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Hilda Hilst

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.04.2020
21.04.1930 Brasil / São Paulo / Jaú
04.02.2004 Brasil / São Paulo / Campinas
Registro fotográfico Mora Fuentes/Acervo Instituto Hilda Hilst

Hilda Hilst, déc. de 1960

Hilda de Almeida Prado Hilst (Jaú, São Paulo, 1930 - Campinas, São Paulo, 2004). Poeta, ficcionista, dramaturga e cronista. Explorando temas como divindade, insanidade e erotismo, produz uma obra multifacetada quanto ao gênero e à vertente literária. Embora seja por vezes vinculada ao modernismo, destaca-se pelo uso particular de modelos poético...

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Hilda de Almeida Prado Hilst (Jaú, São Paulo, 1930 - Campinas, São Paulo, 2004). Poeta, ficcionista, dramaturga e cronista. Explorando temas como divindade, insanidade e erotismo, produz uma obra multifacetada quanto ao gênero e à vertente literária. Embora seja por vezes vinculada ao modernismo, destaca-se pelo uso particular de modelos poéticos de outrora, como os clássicos e medievais.

Depois de seus pais se separarem, em 1932, muda-se com a mãe para Santos, e em 1937 vai para São Paulo. Cursa o primário e o ginásio no internato do Colégio Santa Marcelina e completa os estudos secundários no Instituto Mackenzie, em 1947. No ano seguinte, ingressa na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde se gradua em 1952. Sua estreia na publicação de livros ocorre em 1950, com o conjunto de poemas Presságio.

Por essa e outras obras iniciais, como Balada de Alzira (1951) e Balada do Festival (1955), Hilda é identificada primariamente com autores modernistas da geração de 45 ⎼ jovens que, segundo Antonio Candido (1918), manifestam impaciência com as impurezas literárias da geração que os antecede (os modernistas de 1930). A identificação deve-se ao emprego recorrente de formas fixas da tradição lírica.

Os primeiros livros de Hilda, definidos por Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) como "poesia de tipo literário" ⎼ aquela que recorre à tradição como forma de obter "êxito fácil" ⎼, serão excluídos pela própria autora da coletânea Poesia 1959/1967, uma reunião de tudo o que terá produzido até então.

Determinada a dedicar-se apenas à literatura, muda-se em 1966 para a chácara Casa do Sol, em Campinas. Nesse ano, morre seu pai, que desde 1935, diagnosticado esquizofrênico paranoico, passa por períodos de internação em hospitais psiquiátricos ⎼ episódios relacionados ao momento tornam-se motivos recorrentes na obra de Hilda.

Entre 1967 e 1969, ela escreve oito peças teatrais, parcialmente inéditas até 2009. Posteriormente, estreia na prosa, ao publicar Fluxo-Floema (1970). Com Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), há uma mudança em sua poesia. O livro, que é o primeiro de poemas após a estreia da autora na prosa e no drama, tem como novidade, segundo Nelly Novaes Coelho (1922), o aprofundamento da expressão da sexualidade. De acordo com Alcir Pécora, a partir desse momento, nota-se o impacto da prosa na configuração formal dos versos e é inaugurado o diálogo com modelos poéticos clássicos, como a canção de Petrarca (1304-1374) e Camões (1524-1580), somados às cantigas de amigo e à poesia árcade.

Se a poesia apresenta dicção elevada ⎼ determinada inclusive pela natureza dos temas: paixão, erotismo, morte e Deus ⎼, o mesmo não se mantém na prosa. Nesses escritos, a autora transita entre o vocabulário preciosista e arcaizante e o calão, entre indagações filosóficas e as incursões pelo bestialógico e o escatológico. Trata-se, aparentemente, de longos fluxos de consciência ⎼ que, na realidade, estão longe de qualquer fluidez, pois se voltam sempre para o próprio discurso, transformando-se, muitas vezes, em reflexões metalinguísticas.

Embora conte com alto reconhecimento da crítica literária, a autora, dizendo buscar o interesse dos leitores, anuncia na década de 1990 o abandono da literatura "séria" e a entrada na literatura pornográfica. A opinião especializada, entretanto, não tarda em identificar o anúncio como manobra de marketing, apontando a qualidade de O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990), Cartas de um Sedutor (1991), Contos d'Escárnio. Textos Grotescos (1992) e os poemas Bufólicas (1992).

Para Eliane Robert Moraes, esses escritos são obscenos, e não pornográficos; eles fazem parte da mesma tradição de Georges Bataille (1897-1962) e D.H. Lawrence (1885-1930). Segundo Pécora, estão longe da literatura banal, recolhendo "verdadeiras gemas da matéria baixa, como antes já fizeram em língua portuguesa autores excelentes como Gregório de Matos, Tomás Pinto Brandão, Bocage, Nicolau Tolentino, Bernardo Guimarães etc."1

Tais considerações mostram que, ao investir em temáticas, gêneros e modelos literários diversos, Hilda Hilst produz continuamente uma literatura de boa recepção por parte de público e crítica, independentemente das pretensões por ela declaradas.

 

Notas

1. PÉCORA, Alcir. Nota do organizador In: HILST, Hilda. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Editora Globo, 2003, pp. 12-13.

Espetáculos 15

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Exposições 7

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Fontes de pesquisa 14

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  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996.
  • CANDIDO, Antonio. Literatura e cultura de 1900 a 1945. In: ______. Literatura e Sociedade. São Paulo: T.A. Queiroz, 2000.
  • COELHO, Nelly Novaes. A poesia obscura/luminosa de Hilda Hilst e a metamorfose de nossa época. In: ______. A literatura feminina no Brasil contemporâneo. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 79-101.
  • FARIA, Idelma Ribeiro de. Hilda Hilst. In: CAMPOS, Milton de Godoy. Antologia poética da Geração de 45: 1a. série. São Paulo: Clube de Poesia, 1966. p.114-115.
  • FONTA, Sérgio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 2011.
  • GALVÃO, Walnice Nogueira. Mulheres e poetas. DO Leitura. São Paulo, v. 23, n. 1, p. 23-33, 1. sem. 2005.
  • HILDA Hilst. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1999. (Cadernos de literatura brasileira, 8).
  • HOLANDA, Sérgio Buarque de. O fruto proibido. Folha da Manhã, São Paulo, 2 set. 1952.
  • MEDINA, Cremilda de Araújo. Hilda Hilst. In: ______. A posse da terra: escritor brasileiro hoje. Lisboa, Imprensa Nacional/Casa da Moeda; São Paulo: Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, 1985. p. 237-248.
  • MORAES, Eliane Robert. Da medida estilhaçada. In: HILDA Hilst. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1999. (Cadernos de literatura brasileira, 8).
  • Planilha enviada pela pesquisadora Julia Alves Carvalhal.
  • Programa do Espetáculo - Gata em Teto de Zinco Quente - 1978.
  • PÉCORA, Alcir. Nota do organizador In: HILST, Hilda. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Editora Globo, 2003, pp. 12-13.
  • RIBEIRO, Léo Gilson. Os versos de Hilda Hilst, integrando a nossa realidade. Jornal da Tarde, São Paulo, 14 fev. 1980.

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