Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Brito Broca

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.12.2014
06.10.1903 Brasil / São Paulo / Guaratinguetá
20.08.1961 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
José Brito Broca (Guaratinguetá, SP, 1903 - Rio de Janeiro, RJ, 1961). Crítico, ensaísta e jornalista literário. Começa a escrever crônicas para o jornal local, O Farol, ainda estudante. Em 1924, a repercussão de uma delas o obriga a deixar a cidade natal e mudar-se para São Paulo. Inicia, em 1927, a carreira de jornalista profissional no jornal...

Texto

Abrir módulo

Biografia
José Brito Broca (Guaratinguetá, SP, 1903 - Rio de Janeiro, RJ, 1961). Crítico, ensaísta e jornalista literário. Começa a escrever crônicas para o jornal local, O Farol, ainda estudante. Em 1924, a repercussão de uma delas o obriga a deixar a cidade natal e mudar-se para São Paulo. Inicia, em 1927, a carreira de jornalista profissional no jornal paulista A Gazeta, usando o pseudônimo Lauro Rosas. Em 1931, torna-se redator do jornal O Tempo, mas no ano seguinte, com o início da Revolução Constitucionalista, retorna a Guaratinguetá para ficar perto da família. Desde que inicia a atuação na imprensa, Broca tem sua produção de cronista apoiada em experiências pessoais e leituras ininterruptas. Porém, é apenas a partir de 1935, em A Gazeta, que ele se dedica exclusivamente à crônica literária, com o pseudônimo Alceste, inspirado em personagem do dramaturgo francês Molière (1622-1673). Muda-se para o Rio de Janeiro em 1937, onde trabalha como redator da editora José Olympio. Seu primeiro livro, Americanos, é lançado em 1944, reunindo crônicas escritas na imprensa até então. Por meio do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura (MEC), no qual trabalha, publica a obra A Vida Literária no Brasil - 1900, em 1956. O livro, inspirado no trabalho do francês André Billy, diretor de Histoire de la Vie Littéraire, integra um projeto com mais três volumes referentes aos períodos romântico e colonial, naturalista e modernista, mas é interrompido pela morte repentina, vítima de atropelamento próximo à Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, na madrugada de 20 de agosto de 1961. Parte do acervo de sua biblioteca pessoal encontra-se na biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL/Unicamp).

Comentário Crítico
Historiador das ideias, da cultura e da mentalidade literárias, Brito Broca descreve uma trajetória muito particular na crítica e na historiografia brasileiras, num momento de transição dos rodapés e da crítica jornalística para a pesquisa acadêmica, devido à especialização crescente do trabalho intelectual. Autodidata, ele transita da divulgação jornalística para um trabalho de pesquisa e erudição que busca sistematizar e interpretar "o quadro da evolução cultural brasileira", a partir do relacionamento concreto entre "o cotidiano sempre mesquinho, mesmo se pitoresco, da vida literária e o voo livre da criação", segundo observa Alexandre Eulálio (1932-1988).

A vida literária é compreendida por Broca "tanto no seu aspecto mais imediato dos usos e costumes das rodas de escritores, mesas de cafés e salões mundanos, como na vertente mais abstrata das modas estéticas, das famílias espirituais, dos modos de ver e de sentir do indivíduo e do grupo". Com o objetivo de examinar todo esse espectro, Broca projeta a execução de seu ambicioso políptico histórico-literário (como o define Alexandre Eulálio), composto de quatro volumes: o premiado livro, de 1956, A Vida Literária no Brasil - 1900, que traça um amplo painel da chamada belle époque brasileira, e outros três, nunca concluídos, dedicados respectivamente aos períodos romântico e colonial, naturalista e modernista.

As notas e os ensaios deixados pelo crítico, e que comporiam os demais volumes, acabam sendo recolhidos postumamente em outras obras, das quais são exemplos Românticos, Pré-Românticos e Ultra-Românticos: Vida Literária e Romantismo Brasileiro e Naturalistas, Parnasianos e Decadistas: Vida Literária do Realismo ao Pré-Modernismo. Nesses textos o crítico promove o mais convencional dos estudos de fontes, passando pelos comentários sobre as formas de sociabilidade literária (a boêmia dos cafés, rodas de escritores, agremiações literárias, salões mundanos etc.) e sobre aspectos peculiares da vida social e dos costumes da época, que encontram ressonâncias nas obras do período, até, inversamente, o exame das repercussões dos temas e mitos literários no universo cultural e social do século XIX.

Broca chega a publicar Americanos; Horas de Leitura, coletânea de ensaios sobre autores e temas diversos, dispersos em jornais e revistas; e Machado de Assis e a Política e Outros Estudos, em que, como o título indica, rompe certo lugar-comum em torno do suposto alheamento político do escritor fluminense. Ele organiza ainda outra coletânea de ensaios que, todavia, não chega a ver impressa: Pontos de Referência. Postumamente, são organizados e publicados outros tantos volumes recolhendo seu ensaísmo, como Papéis de Alceste (crônicas de A Gazeta, de São Paulo, lançadas entre 1939 e 1945, com o pseudônimo Alceste) e Ensaios da Mão Canhestra, em que, a despeito da modéstia do título, Broca evidencia sua intimidade literária não apenas com autores nacionais como José de Alencar (1829-1877), Coelho Neto (1864-1934), Raul Pompéia (1863-1895), mas também europeus, e tão distintos quanto Cervantes (1547-1616), Goethe (1749-1832) e Dostoievski (1821-1881). O mesmo vale dizer a respeito de Letras Francesas (1ª e 2ª séries), que reúne num só volume, graças ao empenho do amigo Francisco de Assis Barbosa (1914-1991), os artigos de Broca divulgados no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, de 1956 até sua morte.

Quando falece, Brito Broca deixa em fase adiantada de organização dois outros volumes: A Vida Literária no Brasil - Época Modernista, cujos originais, todavia, acabam por se extraviar, restando apenas, entre seus papéis, dois capítulos em versão final do ensaísta; e Quando Havia Província, livro de reminiscências, cuidadosamente recuperado por Assis Barbosa, no qual Flora Süssekind (1955) reconhece uma articulação com um tema caro ao imaginário romântico brasileiro, a volta à casa paterna, que Broca examina em mais de um ensaio.

Fontes de pesquisa 6

Abrir módulo
  • BARBOSA, Francisco de Assis. Um dom Quixote das letras. In: BROCA, Brito. A vida literária no Brasil - 1900. Rio de Janeiro: José Olympio: Academia Brasileira de Letras, 2005.
  • CARPEAUX, Otto Maria. O amigo perdido. In: BROCA, Brito. Memórias. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1968. xxvii, 243p. (Documentos Brasileiros v.135 ).
  • EULALIO, Alexandre. Prefácio. BROCA, Brito. Românticos, pré-românticos e ultra-românticos: vida literária e Romantismo brasileiro. São Paulo/Brasília: Polis/INL/MEC, 1979.
  • EULÁLIO, Alexandre. Broca (José) Brito. In:______. Escritos. Campinas: Editora da Unicamp; São Paulo: Editora da Unesp, 1992.
  • PRADO, Antonio Arnoni. Brito Broca ou injustiças de um revoltado. In: ______. Trincheira, palco e letras: crítica, literatura e utopia no Brasil. São Paulo: Cosac & Naify, 2006.
  • SÜSSEKIND, Flora. Brito Broca e o tema da volta à casa no romantismo. In: ______. Papéis colados. Rio de Janeiro: UFRJ, 1993.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: