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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Danilo Brito

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.11.2021
28.07.1981 Brasil / São Paulo / São Paulo
Danilo Ezequiel Brito de Macedo (São Paulo, São Paulo, 1985). Bandolinista e compositor. Filho de músico amador, aos 5 anos, aprende de ouvido no cavaquinho um trecho da composição “Delicado” (1950), de Waldir Azevedo (1923-1980). Residindo na Paraíba entre 11 e 12 anos, estuda cavaquinho e bandolim com Antonio Messias, um amigo da família. Volt...

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Danilo Ezequiel Brito de Macedo (São Paulo, São Paulo, 1985). Bandolinista e compositor. Filho de músico amador, aos 5 anos, aprende de ouvido no cavaquinho um trecho da composição “Delicado” (1950), de Waldir Azevedo (1923-1980). Residindo na Paraíba entre 11 e 12 anos, estuda cavaquinho e bandolim com Antonio Messias, um amigo da família. Volta para São Paulo e passa a frequentar as rodas de choro tradicionais da cidade. É autodidata, mas guarda e aplica os conselhos técnicos dados a ele pelo multi-instrumentista Milton Mori (1965).

Sua primeira apresentação solo é realizada a convite do conjunto regional Bachorando, comandado pelo violonista Nelson Galleano, o Balói, realizado na Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban). Desde então, Balói providencia outras apresentações com Danilo e organiza o conjunto Nó na Madeira, formado por jovens instrumentistas, entre 13 e 17 anos. Com esse conjunto, faz algumas apresentações em programas de TV e na Rua do Choro, ao lado do flautista Carlos Poyares (1928-2004). Por intermédio do produtor Téo Azevedo (1943), grava seu primeiro disco, Moleque Atrevido (1999), aos treze anos de idade, acompanhado pelo conjunto Bachorando.

Em 2004, vence a edição instrumental do prêmio VISA, cuja premiação inclui a gravação de um disco pelo selo Eldorado. Sai no ano seguinte Perambulando (2005), um disco que inclui quatro composições de sua autoria e participações de Altamiro Carrilho (1924-2012), Nailor Proveta (1961) e Toninho Ferragutti (1959). Apresenta-se, em 2008, ao lado de Hamilton de Holanda (1976), Yamandu Costa (1980), Proveta e do grupo Choro Rasgado no Teatro Municipal de São Paulo. Ao lado do multi-instrumentista norte-americano Mike Marshall (1957) realiza recitais no Mandolin Symposium, na Califórnia, Estados Unidos. Funda, em 2008, a produtora e o selo Orpheu Music, pela qual lança seu terceiro disco, Sem Restrições, com participação de músicos como Alessandro Penezzi (1974), Laércio de Freitas (1941) e Ensemble-SP. Pelo mesmo selo, lança em 2011, o quarto disco de sua carreira 50 de Música - Luizinho 7 Cordas, em homenagem aos 50 anos de carreira do violonista paulistano Luizinho 7 cordas (1946).

Análise

Danilo Brito é um instrumentista que tem na música brasileira e no choro sua principal referência. Tocando também cavaquinho, violão tenor e outros instrumentos de cordas, dedica-se principalmente ao bandolim. Busca, com ele, inserir-se em uma tradicional linha da música popular, desenvolvida, entre outros, por Garoto (1915-1955) e Jacob do Bandolim (1918-1969). Este último ajuda a consolidar uma dicção própria nos gêneros do choro e do samba. 

Como todo bandolinista, Jacob do Bandolim é uma fonte de inspiração, tendo “tirado”, como se diz na gíria da música popular,  as grandes interpretações deste, que é a referência do bandolim brasileiro. Aprende com ele a “palhetar as pausas”, gesto que dá precisão rítmica e um tipo de swing característico do bandolim de Jacob. Ambos procuram recriar interpretações de compositores passados e compor peças baseadas no estilo daqueles que marcam a história da música urbana no Brasil.

Luperce Miranda (1904-1977) é outra referência, pela destreza com que toca o bandolim. Danilo procura manter o nível de excelência técnica que Luperce imprime ao instrumento e grava, em seu disco Sem Restrições, o arranjo para bandolim solo da valsa “Quando Me Lembro” de Luperce Miranda. Nela, o bandolim cumpre funções de melodia principal, acompanhamento e contraponto simultaneamente. Do cavaquinista Waldir Azevedo, guarda a sonoridade forte e a palhetada decidida.

Outra característica do estilo de Danilo Brito é a criatividade em variações rítmicas. Explorando interpretação de cantores brasileiros como Orlando Silva (1915-1978), Luis Barbosa (1910-1938) e João Gilberto (1931), Danilo Brito cria pequenos deslocamentos rítmicos na melodia, que originam novas acentuações e caráter àquilo que seria apenas uma repetição. Explora, assim, um tipo de improvisação brasileira, essencialmente rítmica. Em vez de improvisar melodias sobre a harmonia, como faz o jazz, Danilo realiza variações melódicas ou varia a acentuação rítmica, criando um tipo de “fantasia rítmica” que vem se estabelecendo na improvisação brasileira.  

Essas experimentações ainda não estão presentes em seu primeiro disco, Moleque Atrevido, em que prima pela execução fiel da melodia. Já Perambulando, seu segundo disco, traz quatro composições suas e uma exploração maior da improvisação e da variação, tanto melódica quanto rítmica, construída sobre a sonoridade do regional tradicional. Em Sem Restrições, terceiro disco de sua carreira, trabalha para além do regional dos chorões em instrumentações e ritmos diversos. Com participação do quinteto de cordas Ensemble-SP, do sanfoneiro Dominguinhos (1941-2013) e do violonista Alessandro Penezzi, o disco apresenta sete composições suas e duas de seu pai. Seu quarto disco explora a sonoridade de cordas apenas, em homenagem a Luizinho 7 cordas. Participa, ainda, com sua composição “Experiente” no disco Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo (2011). Com essa produção o instrumentista já se coloca entre os principais bandolinistas da atualidade.

Fontes de pesquisa 3

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  • ABRIL Cultural. Jacob do Bandolim e o choro. [São Paulo]: Abril Cultural, 1978. (Nova História da Música Popular Brasileira, LP de 10'').
  • BRITO, Danilo. Entrevista concedida por Danilo Brito a Enrique menezes em 16 abr. 2012.
  • BRITO, Danilo. Site oficial do artista. Disponível em: www.danilobrito.com.br/. Acesso em: 13 abr. 2012

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