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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Emílio de Menezes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
04.07.1866 Brasil / Paraná / Curitiba
08.06.1918 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
BiografiaEmílio Nunes Correia de Menezes (Curitiba PR 1866 - Rio de Janeiro RJ 1918). Poeta, cronista e jornalista. Na infância trabalha como ajudante de seu cunhado, um farmacêutico casado com sua irmã mais velha. Com cerca de 18 anos, torna-se conhecido na cidade por seu figurino extravagante e por suas piadas ferinas contra alguns inimigos. N...

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Biografia
Emílio Nunes Correia de Menezes (Curitiba PR 1866 - Rio de Janeiro RJ 1918). Poeta, cronista e jornalista. Na infância trabalha como ajudante de seu cunhado, um farmacêutico casado com sua irmã mais velha. Com cerca de 18 anos, torna-se conhecido na cidade por seu figurino extravagante e por suas piadas ferinas contra alguns inimigos. Nessa época, publica seus primeiros poemas no jornal Íris Paranaense. Em 1885, participa da encenação da comédia Amor de Inglês a Vapor, realizada por um grupo amador de teatro, antes do espetáculo O Navio Negreiro, do poeta Castro Alves (1847 - 1871). Dois anos depois, muda-se para o Rio de Janeiro, então capital do império, e é recebido na corte pelo comendador Antônio Álvares Pereira Coruja (1806 - 1889), importante político, educador e estudioso da língua e da gramática portuguesa do Brasil. Casa-se em 1888 com Maria Carlota Coruja, a filha do comendador, e torna-se pai no ano seguinte. Muda-se para Paranaguá, cidade no litoral do Paraná, em 1890, onde trabalha como escriturário no Departamento de Inspetoria Geral das Terras e Colonização. Volta ao Rio de Janeiro no ano seguinte e frequenta os cafés da Rua do Ouvidor com um grupo de artistas boêmios, entre os quais o poeta Olavo Bilac (1865 - 1918). Publica seu primeiro livro, Marcha Fúnebre, em 1893. Com o pseudônimo Emílio Pronto da Silva, escreve versos satíricos contra a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1896, ano de sua criação. Em 1898, recebe uma carta da poeta Rafaelina de Barros e abandona a esposa para viver pelo resto da vida com ela. Em 1909, reúne sua obra completa sob o título Poesias. Apesar das críticas à ABL, candidata-se a uma cadeira, em 1911, mas perde o posto para o médico sanitarista Oswaldo Cruz (1872 - 1917). Dois anos mais tarde, candidata-se novamente, é eleito, mas não toma posse, depois de ter o discurso censurado pela academia. Publica Últimas Rimas em 1917, um ano antes de seu falecimento. 

Comentário crítico
Desde a juventude, em Curitiba, Emílio de Menezes é conhecido pelo teor satírico dos poemas em que se posiciona contra algumas personalidades da sociedade. Paralelamente, o autor escreve versos mais austeros, com indagações sobre a morte e a vida além-túmulo. Essa vertente de sua produção compõe o repertório poético de seu primeiro livro, Marcha Fúnebre, de 1893. O esmero formal de seus sonetos é reconhecido por poetas parnasianos consagrados, como Olavo Bilac (1865 - 1918), já os temas mórbidos e obscuros recebem o apreço dos jovens poetas ligados ao simbolismo. 

O jornalista Humberto de Campos (1886 - 1934) assinala que a obra de Menezes surge tarde demais para ser considerada parnasiana e cedo demais para ser simbolista: seus poemas são uma transição entre as duas escolas literárias, assim como os do poeta Luiz Delfino (1834 - 1910), outro artista muito valorizado no fim do século XIX.

A produção mais "séria" - à qual se soma a publicação de Poemas da Morte (1901) - não afasta Menezes, entretanto, das composições satíricas, veiculadas em diversos jornais e revistas, ainda que muitas vezes elas sejam assinadas com pseudônimos. Outro uso recorrente do pseudônimo, como forma de desvincular o nome do autor de uma obra dita menor, se dá em seus sonetos publicitários, assinados como Gabriel D'Anúncio.

Como muitos poetas da época, Menezes escreve também poemas para campanhas políticas: entre suas contribuições encontram-se versos para o marechal Hermes da Fonseca (1855 - 1923), candidato à presidência em 1910. Apesar dos desafetos e da proximidade com o parnasianismo, principalmente no que concerne à forma, o autor é homenageado, em 1917, com um volume dedicado inteiramente a sua obra na revista O Pirralho, editada pelo poeta Oswald de Andrade (1890 - 1954).

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