Artigo da seção pessoas Sergio Faraco

Sergio Faraco

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deSergio Faraco: 25-07-1940 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Alegrete)

Sergio Faraco (Alegrete, Rio Grande do Sul, 1940). Romancista, contista, tradutor. Entre os anos 1963 e 1965, vive na União Soviética e estuda no Instituto Internacional de Ciências Sociais, em Moscou. Ao retornar ao Brasil, é preso para interrogatório, devido à temporada vivida na União Soviética. A partir de 1975, frequenta o curso de direito, bacharelando-se, em 1980, na Faculdade de Direito do Instituto Ritter dos Reis, em Porto Alegre. Estreia com a obra Idolatria (1970), bem acolhida pela crítica. 

O autor é reconhecido por reescrever intensamente seus textos, numa média de cerca de dois contos por ano. A reelaboração textual média de dois contos por ano determina uma obra relativamente breve. Tem extenso trabalho em traduções, nos quais destacam-se autores de língua espanhola, como Miguel de Unamuno (1864-1936), Roberto Arlt (1900-1942) e Horacio Quiroga (1878-1937). 

Além de escritores latinos, o convívio com a cultura russa possibilita a tradução dos Contos Italianos, do russo Máximo Gorki (1868-1936). Como organizador, publica Sonetos, de Augusto dos Anjos (1884-1914); Amor ao Brasil, de Visconde de Taunay (1843-1899); Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), e Shakespeare de A a Z, uma antologia de passagens emblemáticas do autor inglês. Tem sua obra traduzida para vários idiomas, entre eles, o alemão, o inglês e o espanhol. Reside em Porto Alegre onde se dedica à atividade literária, agraciada com diversos prêmios.

Da obra narrativa de Sergio Faraco, destacam-se os contos que se passam na zona fronteiriça do Rio Grande do Sul com a Argentina e Uruguai, entre os costumes do mundo rural e a amplitude das zonas urbanas das cidades contemporâneas. Apresenta um ser humano desencantado, cindido entre dois mundos, na transição entre a cultura desses dois espaços. O autor parte de ações triviais que fazem com que suas personagens se deparem com impasses existenciais e psicológicos. Explora o narrado e o silêncio das entrelinhas, ou seja, a ação superficial ao lado da finalidade profunda do conto, criando “duas histórias”. 

Essa literatura produzida em um espaço múltiplo, propicia ao autor um vocabulário mesclado. Nele, o português de fronteira, falado pelos gaúchos, adquire autenticidade linguística, como representação fidedigna daquele espaço e de suas tradições. Tal variedade linguística dá ao autor um traço regionalista que trabalha as diferenças culturais brasileiras, de modo a surgir a expressão “brasileños platinos” para nomear essa aproximação e esse enriquecimento. Essa linguagem perpetua uma resistência cultural.

No que se refere à paisagem rural, é comum o estabelecimento do conflito com um estilo de vida que não tem lugar na modernização das últimas décadas do século XX. Cria personagens descentrados que não conseguem manter as raízes regionalistas de uma cultura que começa a se diluir. Este enredo está presente no conto “Noite de Matar um Homem” (1986), em que o narrador e o personagem Pacho são convidados pelo tio Joca a matarem Nassico Feijó, vulgo o “Mouro”, um “chibeiro”, contrabandista atravessador de fronteira, que está atrapalhando os negócios do tio. Este assassinato marcaria a construção das características do gaúcho “valentão”, traços que os sobrinhos do tio Joca não apresentam. Existe a associação da macheza e da valentia do “gaúcho da cepa” com a capacidade de eliminar um inimigo. Pacho, ao matar Nassico, que sequer está armado, munido apenas de uma gaita de boca, entra em crise psicológica. Esse estado marca a inaptidão da personagem para a cultura de justiça da fronteira. Ao ser inquirido pelo tio Joca, no entanto, finge ter agido com valentia e naturalidade. Na verdade, apresenta-se como um excluído dessa ordem justiceira, dominado pelo temor e pela angústia, tematizando uma “gauchidade perdida”, desconstruindo estereótipos e costumes.

Quanto à paisagem urbana, duas temáticas são exploradas: a visão a partir da infância e o amor incidental nas cidades. A primeira, pode ser exemplificada pelo conto “Não Chore, Papai” (1998) em que se desenvolve a relação entre pai e filho. No enredo, uma criança desobedece às ordens do pai para nadar no rio e tem, por conta disso, a sua bicicleta danificada pelo pai raivoso. Na sequência, acontece a reconciliação silenciosa e distante entre eles, como se ambos permanecessem feridos pela desavença, mostrando com realismo e profundidade as relações familiares. O amor casual, originado de encontros imprevistos, está pontuado no conto “Dançar Tango em Porto Alegre” (1998) em que dois personagens, um rapaz uma mulher madura, ambos com problemas pessoais em seus relacionamentos, encontram-se em uma viagem de trem de Uruguaiana a Porto Alegre. Relacionam-se sexualmente de forma intensa, gerando um sentimento maior, a presença do amor inesperado e casual, tematizando o desamparo e as descobertas na solidão urbana.

Outras informações de Sergio Faraco:

  • Outros nomes
    • Sergio Conceição Faraco
  • Habilidades
    • Escritor
    • Romancista
    • Contista
    • Tradutor
    • ensaísta

Fontes de pesquisa (3)

  • KAHMANN, Andrea Cristiane. Fronteira, identidade, narrativa: tradição e tradução em Sergio Faraco. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, 2006.
  • RIBEIRO, Eoná Moro. À sombra de Martín Fierro: Sergio Faraco e Mario Arregui. 2007. Tese (Doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. 
  • SÉRGIO FARACO. Página do escritor. Disponível em: http://www.sergiofaraco.com.br. Acesso em:1 set. 2016.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SERGIO Faraco. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa3324/sergio-faraco>. Acesso em: 15 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7