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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Tulipa Ruiz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.10.2019
19.10.1978 Brasil / São Paulo / Santos
Registro fotográfico Marcus Leoni

Tulipa Ruiz, 2019

Tulipa Ruiz Chagas (Santos, São Paulo, 1978). Cantora, compositora e desenhista. Filha de Luiz Chagas, jornalista e guitarrista da banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção (1949-2003). Nasce em Santos e cresce na cidade de São Lourenço, Minas Gerais. Estuda canto lírico durante cinco anos com a maestrina Edna de Sousa Neves durante a adolescên...

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Tulipa Ruiz Chagas (Santos, São Paulo, 1978). Cantora, compositora e desenhista. Filha de Luiz Chagas, jornalista e guitarrista da banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção (1949-2003). Nasce em Santos e cresce na cidade de São Lourenço, Minas Gerais. Estuda canto lírico durante cinco anos com a maestrina Edna de Sousa Neves durante a adolescência. Muda-se para São Paulo, onde faz o curso de comunicação na Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP). Paralelamente à faculdade, apresenta-se em bandas de amigos  como a cantora Tiê (1980) e o cantor Tatá Aeroplano (1975), da banda Cérebro Eletrônico. Posteriormente, trabalha em agência de publicidade.

Em 2008, dedica-se à carreira musical e à ilustração. Deixa a agência e grava seu primeiro álbum, Efemêra (2010), com capa ilustrada por ela. O disco traz faixas autorais e parcerias com o irmão Gustavo Ruiz (1980), guitarrista e produtor musical, e com o pai, Luiz Chagas, guitarrista. O trabalho conta, ainda, com participações dos artistas Céu (1980), Tiê, Anelis Assumpção (1980), Kassin (1974), Thalma de Freitas (1974), Iara Rennó (1977), Mariana Aydar (1980), Tatá Aeroplano, Juliana Kehl (1977), Leo Cavalcanti (1984), Zé Pi, Donatinho e Stéphane San Juan. Com Efemêra, realiza mais de 150 shows no Brasil, participa do festival Europalia, na Bélgica, e faz turnê pela Inglaterra, Itália, Portugal, França, Dinamarca, Argentina, Colômbia e pelos Estados Unidos.

Em 2012, lança o disco Tudo Tanto, também produzido pelo irmão, com arranjos de cordas e sopros de Jacques Mathias. O disco traz parcerias com Gustavo Ruiz, Luiz Chagas, além de Criolo (1975), Caio Lopes, Tomás Cunha Ferreira (1973), Ilhan Ersahin, e participações de Lulu Santos (1953), São Paulo Underground, Daniel Ganjaman (1978), Kassin e Rafael Castro. 

Em 2014, lança o single Megalomania, pela revista Rolling Stones, e Tulipa Remixes, produzido por Rica Amabis (1974) e Daniel Ganjaman, com participação do rapper B Negão (1974).

Em sua trajetória, Tulipa tem participações em shows de artistas como Arnaldo Antunes (1960), Lenine (1959), João Donato (1934), Marcelo Jeneci (1982), Milton Nascimento (1942),  o grupo Nação Zumbi, Zélia Duncan (1964) e Yusa. Participa, ainda, em discos de Bruno Batista (1985), Dan Nakagawa, Gui Amabis (1976), Leo Cavalcanti  e Thyagi Das, e faz parceria com Ná Ozzetti (1958), na música “Pra Começo de Conversa”, em seu disco Embalar, lançado em 2013.

 

Análise

Tulipa Ruiz inicia a carreira utilizando o termo "pop florestal" para definir a estética leve e lúdica. Suas composições apresentam temas como a natureza e as relações humanas.Gustavo Ruiz (integrante de grupos Dona Zica e Trash pour 4), que assina diversas parcerias e produções de Tulipa, desenvolve as canções e arranjos com base nos esboços vocais da intérprete. As referências utilizadas por ambos remetem, muitas vezes, aos grupos Clube da Esquina e Novos Baianos.

No disco Efêmera, Tulipa aborda momentos cotidianos, como passear na cidade (“Ás Vezes”, de Luiz Chagas), ou chegar atrasada ao cinema (“Pontual”, composição própria). A experiência no interior de Minas, onde passa a infância, traz o ambiente brejeiro para dialogar com a estética pop urbana. O clima despretensioso é reforçado pelo uso de guitarras havaianas e por canções como “A Ordem das Árvores” (Tulipa Ruiz), que lembra a poética de Manoel de Barros (1916-2014).

As guitarras com distorções, utilizadas no rock brasileiro nos anos 1970, tornam o segundo disco, Tudo Tanto (2012), mais extrovertido e tenso. Reflexo da ampliação da sua carreira e do aumento de parcerias musicais como Lulu Santos e Tomás Cunha Ferreira. Surgem experimentalismos na execução vocal,  explorando agudos extremos, gritos, emissões agressivas e na instrumentação complexa de cordas e sopros. Faixas como “Víbora”, de Tulipa Ruiz e Criolo, ou “Cada Voz” rompem com o clima pastoril do disco anterior e trazem um clima minimalista, com referências à Vanguarda Paulista.

Os trabalhos seguintes assumem-se dançantes, a exemplo do single Megalomania, um carimbó que explora elementos eletrônicos e samples. A interpretação de Tulipa Ruiz tem influências de Gal Costa (1945), Meredith Monk (1942), Joni Mitchell (1943), Baby do Brasil (1952) e Joyce Moreno (1948). Seu timbre é marcante, com vibratos acentuados. Essa personalidade vocal coloca-a em evidência para convites e  participações em projetos especiais. Entre eles, destacam-se: o especial de televisão Cantoras do Brasil, do Canal Brasil, interpretando Dalva Oliveira (1917-1972); o CD Literalmente Loucas –  As Canções de Marina Lima (2012), com a canção e “Memória Fora de Hora” [Marina Lima (1955) / Antônio Cícero (1945)] e o CD Mulheres de Péricles (2012), em que faz uma versão eletrônica de “Porto Alegre (Nos Braços de Calipso)” de Péricles Cavalcanti (1947). No mesmo ano, grava “Da Maior Importância” no CD A Tribute to Caetano Veloso.

O discurso sobre a feminilidade e suas questões é recorrente, como em “Da Menina” (2008) ou “Desinibida” (2012), em parceria com Tomás Cunha Ferreira. A figura feminina também é o principal tema de seu trabalho visual.

Shows musicais 3

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Mídias (1)

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Tulipa Ruiz – Série Cada Voz (2019)
A cantora Tulipa Ruiz fala de seu processo de criação, suas inspirações e a percepção de que produzir música é um exercício poderoso e, o palco, um local sagrado.

A Enciclopédia Itaú Cultural produz a série Cada Voz, em que personalidades da arte e cultura brasileiras são entrevistadas pelo fotógrafo Marcus Leoni. A série incorpora aspectos de suas trajetórias profissionais e pessoais, trazendo ao público um olhar próximo e sensível dos artistas.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig

Fontes de pesquisa 9

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