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Música

Noel Rosa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.12.2020
11.12.1910 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
04.05.1937 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Noel Rosa, 1925

Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1910 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1937). Compositor, violonista e intérprete. Noel Rosa tem uma produção musical marcada pela síntese entre o cotidiano urbano carioca e as emoções humanas mais profundas e universais. Sua obra é caracterizada não apenas por seu aspecto inovador, mas tamb...

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Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1910 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1937). Compositor, violonista e intérprete. Noel Rosa tem uma produção musical marcada pela síntese entre o cotidiano urbano carioca e as emoções humanas mais profundas e universais. Sua obra é caracterizada não apenas por seu aspecto inovador, mas também por seu impressionante volume: produz aproximadamente 250 canções em apenas cinco anos (1930-1935).

Diferentemente de muitos sambistas, o compositor cresce em um bairro carioca de classe média, Vila Isabel. É alfabetizado pela mãe, professora. Com ela, aprende a tocar bandolim e, com o pai, violão. Ingressa na escola regular e se forma em 1928. 

A vida artística começa no conjunto amador Flor do Tempo, que se transforma em Bando dos Tangarás (1929), formado por artistas como João de Barro (1907-2006) e Almirante (1908-1980), seu primeiro biógrafo. Ao mesmo tempo começa a frequentar com assiduidade a vida boêmia de Vila Isabel e da Lapa. Em 1930 inicia a carreira individual com a gravação de seu maior sucesso "Com que Roupa?", que se torna um clássico da canção brasileira, rememorado em diferentes situações. Em 1931, começa a compor de maneira sistemática e em quantidade, produzindo canções como "Cordiais Saudações", "Quem Dá Mais?" e "Gago Apaixonado". No mesmo ano, entra na faculdade de medicina, mas abandona o curso no ano seguinte, pois é incompatível com a carreira artística em evolução.

Se, de um lado, essa origem social de Noel Rosa e a condição de estudante universitário justificam a originalidade e profundidade de suas formulações poéticas; de outro, a convivência com diversos sambistas populares, como Ismael Silva (1905-1978) e Cartola (1908-1980), e sua vivência como compositor de marchinhas e sambas demonstram a importância de Noel para a decantação do samba-canção, que aflora entre as mudanças ocorridas no Rio de Janeiro nas décadas de 1920 e 1930.

Essa formulação sofisticada sintetizada pelo compositor permite a ele captar essas diversas experiências e transportá-las para formatos mais adequados aos meios de comunicação da época. Percebe, então, que o modelo de canção que ele produz para o samba é destinado ao mundo do rádio e do disco. E a fórmula que procura é aquela que pode lhe dar condição de viver de suas atividades artísticas.

Assim, em 1932, é contratado pela Rádio Philips como contrarregra no programa do Casé, apresentando-se também como cantor. A partir desse momento, seu universo profissional e artístico se expande, revelando-se nas várias parcerias – como Lamartine Babo (1904-1963), Ismael Silva, Francisco Alves (1898-1952) – e nas excursões por São Paulo e pelo Sul do Brasil. Nesse contexto, conhece Vadico (1910-1962), com quem estabelece marcante parceria, iniciada com "Feitio de Oração" (1933), seguida por "Pra que Mentir" (1934), "Feitiço da Vila" (1934) e "Conversa de Botequim" (1935). 

O ano de 1933 dá início a um período criativo e produtivo, com dezenas de canções gravadas por ele e outros intérpretes, tais como "Positivismo" – com Orestes Barbosa (1893-1966), "O Orvalho Vem Caindo", "Três Apitos" e "Não Tem Tradução"com André Filho (1906-1974). É nesse ano também que ocorre a polêmica musical1 com o compositor Wilson Batista (1913-1968), que redunda em canções como "Rapaz Folgado" (1933), "Feitiço da Vila" (1934) e "Palpite Infeliz" (1935).

Em 1934, continua no mesmo ritmo de boêmia e de trabalho, gravando e compondo bastante para o rádio e teatro musicado. 

As composições de Noel Rosa revelam uma incrível variedade de temas. Muitas vezes são compreendidas como autênticas crônicas do diversificado e moderno cotidiano carioca, revelando seus bairros, eventos, personagens, a boêmia, a malandragem. Outras vezes, fazem crítica política e social por meio de letras bem-humoradas. O humor, inclusive, é eixo central, sobretudo nas marchinhas carnavalescas e nas músicas destinadas ao teatro musicado. A contrapartida ao humor e à felicidade aparente é a apresentação do sofrimento, de problemas, hipocrisias e misérias humanas. "Último desejo" é um exemplo deste grupo.

Essa dinâmica variada, fundada nesses contrapontos que se equilibram com humor e ironia, é cantada por Noel de maneira inovadora. Apesar de ter recebido o apelido de “Filósofo do Samba”, suas letras estão ancoradas justamente no fato de ele não pensar mais em "poesia" de forma tradicional e sim na canção popular. Isto é, sua escritura é coloquial, curta, e está diretamente interessada nas linhas rítmicas e melódicas presentes no cotidiano do mundo urbano. É desse modo que ele sintetiza um padrão ideal da canção no samba, que se realiza na própria melodia e em sua pulsação rítmica. 

A obra de Noel Rosa é consolidada e lembrada não apenas pelo registro histórico que faz, mas também por expressar as dores e as alegrias humanas, com uma riqueza e simplicidade que fazem de Noel um compositor singular da música popular brasileira.

Nota: 

1. A polêmica teve início com a música "Rapaz Folgado", réplica de Noel Rosa à canção "Lenço no Pescoço" (1933), de Wilson Baptista. Ver: ALZUGUIR, Rodrigo. Polêmica! In: BLOG do IMS, [S.l.], 10 set. 2012. Música. Disponível em: https://blogdoims.com.br/polemica-por-rodrigo-alzuguir/. Acesso em: 11 dez. 2020.

Obras 4

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Espetáculos 1

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Fontes de pesquisa 12

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  • ALMIRANTE. No tempo de Noel Rosa. Série radiofônica, 1951, Coleção Collector's, Petrópolis.
  • ALZUGUIR, Rodrigo. Polêmica! In: BLOG do IMS, [São Paulo], 10 set. 2012. Música. Disponível em: https://blogdoims.com.br/polemica-por-rodrigo-alzuguir/. Acesso em: 11 dez. 2020.
  • CASTRO, Filipe Di (ed.). Polêmica Noel Rosa x Wilson Batista. Rádio Batuta. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 27 jun. 2013. Disponível em: https://radiobatuta.com.br/programa/polemica-noel-rosa-x-wilson-batista/. Acesso em: 11 dez. 2020.
  • CHEDIAK, Almir, Noel Rosa. Songbook,4 volumes, Lumiar Ed., 1991.
  • DIDIER, Carlos, MAXIMO, João, Noel Rosa. Uma biografia. Brasília, Ed. UnB, 1990.
  • DOMINGUES, Henrique Foreis (Almirante). No Tempo de Noel Rosa. 2.ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora S.A., 1977.
  • Fontes de Pesquisa.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da Música Popular Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo: Art Editora,1977. 2 v.
  • MARIZ, Vasco. A canção Brasileira: erudita, folclórica, popular. 3.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
  • Nova História da Música Popular Brasileira, Noel Rosa, SP, Editora Abril, 1977.
  • SANDRONI, Carlos. Feitiço decente. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed./Ed.UFRJ, 2001.
  • TINHORÃO, José Ramos, História social da música popular brasileira, SP, Ed 34, 1998.

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