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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mariana Manhães

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.02.2019
21.10.1977 Brasil / Rio de Janeiro / Niterói
Registro fotográfico autoria desconhecida

Movido Movente, 2005
Mariana Manhães
Monitores, ventiladores e dvd player

Mariana Manhães Lima (Niterói, Rio de Janeiro, 1977). Artista visual. Possui formação em psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), graduação realizada entre 1995 e 2001. Participa também dos cursos de design gráfico no Museu do Ingá, em Niterói, em 1997, e do workshop Art, Memory and Testimony, na Tate Gallery, em Londres, em 2003. ...

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Biografia

Mariana Manhães Lima (Niterói, Rio de Janeiro, 1977). Artista visual. Possui formação em psicologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), graduação realizada entre 1995 e 2001. Participa também dos cursos de design gráfico no Museu do Ingá, em Niterói, em 1997, e do workshop Art, Memory and Testimony, na Tate Gallery, em Londres, em 2003. De 1998 a 2006, frequenta a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage), no Rio de Janeiro, onde faz aulas com o pintor José Maria Dias da Cruz (1935) e a gravadora, escultora e artista multimídia Iole de Freitas (1945).

Mariana Manhães produz esculturas com ligações eletrônicas entre telas de vídeo e mecanismos robóticos. As obras, confeccionadas em parceria com seu pai, o engenheiro de telecomunicações Antonio Moutinho (1951), são expostas pela primeira vez em 2002 na mostra Arte Hoje, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói.  Em 2003, realiza sua primeira exposição individual, Coleção de Eternidades, em Salvador, na Galeria ACBEU. Em 2006, a artista ganha o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, promovido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) e o Ministério da Cultura (MinC), no 6º Salão de Goiás. Sua primeira exposição internacional é realizada na França, em 2005, com apoio da Funarte, no Espace Brésil. Em 2007, organiza nova individual, Liquescer, no Museu de Arte Contemporânea de Niterói. No ano seguinte, participa da exposição coletiva The Tropics - Views from the Middle of the Globe, no Martin-Gropius-Bau Museum, na Alemanha.

Manhães cursa mestrado em comunicação e cultura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 2010 a 2012, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Muda-se em 2011 para Pittsburgh, Estados Unidos, para a residência artística The Mattress Factory. Em 2012, participa da exposição coletiva Place of a Residence, organizada por Alfons Hug (1950) na galeria ShanghART, na China.

Análise

O interesse pela relação que as coisas animadas e inanimadas estabelecem entre si gera um curioso vocabulário para descrever a obra da artista Mariana Manhães. O biológico, o eletrônico e o psicológico são dimensões que se aproximam por meio da vocação inventiva da artista na produção de esculturas que possuem comportamentos próprios, assumindo, por vezes, códigos que remetem às formas humanas. 

Compreendendo que Manhães assimila um imbricado sistema eletroeletrônico que conecta objetos e partes mecânicas animadas por vídeos e sons, seu objetivo está em inventar o organismo que dá forma a um comportamento motor específico. Entende-se por organismo não só a estrutura que incorpora esses movimentos, mas o metabolismo que o ordena. Assim, a existência de seus trabalhos depende de uma regência dos comportamentos das imagens, dos sons e dos elementos robóticos em função do tempo.

Tais movimentos seguem rotinas específicas em cada escultura, sendo algumas delas “pacíficas” - transmitindo sinais como comunicabilidade e concentração - e outras “neuróticas”, manifestando confusão e ansiedade. Isso 2 (2008) retrata dois copos em duas pequenas telas de LCD que giram graças a uma animação stop-motion. O áudio produzido para a peça, composto a partir da própria voz e respiração da artista, pretende incorporar-se aos movimentos dados aos objetos: trata-se de uma expressão vocal que remete à miniatura, à infância e à comunicação pré-verbal. Há, no entanto, momentos ou espasmos que disparam reações mecânicas inesperadas e incômodas, que após um certo tempo dão lugar ao comportamento original da peça. 

As esculturas deixam à mostra suas partes, fios, conexões, soldas e chips. Com essa exposição, e pensando que o olhar sozinho pouco compreende a composição e a função desses circuitos, é inevitável ponderar sobre uma possível estética da gambiarra, ainda que não exista no trabalho de Mariana Manhães algum elemento de precariedade a ser solucionado emergencialmente; necessidade que é o agente principal dessa criatividade comumente associada ao Brasil. No entanto, se essas ligações parecem provisórias ou precárias é somente por não possuírem as proteções plásticas que dão forma aos equipamentos eletrônicos que povoam o cotidiano contemporâneo: desencobrir os circuitos imediatamente nos causa um desconforto ao olhar a sua crueza. Assim é possível dizer que cada circuito montado nas esculturas está na verdade cuidadosamente colocado dentro de um planejamento técnico.

Essa maneira de imaginar e construir, que caracteriza sua produção de 2004 a 2010, caminha para um maior grau de abstração quando a artista realiza a instalação Thesethose (2011), durante sua residência em Pittsburgh. Nesse trabalho, Mariana Manhães propõe uma forma de comunicação entre a janela do local de sua residência artística com a janela de sua casa no Rio de Janeiro. Para isso, faz vídeos da janela dos dois locais e cria um sistema onde certos frames dessas gravações acionam um mecanismo pneumático que preenche com ar grandes sacos plásticos transparentes dispostos pela galeria norte-americana, ligando as três diferentes janelas do local. Não há objetos ou vocalizações que mimetizam a comunicação verbal, e sim sons monotônicos e longos acompanhando a lenta mudança de tamanho dos balões improvisados. Permanece, no entanto, a atitude de movimentar, excitar ou transformar o objeto: no caso de Thesethose, o balão. Em obras anteriores isso pode ser observado em bules, copos, xícaras e jarros. A instalação mostra que a imaginação da artista é vasta para apontar uma gama rica de possibilidades de interação entre objetos, pessoas e comportamentos. 

Obras 5

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Reprodução fotográfica Magno Mesquita

Erik Satie IV

Sépia, pastel, sangüínea e grafite sobre papel
Registro fotográfico Amilcar Packer

Memorabilia 3

Videoinstalação
Registro fotográfico autoria desconhecida

Movido Movente

Monitores, ventiladores e dvd player
Registro fotográfico Evandro Lopes

Palindrômicos

Vídeos e circuitos eletrônicos
Registro fotográfico autoria desconhecida

Titilantes

Monitores lcd, dvd, motores, circuitos eletrônicos e materiais diversos

Exposições 47

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Feiras de arte 2

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Fontes de pesquisa 6

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  • COCHIARALE, Fernando. Dentre. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2011.
  • HUG, Alfons. The Tropics. Views from the Middle of the Globe. Berlim: Galeria Martin-Gropius-Bau, 2008.
  • MANHÃES, Mariana. [currículo]. Enviado pelo artista em 13 de ago. de 2007.
  • RUMOS Artes Visuais Itaú Cultural [2005/2006]: Paradoxos Brasil. Apresentação Aracy Amaral; texto Cristina Tejo, Marisa Mokarzel, Luisa Duarte, Aracy Amaral, Lisette Lagnado, Agnaldo Farias, Icléia Cattani, Luíza Interlenghi, Marília Panitz Silveira, Moacir dos Anjos, Piti, Stéphane Huchet, Vladimir Safatle. São Paulo: Itaú Cultural, 2006. 372 p., il. color. 1 DVD.
  • SALÃO NACIONAL DE ARTE DE GOIÁS, 2006, Goiânia, GO. Salão Nacional de Arte de Goiás: 6º prêmio Flamboyant Brasil Mostra Sua arte. Curadoria Divino Sobral. Goiás: Flamboyant Shopping Center, 2006.
  • SILVEIRA, Dôra (Coord.). 2002 Niterói arte hoje. Curadoria Vilmar Madruga, Paulo Máttar, Valéria Salgueiro, Milton Eulálio, Pierre Crapez, Suzi Coralli, Kátia de Marco, Jorge Duarte, Isis Braga, João Wesley. Niterói: MAC-Niterói, 2002.

Como citar

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