhante, creio que engenheiro também brilhante, Napoleão teve, no entanto, uma trajetória profissional marcada por uma indecisão que decorria em parte da precária estrutura do teatro brasileiro, e em parte da multiplicidade dos seus próprios talentos. (...) Outro conflito que senti algumas vezes em Napoleão era o conflito típico da sua geração: formado dentro dos conceitos de um teatro tradicional, ele percebia que estes conceitos não bastavam mais ao teatro dos nossos dias, e tinha a abertura intelectual necessária para identificar-se com as experiências dos jovens reformadores; mas ao mesmo tempo não lhe era possível negar a formação que recebera, e aderir de corpo e alma às experiências de uma geração que, apesar de tudo, não era a dele".1

Nota

1. MICHALSKI, Yan. Napoleão. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 nov. 1971.

Espetáculos 147

Abrir módulo

Exposições 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 11

Abrir módulo
  • A VIDA Impressa em Dólar. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1961]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • BRANDÃO, Tania. A máquina de repetir e a fábrica de estrelas: Teatro dos Sete. Rio de Janeiro: 7Letras : Faperj, 2002.
  • CASA de bonecas, 1971. Programa do Espetáculo. Disponível em: <http://www.klaussvianna.art.br/Arquivos/283/711007-RJ-ILU-PRO1-44.pdf>. Acesso em: 22 ago. 2018.
  • CUNHA, Wilson. Napoleão Moniz Freire, um vôo interrompido. In: Programa em Revista, Ano II, nº 22, 15/12/71 a 15/01/72. Disponível em: <http://www.klaussvianna.art.br/Arquivos/283/711007-RJ-ILU-PRO1-44.pdf>. Acesso em: 22 ago. 2018.
  • FREIRE, Napoleão Moniz. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • MICHALSKI, Yan. Napoleão. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 nov. 1971.
  • Oh, Que Delícia de Guerra!. São Paulo: Teatro Bela Vista, 1966. 1 programa do espetáculo.
  • Planilha enviada pela pesquisadora Rosyane Trotta.
  • Programa do Espetáculo - Classe Média Televisão Quebrada - 1978.
  • Programa do Espetáculo - Meu Querido Mentiroso - 1966.
  • SUSSEKIND, Flora (Org.). O Tablado. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 27, 1986. Edição especial.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: