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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Emil Forman

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.10.2015
1954 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1983 Estados Unidos / Pensilvania
Emil Forman (Rio de Janeiro, RJ, 1954 - Pensilvânia, Estados Unidos, 1983). Artista visual, fotógrafo e desenhista. Desenvolve o desenho sob incentivo do artista Ivan Serpa (1923-1973), de quem é aluno entre 1971 e 1973 no Centro de Pesquisas de Arte (CPA), no Rio de Janeiro. Por volta de 1971, inicia as primeiras experiências de apropriação de ...

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Biografia
Emil Forman (Rio de Janeiro, RJ, 1954 - Pensilvânia, Estados Unidos, 1983). Artista visual, fotógrafo e desenhista. Desenvolve o desenho sob incentivo do artista Ivan Serpa (1923-1973), de quem é aluno entre 1971 e 1973 no Centro de Pesquisas de Arte (CPA), no Rio de Janeiro. Por volta de 1971, inicia as primeiras experiências de apropriação de objetos e fotografias em instalações como Armário, montagem de objetos em desuso por sua família na chapeleira de sua casa.

No CPA, realiza sua primeira individual em 1973, expondo a obra audiovisual Objetos de Maria dos Anjos Ferreira, indicada pelo crítico Antônio Bento (1902-1988) a participar da Bienal de Paris, em 1975. No mesmo ano, realiza a instalação Fotos de Antonietta Clélia Rangel Forman, com mais de 2.500 imagens, slides e filmes sobre sua mãe. A instalação inaugura a Sala Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ).Passa a residir em Paris, onde realiza séries fotográficas de vitrines e, em 1976, participa da 37ª Bienal de Veneza com o projeto coletivo The Venetian Tools Project, do Grupo Écart, fundado em Genebra.

Em 1979, residindo em Nova York, participa da mostra Life Styles-ICA Films, no ICA Arts Centre Cinema, com o trabalho Films and Slides of Family and Friends in Brazil. Distancia-se do sistema artístico oficial, mas prossegue em sua dedicação ao desenho. Trabalha com Fabiano Canosa, programador do Public Theater, na organização de seu arquivo de cinema, e com Kynaston McShine (1935), curador do Museum of Modern Art (MoMA), no livro sobre o artista norte-americano Joseph Cornell (1903-1972).

Comentário crítico
O caráter silencioso da obra de Emil Forman, aparentemente destoante das agitações políticas da década de 1970, revela um embate com a massificação do sujeito e suas relações. As centenas de desenhos que produz em Nova York, bem como as fotografias de vitrines e eventos sociais, transitam entre a ironia, o vazio e a incomunicabilidade.

Suas obras, denominadas audiovisuais, são instalações que podem ser compostas de fotografias, áudios, filmes e slides. São orientadas pela ideia de acumulação que possui uma dada coleção. Suas montagens tentam exaurir a capacidade de exibição de um assunto. A instalação Objetos de Maria dos Anjos Ferreira reúne todos os vestígios que existiam de sua governanta, à época recém-falecida. Interessa-se em exibir o encerramento de um ciclo de objetos guardados, delimitado pelo percurso de uma vida.

Segundo o artista, as pessoas que tematizam os trabalhos não são escolhidas por um critério especial, mas pela facilidade de acesso a seus objetos.2 Expõe o audiovisual Fotos de Antonietta Clélia Rangel Forman, sobre sua mãe, que participa da produção das fotografias, sugerindo poses e situações. Todas as imagens de sua mãe são incluídas – autorretratos, 3x4, provas de contato, fotos publicadas em jornais e revistas – sem nenhuma exclusão de caráter técnico ou estético. As imagens exibidas fora de uma sequência cronológica promovem uma unificação temporal. O crítico Roberto Pontual (1939-1994) considera a obra umas das primeiras contribuições importantes no campo da fotolinguagem no Brasil, numa linha de pesquisa explorada pelo artista francês Christian Boltanski (1944).3

Notas
1 A Sala ou Área Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro existiu entre 1975 e 1978, promovendo a pesquisa estética de jovens artistas.
2 PONTUAL, Roberto. Quadro e enquadramento. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 7 ago. 1975, Caderno B,  p. 2.
3 PONTUAL, Roberto. Exposição da arte. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 5 dez. 1975, Caderno B, p. 2.

Exposições 9

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Fontes de pesquisa 10

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  • ARTE como questão: anos 70. Curadoria Glória Ferreira; versão em inglês Stephen Berg et al. São Paulo, SP: Instituto Tomie Ohtake, 2009.
  • CAMINHOS do contemporâneo: 1952/2002. curadoria e texto Lauro Cavalcanti. Rio de Janeiro, RJ: Paço Imperial/MINc IPHAN, 2002.
  • FORMAN, Emil. Emil Forman: inventário. Curadoria e texto Ileana Pradilla Cerón. Recife: Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, 2006. [16] p.Exposição realizada no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, no período de 11 maio a 9 jul. 2006.
  • FORMAN, Emil. Retrospectiva. Curadoria Antonio Manuel; Luis Ferreira. Texto Paulo Herkenhoff et al. Rio de Janeiro: Funarte, 1984. [24] p. Exposição itinerante realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Espaço Arte Brasileira Contemporânea, no período de 27 set. a 28 out. 1984 e no Museu de Arte Contemporânea USP, no período de 5 nov. a 8 dez. 1984.
  • LOPES, Fernanda. Área experimental: lugar, espaço e dimensão do experimental na arte brasileira dos anos 1970. São Paulo: Prestígio Editorial, 2013.
  • PONTUAL, Roberto. Bienal de Paris: brasileiros. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 18 set. 1975. Caderno B, p. 1.
  • PONTUAL, Roberto. Exposição da arte. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 5 dez. 1975, Caderno B, p. 2.
  • PONTUAL, Roberto. Quadro e enquadramento. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 7 ago. 1975, Caderno B, p. 2.
  • PRIMEIRA Pessoa. Curadoria Agnaldo Farias; Christine Greiner; Valdy Lopes Junior. São Paulo: Itaú Cultural, 2006. Exposição realizada no Itaú Cultural, no período de 11 nov. 2006 a 28 jan. 2007.
  • SYLOS, Gabriela. O aprisionamento da realidade. Jornal da USP, São Paulo, ano XXI, n. 736, 22 a 28 ago. 2005.

Como citar

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