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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Julio Plaza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.03.2017
01.02.1938 Espanha / Madri / Madri
17.06.2003 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Sérgio Guerini

Sky Art (Matisse Sistema)
Julio Plaza

Julio Plaza González (Madrid, Espanha, 1938 - São Paulo, Brasil, 2003), artista intermídia, pesquisador, escritor, curador, professor e pioneiro no desenvolvimento tecnológico das artes, trabalhando com novos suportes e mídias.

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Biografia

Julio Plaza González (Madrid, Espanha, 1938 - São Paulo, Brasil, 2003), artista intermídia, pesquisador, escritor, curador, professor e pioneiro no desenvolvimento tecnológico das artes, trabalhando com novos suportes e mídias.

Depois de viver em Paris e San Juan, Porto Rico, radica-se em São Paulo em 1973. Professor titular do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes  da Universidade de São Paulo (ECA/USP), da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e da Universidade de Campinas (Unicamp). Entre seus orientandos e alunos, estão Leda Catunda (1961), Sérgio Romagnolo (1957), Leonilson (1957-1993), Monica Tavares (1958), Ronaldo Entler (1968), Agnaldo Valente, Diana Domingues (1947) e Luise Weiss (1953).

É membro fundador da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Anpap) e do Instituto de Pesquisas em Arte e Tecnologia (Ipat). Trabalha com videotexto, slow-scan, holografia, fax e computação digital, partilhando e influenciando gerações de artistas no campo da midiarte, como Paulo Laurentiz (1953-1991), Carlos Fadon Vicente (1945), Gilbertto Prado (1954), Milton Sogabe (1953), Anna Barros (1931-2013), Inês Raphaelian (1961), Ana Maria Tavares (1958) e Omar Khouri (1948).

Autor de publicações teóricas como: Tradução Intersemiótica (1987), Videografia em Videotexto (1986), Processos Criativos Com os Meios Eletrônicos: Poéticas Digitais (1998) em colaboração com Monica Tavares. Entre seus últimos textos está “Arte/Ciência: uma consciência”1.

É também autor de vários livros de artista em parceria com o poeta concretista Augusto de Campos (1931). Entre eles: Julio Plaza – Objetos (1969), Poemóbiles (1974) e Caixa Preta (1975).

Atua como curador do setor de Mail Art da 16a Bienal de São Paulo (1981) e participa de exposições no Brasil e no exterior como: Prospectiva, 74 (1974) no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP); Arte Pelo Telefone: Videotexto (1982) no Museu da Imagem e do Som (MIS), São Paulo; Idehologia: Hologramas (1987) na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Triluz Holografias (1988) no MIS/SP; Fiat Lux! (1991) na Caja de Ahorros de Astúrias, Espanha; Hologramas e Videopoemas (1994) na Galeria Municipal de Vila Franca de Xira, Lisboa; Arte no Século XXI: a Humanização das Tecnologias (1995) no Memorial da América Latina e MAC/USP, São Paulo; Ao Cubo (1997) no Paço da Artes, São Paulo; Situações, anos 70 (2000) na Casa França-Brasil, Rio de Janeiro; Marginália 70: o Experimentalismo no Super-8 Brasileiro (2001) no Itaú Cultural, São Paulo; Perhappinnes – 10 anos – Paulo Leminski. Videopoemas (2001) na Fundação Cultural de Curitiba; Livro de Artista (2001) na Galeria de Alverca, Lisboa; entre outras.

Análise

Julio Plaza inicia sua prática artística nos anos 50, na Espanha do pós-guerra. Autodidata, frequenta museus e exposições pela Europa para ampliar seu repertório. Desloca-se de uma primeira fase figurativa para uma construtiva, marcada pelo desejo de construir e não de se expressar. Dialoga com as vanguardas russas e com a ideia de que a arte não é um elemento especial da criação humana, separada do mundo cotidiano.

Essa arte construtiva floresce em Julio Plaza nos anos 1960, época em que poetas, músicos, escritores e pintores debatem as poéticas da modernidade como os problemas de produção e consumo da arte e da industrialização e a implantação de uma sociedade de massa. Em 1966, Plaza produz Caixa com Relevo em Madeira Pintada e Luzes. Essa estrutura primária, minimalista, enfatiza o espaço e as mútuas relações entre os elementos. O espaço, a superfície, a geometria e o número tomam forma e traduzem-se em imagens poéticas com base em características modulares programadas numericamente e afins às poéticas vigentes do tipo combinatórias.

A vocação de artista polivalente e interessado em novos meios aproxima Plaza da semiótica, do desenho industrial, da comunicação visual, das teorias e aspectos dos meios de reprodução. Essas questões ressaltam a interdisciplinariedade e culminam no livro de artista como obra autônoma. No livro Julio Plaza – Objetos, em parceria com o poeta concreto Augusto de Campos, os objetos são páginas que, ao serem desdobradas, revelam formas geométricas e orgânicas, mediante um jogo estudado de cortes. Algo entre o livro e a escultura que contrapõe o verbal e o não verbal e leva ao conceito de uma poesia intersemiótica.

Nos anos 1970, o artista sai do domínio das formas, para explorar a semântica da imagem na linguagem e nos recursos de reprodução técnica. As reflexões sobre os suportes da arte, seu funcinamento e sua inclusão em um sistema mais vasto levam Julio Plaza a abandonar a arte como objeto de decoração e de manipulação econômica, passando a uma prática e poéticas voltadas a comunicação. O artista deve se tornar alguém que, antes de criar objetos artísticos, deve interferir na percepção da realidade; um criador de situações mais do que de objetos acabados.

Essa postura, comprometida com o eixo arte-pesquisa-teoria-ensino, orienta as pesquisas de Plaza na direção do desenvolvimento das tecnologias de comunicação. Videotexto, gráfica computacional, holografia, telemática, vídeo, cinema, fotografia e artes gráficas, constituem uma pluralidade de atenção e interesse que se sobrepõe às chamadas “artes plásticas”. Em Luz Azul (1982), uma espécie de trocadilho visual instalado no painel luminoso da avenida São João, está subjacente a ideia de mutação constante, possibilitada por processos de tradução tecnológicos, que Plaza denomina tradução intersemiótica.

Por tradução intersemiótica, Plaza entendia a transposição de uma peça literária, geralmente um poema, para outro código (visual, sonoro), mantendo as ideias, as estruturas e o modo de funcionamento do original. Plaza explora essa proposta em sofisticados experimentos, abrangendo praticamente todos os novos meios. Associa seu nome a grande número de eventos relacionados com a arte e tecnologia no Brasil.

Em 1982, assim que é instalada em São Paulo uma rede de videotexto, Plaza põe-se a estudar o meio e a experimentar suas possibilidades poéticas. No mesmo ano, convida um grupo de artistas e poetas para produzir trabalhos pensados para o videotexto, a que ele próprio, em seguida, dá forma concreta. Disso resultaram as duas exposições pioneiras de videotexto no Brasil, Arte pelo Telefone: Videotexto (1982), no MIS, São Paulo; e Arte e Videotexto (1983) na 17ª Bienal Internacional de São Paulo. Essas exposições foram o estopim para as ideias relacionadas com arte-comunicação e para a webarte que viria depois.

Plaza torna-se elemento-chave no engajamento de artistas para a experimentação da holografia. Em 1985, dentro da mostra Arte e Tecnologia, no MAC/USP, organiza uma primeira exposição coletiva, com obras suas e também de Augusto de Campos, Décio Pignatari (1927-2012), Moysés Baumstein (1931-1991)José Wagner Garcia (1956). O poema, que já era espacial na poesia concreta, torna-se tridimensional. A tridimensionalidade ataca a linearidade do texto escrito, propondo uma espécie de hypertexto no qual não há hierarquia para ler: pode-se começar de qualquer ponto e daí ir para qualquer outro ponto. Disposto no espaço tridimensional, o texto solicita outra sintaxe e outro modo de formar sentido.

Nos anos 1990, Plaza dedica-se às imagens digitais, revisitando os temas explorados na década anterior com o videotexto e a holografia, adaptando-os ao novo contexto digital. Assim, traduz o poemóbile Luz Mente Muda Cor, de Augusto de Campos, para holografia e para computação gráfica; Quadrado Negro sobre Fundo Branco, do russo Kazimir Malevitch (1878-1935), para instalação multimídia; Noosfera, de Décio Pignatari para cartaz/poster; Vai e Vem, de José Lino Grunewald (1931-2000), para ambiente sonoro e O Livro das Mutações (I Ching), para filme.

Nota

1. PLAZA, Julio. Arte/Ciência: uma consciência. Ars, São Paulo, n. 1, 2003.

Obras 14

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Registro fotográfico Sérgio Guerini

Cursos 1

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Exposições 216

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Fontes de pesquisa 28

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  • ACERVOS. art. br. Julio Plaza (1938-2003). Disponível em: < http://www.acervos.art.br/gv/artistas_brasileiros/bio_julioplaza.php >. Acesso em: 20 ago. 2014.
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  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BOUSSO, Vitoria Daniela. José Damasceno. INTERVALOS: evento paralelo à documenta de Kassel. Curadoria Vitória Daniela Bousso; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Paço das Artes, 1997.
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