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Música

Agnaldo Timóteo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2021
16.10.1936 Brasil / Minas Gerais / Caratinga
03.04.2021 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Agnaldo Timóteo Pereira (Caratinga, Minas Gerais, 1936 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021). Cantor, compositor e político. Recordista em vendas de discos entre os anos 1960 e 1970, Agnaldo torna-se intérprete referência da canção romântica no Brasil, com voz grandiloquente e de acentuação dramática.

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Agnaldo Timóteo Pereira (Caratinga, Minas Gerais, 1936 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021). Cantor, compositor e político. Recordista em vendas de discos entre os anos 1960 e 1970, Agnaldo torna-se intérprete referência da canção romântica no Brasil, com voz grandiloquente e de acentuação dramática.

Começa a trabalhar ainda na infância em sua cidade natal. Dono de uma potência vocal incomum para crianças de sua idade, chama a atenção no programa de calouros da Rádio Caratinga. Aos 14 anos emprega-se no Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) e torna-se torneiro mecânico. Dois anos depois, segue para Governador Valadares (MG), onde trabalha em oficinas automotivas.

Influenciado por cantores populares como Cauby Peixoto (1931-2016) e Anísio Silva (1920-1989), Agnaldo começa a cantar em público, principalmente nos circos que visitam a cidade e nos programas da rádio Educadora Rio Doce. Pouco tempo depois, muda-se para Belo Horizonte em busca de melhores oportunidades para cantar.

Na capital mineira conhece o locutor Aldair Pinto (1922-2001), que o convida para participar de um programa de calouros na Rádio Guarani. Ao imitar Cauby Peixoto na rádio, torna-se famoso localmente como "Cauby Mineiro". Anísio Silva, ao escutar Agnaldo no rádio, apresenta-o ao jornalista e empresário José Kléber Lisboa. Agnaldo muda-se para o Rio de Janeiro em 1960, onde conhece Cauby Peixoto e apresenta-se em rádios e boates, enquanto trabalha de motorista para Kléber.

O radialista Jair de Taumaturgo (1920-1970), da Rádio Mayrink Veiga, apresenta Agnaldo no programa Hoje é Dia de Rock, que o torna conhecido do grande público. Com o reconhecimento, Agnaldo lança seu primeiro disco de 78 rotações pela gravadora Caravelle, e, no início de 1964, assina contrato com a Philips, e grava seu primeiro compacto duplo, contendo "Tortura de Amor", de Waldick Soriano (1933-2008).

Em 1965, Agnaldo Timóteo alcança sucesso televisivo. É destaque no programa Rio Hit Parade, da TV Rio, e interpreta a canção tema da novela A Grande Viagem, da TV Excelsior. Em 1966, seu primeiro LP, Surge Um Astro, torna-se sucesso de vendas e ultrapassa Jovem Guarda, de Roberto Carlos (1941) e Help, dos Beatles, nas paradas de sucesso. Seu compacto Mamãe, do mesmo ano, chega à primeira posição entre os mais vendidos do Brasil.

Agnaldo firma-se como o grande intérprete romântico do país. Seu repertório é consolidado por versões de sucessos internacionais e canções de compositores populares brasileiros, com destaque para as parcerias de Roberto e Erasmo Carlos (1941), como "Deixe-me Outro Dia, Menos Hoje", "Os Brutos Também Amam", "Frustrações" e "Meu Grito", cujo compacto alcança 600 mil cópias vendidas em 1968.

Compõe uma de suas primeiras canções, a balada "A galeria do Amor" (1975), uma referência à Galeria Alaska, então renomado ponto de encontro da comunidade LGBTQIA+ no Rio de Janeiro. Crônica social de um Rio de Janeiro marginalizado, a canção é ousada e progressista, levando em consideração que, na época, expressões artísticas com temática gay são censuradas pelo regime militar. Com o sucesso da balada, o cantor explora o mesmo tema em seus discos subsequentes.

Lança a canção "Perdido na Noite" (1976 ), no disco homônimo. Em 1977, "Eu, Pecador" é a última parte da trilogia da noite de Agnaldo Timóteo. Ao transgredir a rigidez moral e masculinizante imposta pelo estado de exceção brasileiro, o cantor também desafia a crítica musical especializada que costuma inferiorizar o papel social e estético da música popular dita "cafona". No rastro de seu sucesso, outros cantores também abordam, em certos casos de modo mais incisivo, a questão do homossexualismo na sociedade brasileira.

Em 1982, Agnaldo elege-se deputado federal pelo PDT com mais de 500 mil votos. A votação expressiva o anima a exercer longa carreira política, em alternância com a música. Volta ao cargo de deputado federal em 1995. Em 2005 elege-se para a Câmara Municipal de São Paulo, e é reeleito em 2008. Agnaldo atua com destaque na chamada Comissão da Verdade, criada naquela casa em 2012, para investigar as violações dos direitos humanos perpetradas pelo regime militar.

Comemorando 50 anos de carreira, o cantor lança em 2015 o CD e DVD 50 Anos na Estrada Asfaltada. Grava ainda mais dois discos de estúdio: Obrigado, Cauby (2017), em homenagem a Cauby Peixoto, e A Vida Continua (2019).

Agnaldo Timóteo, herdeiro do estilo empostado e altissonante dos cantores de rádio dos anos 1950, é presença constante da vida sócio-cultural do país na segunda metade do século XX. O cantor atravessa décadas e movimentos musicais, mantendo seu estilo romântico em suas canções e sua idiossincrasia na vida política.

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