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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Julio Plaza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.06.2022
01.02.1938 Espanha / Madri / Madri
17.06.2003 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Sérgio Guerini

Cor, luz, mente
Arnaldo Antunes, Julio Plaza, Haroldo de Campos, Ricardo Araújo, Augusto Campos
Vídeo
Coleção Anabela Plaza

Julio Plaza González (Madrid, Espanha, 1938 – São Paulo, Brasil, 2003). Artista intermídia, pesquisador, escritor, curador, professor. Destaca-se por ser pioneiro no desenvolvimento tecnológico das artes com novos suportes e mídias.

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Julio Plaza González (Madrid, Espanha, 1938 – São Paulo, Brasil, 2003). Artista intermídia, pesquisador, escritor, curador, professor. Destaca-se por ser pioneiro no desenvolvimento tecnológico das artes com novos suportes e mídias.

Inicia a prática artística nos anos 1950, na Espanha do pós-guerra. Autodidata, frequenta museus e exposições pela Europa para ampliar seu repertório artístico. Sua obra floresce nos anos 1960, época em que poetas, músicos, escritores e pintores debatem poéticas da modernidade, como os problemas de produção e consumo da arte, industrialização e implantação de uma sociedade de massa. 

Depois de viver em Paris e San Juan (Porto Rico), fixa residência na capital paulista em 1973. Durante os anos 1970, sai do domínio das formas para explorar a semântica da imagem na linguagem e nos recursos de reprodução técnica. As reflexões sobre os suportes da arte e o funcionamento e a inclusão deles em um sistema mais vasto levam Julio Plaza a abandonar a arte como objeto de decoração e de manipulação econômica e a se iniciar em práticas e poéticas voltadas à comunicação. Para Plaza, o artista deve se tornar alguém que, antes de criar objetos artísticos, deve interferir na percepção da realidade, isto é, um criador de situações mais do que de objetos acabados.

Além da atividade artística que desenvolve, Julio Plaza atua como professor do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e da Universidade de Campinas (Unicamp). Entre seus orientandos e alunos, estão Leda Catunda (1961), Sérgio Romagnolo (1957), Leonilson (1957-1993) entre outros artistas plásticos.

Tanto na criação artística como na produção teórica e no ensino, Plaza se dedica ao desenvolvimento de tecnologias de comunicação: videotexto, gráfica computacional, holografia, telemática, vídeo, cinema, fotografia e artes gráficas recebem do artista atenção e interesse que se sobrepõem às chamadas “artes plásticas”. 

É membro fundador da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Anpap) e do Instituto de Pesquisas em Arte e Tecnologia (Ipat). Trabalha com videotexto, slow-scan, holografia, fax e computação digital, partilhando e influenciando gerações de artistas no campo da midiarte, como Paulo Laurentiz (1953-1991), Carlos Fadon Vicente (1945) e Gilbertto Prado (1954).

É autor de publicações teóricas como: Tradução intersemiótica (1987), Videografia em videotexto (1986), Processos criativos com os meios eletrônicos: poéticas digitais (1998) em colaboração com Monica Tavares (1958). Entre seus últimos textos está “Arte/Ciência: uma consciência”1.

A vocação de artista polivalente e interessado em novos meios aproxima Plaza da semiótica, do desenho industrial, da comunicação visual, das teorias e dos aspectos dos meios de reprodução. Esses interesses ressaltam a interdisciplinaridade de seu processo criativo e culminam no livro de artista como obra autônoma. Em Julio Plaza – Objetos (1969), feito em parceria com Augusto de Campos (1931), os objetos são páginas que, ao serem desdobradas em um jogo estudado de cortes, revelam formas geométricas e orgânicas. Uma obra situada entre o livro e a escultura e que contrapõe o verbal e o não verbal e leva ao conceito de uma poesia intersemiótica. Ainda em parceria com o poeta concreto, é autor de Julio Plaza – Objetos (1969), Poemóbiles (1974) e Caixa Preta (1975).

Em Luz Azul (1982), apresenta uma espécie de trocadilho visual instalado no painel luminoso da avenida São João. Nessa importante obra está subjacente a ideia de mutação constante, possibilitada por processos tecnológicos que Plaza denomina de tradução intersemiótica. Ainda em 1982, assim que é instalada uma rede de videotexto em São Paulo, Plaza estuda esse novo meio e a experimenta suas possibilidades poéticas: convida um grupo de artistas e poetas para produzir trabalhos pensados para o videotexto, a que ele próprio, em seguida, dá forma concreta. Disso resultaram duas exposições pioneiras de videotexto no Brasil: Arte pelo telefone: videotexto (1982), no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo; e Arte e videotexto (1983), na 17ª Bienal Internacional de São Paulo. 

Plaza torna-se elemento-chave no engajamento de artistas para a experimentação da holografia. Em 1985, dentro da mostra Arte e tecnologia, no Museu de Arte Contemporânea (MAC), no câmpus da Universidade de São Paulo (USP), organiza uma primeira exposição coletiva de obras suas e de Augusto de Campos, Décio Pignatari (1927-2012), Moysés Baumstein (1931-1991) e de outros artistas. O poema, que já era espacial na poesia concreta, torna-se tridimensional e ataca a linearidade do texto escrito, propondo uma espécie de hypertexto no qual não há hierarquia de leitura.

Nos anos 1990, Plaza se dedica às imagens digitais, revisitando os temas explorados na década anterior com o videotexto e a holografia, adaptando-os ao novo contexto digital. Assim, traduz o poemóbile "Luz Mente Muda Cor", de Augusto de Campos, para holografia e para computação gráfica; Quadrado negro sobre fundo branco, do russo Kazimir Malevitch (1878-1935), para instalação multimídia; Noosfera, de Décio Pignatari, para cartaz/poster; Vai e vem, de José Lino Grunewald (1931-2000), para ambiente sonoro; e O Livro das mutações (I Ching), para filme.

Com uma obra notável e inovadora, Julio Plaza é reconhecido publicamente como um nome importante da arte contemporânea no Brasil e no exterior.

Nota

1. PLAZA, Julio. Arte/ciência: uma consciência. Ars, São Paulo, v. 1, n. 1, pp. 37-47, jan. 2003.

Obras 14

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Registro fotográfico Sérgio Guerini

Exposições 225

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 28

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  • ACERVOS. art. br. Julio Plaza (1938-2003). Disponível em: < http://www.acervos.art.br/gv/artistas_brasileiros/bio_julioplaza.php >. Acesso em: 20 ago. 2014.
  • ARTISTAS brasileiros dos anos 60 e 70 na coleção Rubem Knijnik. Porto Alegre: Espaço No Galeria Chaves, 1981.
  • Arte: novos meios/multimeios: Brasil ´70/80. Apresentação de Daisy Valle Machado Peccinin. Organizado por FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO, São Paulo, SP. São Paulo: FAAP, 1985.
  • BARCELLOS, Vera Chaves. Arte pública: um conceito expandido. In: BARCELLOS, Vera Chaves (Org.). Julio Plaza, Poelitica. Porto Alegre: Fundação Vera Chaves Barcellos, 2013.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BOUSSO, Vitoria Daniela. José Damasceno. INTERVALOS: evento paralelo à documenta de Kassel. Curadoria Vitória Daniela Bousso; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Paço das Artes, 1997.
  • CAMPOS, Augusto de. Poesia “entre”: de Poemóbiles a Reduchamp. In: BARCELLOS, Vera Chaves (Org.). Julio Plaza, Poelitica. Porto Alegre: Fundação Vera Chaves Barcellos, 2013.
  • ESCULTURA carioca. Texto Ligia Canongia, Fernando Cocchiarale; apresentação Lauro Cavalcanti; tradução Paulo Andrade Lemos. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 1994. s.p.
  • FEROS, Rosy. Testemunhal Telemático: O videotexto que a internet brasileira esqueceu. Recanto das Letras, 2007. Disponível em: < http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/669424 >. Acesso em: 18 set. 2014.
  • FUNDAÇÃO Vera Chaves Barcellos. Julio Plaza, o poético e o político. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=bOhsAjTBhBM >. Acesso em: 06 set. 2014.
  • JULIO Plaza: arte como arte. Textos de Haroldo de Campos e Décio Pignatari. São Paulo: MAC/USP, 1980.
  • KHOURI, Omar. Julio Plaza. Discernir. Disponível em: <http://www.nomuque.net/discernir/julioplaza.html >. Acesso em: 17 nov. 2014.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores Espanhóis no Brasil. São Paulo: Espaço Cultural Sérgio Barcellos, 1996.
  • LIAÑO, Ignácio Gómez. Sobre Julio Plaza em 1967. In: BARCELLOS, Vera Chaves (Org.). Julio Plaza, Poelitica. Porto Alegre: Fundação Vera Chaves Barcellos, 2013.
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  • MULTI-MEDIA II. Apresentação de Harumi Yamagishi. São Paulo: MAC/USP, 1876.
  • PANORAMA da Arte Brasileira, 1995. Curadoria Ivo Mesquita. São Paulo: MAM, 1995. Catálogo de exposição.
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