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Teresa Cristina

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.10.2020
28.02.1968 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Teresa Cristina Macedo Gomes (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1968). Compositora e cantora. Uma das expoentes da nova geração de sambistas que alcançam notoriedade entre os anos 1990 e 2000 na capital fluminense. Promove o incremento da presença feminina nos meandros desse gênero musical. Com sua voz grave, e influenciada pelo “samba de raiz”, d...

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Teresa Cristina Macedo Gomes (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1968). Compositora e cantora. Uma das expoentes da nova geração de sambistas que alcançam notoriedade entre os anos 1990 e 2000 na capital fluminense. Promove o incremento da presença feminina nos meandros desse gênero musical. Com sua voz grave, e influenciada pelo “samba de raiz”, desponta no cenário musical com o grupo Semente, e, posteriormente, percorre carreira solo, aclamada por público e crítica.

Filha de um feirante vendedor de frutas do Méier, nasce no Bonsucesso e cresce na Vila da Penha, bairros do subúrbio carioca. Na juventude, ingressa no curso de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Na mesma época, tem contato com o trabalho do compositor Antônio Candeia Filho (1935-1978) e monta um espetáculo baseado no repertório do sambista. Somente adulta percebe a potente mensagem de valorização dos negros, em especial por meio do samba, com as músicas de Candeia. Aos 27 anos, compõe sua primeira canção. Aprende a compor sem instrumentos no centro de umbanda que frequenta desde a adolescência.

Na segunda metade dos anos 1990, inicia a carreira como cantora do grupo Semente, ao lado de músicos amantes do “bom” samba: Bernardo Dantas (1971), no violão, João Callado, no cavaquinho, Pedro Miranda (1976), no pandeiro, e Ricardo Cotrim, no surdo. A partir de 1998, o conjunto se apresenta, aos sábados, no pequeno Bar Semente (do qual deriva o nome), situado na Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Com o significativo aumento do público, o grupo é convidado para outras apresentações.

Em 2000, divide o palco do Teatro Rival e da Sala Funarte com expoentes do samba, como os compositores Wilson Moreira (1936-2018), Xangô da Mangueira (1923-2009) e Guilherme de Brito (1922-2006). Em 2002, Teresa Cristina grava com o grupo Semente um disco de composições do músico Paulinho da Viola (1942), A Música de Paulinho da Viola – o trabalho ganha prêmios nacionais e é indicado ao Grammy latino de melhor disco de samba.

A trajetória formativa da artista passa por frequentes encontros musicais com a Velha Guarda da escola de samba Portela, à qual é apresentada pela cantora e compositora Cristina Buarque (1950), uma das grandes incentivadoras de sua carreira artística.

Na imprensa, a crítica musical especializada a recebe como uma das melhores e principais sucessoras da “autenticidade” do velho samba, que entra em declínio a partir da década de 1970. Seu maior diferencial advém de suas escolhas artísticas e musicais, ou seja, de seu deliberado afastamento da estética associada ao pagode, tão em voga nas rádios comerciais nos anos 1980 e 1990. O contraste com os populares pagodeiros, que se distanciam das temáticas e da estética tradicionais do samba, fermenta a ideia de resgate de um “samba de raiz”, que tem a colaboração de Teresa Cristina e outros artistas, como o cantor Moyseis Marques (1979) e o grupo Casuarina. A própria cantora, contudo, reconhece a importância das contribuições mais comerciais para a manutenção do gênero naquele momento.

Em 2005, lança o primeiro disco ao vivo com o grupo Semente, O Mundo É Meu Lugar, com composições de sua autoria, com destaque para “Cordão de Ouro”, em coautoria com o compositor Roque Ferreira (1947), e “Para Cobrir a Solidão”, com Zé Renato (1956).

Ao lado de figuras proeminentes do samba, entre as quais Dona Ivone Lara (1922-2018), Leci Brandão (1944), Mart’nália (1965), Nilze Carvalho (1969), Ana Costa (1968) e Telma Tavares (1965), constitui um poderoso grupo de mulheres compositoras que têm rachado as estruturas majoritariamente masculinas dessa vertente da música brasileira, em que o feminino historicamente está atrelado tão-somente à interpretação vocal.

Grava os discos Teresa Cristina Canta Cartola (2017) e Teresa Cristina Canta Noel (2018), com canções dos sambistas Noel Rosa (1910-1937) e Cartola (1908-1980). Em 2020, em suas apresentações, canta músicas de compositores negros ao som de uma banda formada apenas por mulheres.

Reconhecida como uma das principais expoentes do samba contemporâneo, Teresa Cristina empresta à arte não apenas o talento de sua voz, mas também a versatilidade de uma inteligência e de uma sensibilidade que renova o principal gênero musical brasileiro, sem perder de perspectiva a importância de suas origens estéticas e temáticas.

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