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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Carlos Augusto Calil

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.09.2021
11.05.1951 Brasil / São Paulo / São Paulo
Carlos Augusto Machado Calil (São Paulo, São Paulo, 1951). Gestor cultural, professor universitário, diretor de cinema e escritor. Referência no campo do audiovisual e gestor com vasta trajetória no setor público, destacando-se as passagens pela Embrafilme e pela Cinemateca Brasileira, além da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (SMC).

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Carlos Augusto Machado Calil (São Paulo, São Paulo, 1951). Gestor cultural, professor universitário, diretor de cinema e escritor. Referência no campo do audiovisual e gestor com vasta trajetória no setor público, destacando-se as passagens pela Embrafilme e pela Cinemateca Brasileira, além da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (SMC).

Ingressa no curso de cinema da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) em 1969 e gradua-se em 1972. Sob a orientação de Paulo Emílio Sales Gomes (1916-1977), recebe o Prêmio Estímulo da Secretaria de Estado de Cultura em 1971 e desenvolve o documentário Acaba de Chegar ao Brasil o Bello Poeta Francez Blaise Cendrars, sobre a relação do novelista e poeta suíço e francês Blaise Cendrars (1887-1961) com os modernistas brasileiros.

É convidado por Alexandre Eulálio (1932-1988), então chefe de gabinete do secretário municipal de Cultura Sábato Magaldi (1927-2016), a assessorá-los como oficial de gabinete. Nesta função, entre 1975 e 1979, participa da elaboração dos projetos de construção do anexo da Biblioteca Mário de Andrade e do anexo do Theatro Municipal de São Paulo (TMSP), nenhum deles concretizado.

A fim de colaborar com a retomada da Fundação Cinemateca Brasileira, lesada após seu esgotamento financeiro agravado pelo incêndio de 1969, auxilia Paulo Emílio a atualizar a documentação e os balanços contábeis e, mais importante, a transformá-la em uma instituição centrada na salvaguarda e preservação do acervo. Em 1976, a Cinemateca é reconhecida pelo município como instituição de utilidade pública.

Em 1979, assume a diretoria de operações não comerciais da Embrafilme, empresa de economia mista estatal produtora e distribuidora cinematográfica para a promoção de produções nacionais no mercado interno, então dominado por empresas norte-americanas. Durante a gestão, concebe e inaugura o Centro Técnico Audiovisual, parceria com o National Film Board, do Canadá, que possibilita a construção de um centro de formação profissional.

Deixa a Embrafilme em 1986 e, no ano seguinte, retorna à Cinemateca como diretor. Cria a Sala Cinemateca, onde exibe mostras especiais, em 1989. Ao final de sua gestão, a sede da Cinemateca é transferida para o antigo matadouro municipal na Vila Clementino, em São Paulo, cujos edifícios históricos tombados passam a abrigar as salas de cinema, o centro de documentação e áreas de apoio e eventos. A reforma ainda possibilita a construção dos laboratórios de restauro de filmes, depósitos, arquivos de matrizes e áreas administrativas.

Desde 1987, atua como professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA/USP, além de criar o Curso Superior do Audiovisual. A docência torna-se a principal área de atuação a partir de 1992, quando decide se afastar da gestão pública, em parte, devido aos desgastes e à conjuntura da política nacional.

Ingressa no Centro Cultural São Paulo (CCSP) como diretor em 2001. Percebe que o maior ativo do centro cultural é a presença expressiva do público jovem, que apropria-se da instituição por ser “o lugar por excelência do adolescente”1, o que faz com que sua gestão caracterize-se pela valorização desses frequentadores, destinando recursos à melhoria do espaço e seu acesso, com a construção da passarela ligando-o ao metrô. Também investe na restauração e divulgação dos acervos da Discoteca Oneyda Alvarenga, Pinacoteca Municipal e Arquivo Multimeios.

Permanece no CCSP até 2005, quando assume a SMC, cargo que ocupa até 2012. O projeto de maior visibilidade é a criação da Virada Cultural, cuja primeira edição ocorre em 2005 e se insere na política de ocupação do centro da cidade. Outras iniciativas de destaque são a criação do Pavilhão das Culturas Brasileiras e do Centro Memória do Circo, bem como as reformas do Solar da Marquesa e da Casa Número Um (Casa da Imagem). Segundo sua avaliação, como a promoção artística já é bem executada por outros organismos, dedica-se a ações voltadas para a preservação e o bom funcionamento dos equipamentos municipais2. Assim, centra-se em três objetivos: a formação musical lírica a partir do Theatro Municipal, a promoção da leitura nas bibliotecas municipais, e a promoção da cultura nas periferias.

Quanto ao primeiro aspecto, promove a modernização do palco do Theatro e dá início à construção de seu anexo, a Praça das Artes, um dos maiores complexos culturais da América Latina, cujo primeiro módulo é inaugurado em 2012. O complexo sedia a Escola de Dança de São Paulo, a Escola Municipal de Música de São Paulo, e a Sala do Conservatório, além de abrigar os corpos artísticos do TMSP.

Em relação às bibliotecas, algumas de suas ações são: cria o Sistema Municipal das Bibliotecas, iniciativa para informatização e unificação dos acervos; expande o programa ônibus-biblioteca; implementa o programa de doação de livros “De Mão em Mão”; reforma 42 bibliotecas de bairro; e, por fim, promove na Biblioteca Mário de Andrade grande reforma administrativa, com a elevação a Departamento, em 2009, e das instalações, com a construção da Hemeroteca, em 2012.

A expansão para as periferias tem como principais realizações os centros culturais da Penha, Jabaquara, Cidade Tiradentes e o Centro Cultural da Juventude, onde são ofertados programas de formação técnica na área cultural para jovens de baixa escolaridade, visando à empregabilidade.

Com uma das gestões mais inovadoras à frente da SMC e importante produção no campo audiovisual, seja com a realização de documentários, seja com a edição de publicações, Calil empreende iniciativas essenciais ao percurso da institucionalização da cultura no país.

Notas

1. “O Centro Cultural, ao longo de sua existência, acabou protegido do abandono do poder público pelo seu público, formado por adolescentes e pré-vestibulandos. Esse público encontrou naquele lugar uma construção generosa, em que não é possível controlar a entrada nem a saída das pessoas. Um espaço livre do olhar de pai e de professor, ou seja, o lugar por excelência do adolescente. Quando assumi a direção, já era tomado por eles, que faziam pulsar o Centro Cultural. O que fizemos lá foi uma grande arrumação da casa, ocupando adequadamente os espaços ociosos.”. (CALIL, 2009, sem página). 

2. “O que a Secretaria de Cultura fez muito já, e fez bem, não tem porque criticar, faz sempre, é promoção de atividades artísticas. O que é o papel dela, mas não é o único papel dela. Por que não é o único papel dela? Porque a promoção de atividades artísticas o Sesc faz muito bem, talvez até melhor do que nós. O governo do estado também faz, o governo federal faz, todo mundo faz e a iniciativa privada também faz. Agora, a institucionalização ninguém faz, quer dizer, manter biblioteca direito, com livro no lugar, com catálogo, com janela aberta, com banheiro funcionando, com gente sorrindo e tal, ninguém faz. Está certo, e se ninguém faz, nós temos que fazer.” (CALIL, 2008, p.18).

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