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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Luis Aranha

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.03.2017
17.05.1901 Brasil / São Paulo / São Paulo
29.06.1987 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Luis Aranha Pereira (São Paulo SP 1901 - Rio de Janeiro RJ 1987). Poeta e diplomata. Filho de Antonio Veriano Pereira e Maria de Barros Aranha. Estuda no Colégio dos Irmãos Maristas até 1919. Em meados de 1921, com a publicação do artigo "O meu poeta futurista", de Oswald de Andrade (1890 - 1954), conhece a poesia de Mário de Andrade (1893 - 194...

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Biografia

Luis Aranha Pereira (São Paulo SP 1901 - Rio de Janeiro RJ 1987). Poeta e diplomata. Filho de Antonio Veriano Pereira e Maria de Barros Aranha. Estuda no Colégio dos Irmãos Maristas até 1919. Em meados de 1921, com a publicação do artigo "O meu poeta futurista", de Oswald de Andrade (1890 - 1954), conhece a poesia de Mário de Andrade (1893 - 1945) e, logo após, o próprio escritor, com quem sua família tem relações por morarem próximos. Apresenta a ele poemas que mostram inovação em relação ao ambiente literário reinante na época e passa a frequentar a sua casa, tomando contato com outros modernistas de primeira hora. Participa da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, e, a partir de junho, com regularidade bimensal, colabora na Revista Klaxon até o último número desta, publicando os poemas "Aeroplano", "Pauliceia desvairada", "Crepúsculo" e "Projetos". Depois disso, abandona a poesia e se torna aluno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, concluindo o curso em 1926. Aprovado em concurso, ingressa no Ministério das Relações Exteriores, em que exerce diversos cargos. Em 1933, casa-se com Dulce Lajes. A partir de 1934, reside em vários países por causa da carreira diplomática, que encerra como embaixador no Ceilão (atual Sri Lanka), ao se aposentar por idade. Em 1984, é lançado o livro Cocktails, por iniciativa do poeta Nelson Ascher (1958), com base nos poemas publicados em Klaxon e nos que integram um datiloscrito entregue por Luis Aranha a Mário de Andrade na década de 1920.

Análise

A produção poética de Luis Aranha, embora reduzida, traduz intensamente o espírito da primeira fase do modernismo brasileiro. Dos seus 26 poemas conhecidos, alguns ainda trazem traços de uma poética tradicional nas rimas e no tratamento dos temas, mas a maioria se serve da subversão sintática, da montagem, da simultaneidade, de recursos da propaganda e do cinema em versos livres e brancos para falar sobre elementos da vida moderna, como a eletricidade, o telegrama e o automóvel.

A crítica dá atenção especial aos seus três poemas longos. Em "Drogaria de éter e de sombra", que evoca sua experiência como balconista de farmácia, o éter na atmosfera leva o eu-lírico a delírios quixotescos, que faz os objetos do local parecerem inicialmente os de uma novela de cavalaria; mostra-se aí um dos recursos mais explorados pelo poeta, a associação de imagens, que aproxima preocupações comerciais, amorosas, informações geográficas e científicas. No "Poema Pitágoras", as associações envolvem a astronomia e a geometria, revelando o desejo pueril de tornar palpáveis os objetos de estudo, como no trecho: "Enrolando-o na fieira da Via Láctea/ Joguei o pião da Terra". Imagem semelhante se encontra no "Poema Giratório", em que a febre provocada por escarlatina (doença que acometeu Aranha na infância) é o fator de rotação dos pensamentos e do globo terrestre, que se eletriza, em estado convulsivo, expressando o desejo do menino acamado de "viajar por todo o mundo". O dinamismo desses poemas revela seu caráter de épica da civilização urbano-industrial, apontado pelo crítico José Lino Grünewald (1931 - 2000) - uma épica que não se prende ao nacionalismo defendido por muitos modernistas.

Fontes de pesquisa 7

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  • ANDRADE, Mário de. Luis Aranha ou a poesia preparatoriana. In: _______. Aspectos da literatura brasileira. São Paulo: Martins, 1974. p. 47-87
  • ARANHA, Luis. Aeroplano. Klaxon: mensário de arte moderna, São Paulo, n. 2, 15 jun. 1922. p. 7-8
  • ARANHA, Luis. Cocktails: poemas. São Paulo: Brasiliense, 1984.
  • ARANHA, Luis. Crepúsculo. Klaxon: mensário de arte moderna, São Paulo, n. 6, 15 out. 1922. p. 3-4
  • ARANHA, Luis. Pauliceia desvairada. Klaxon: mensário de arte moderna, São Paulo, n. 4, 15 ago. 1922. p. 11
  • ARANHA, Luis. Projectos. Klaxon: mensário de arte moderna, São Paulo, n. 8-9, dez. 1922 - jan. 1923. p. 18-19
  • CHAMIE, Mário. Entre o giro e a mirada comum. In: A linguagem virtual. São Paulo: Quíron: Conselho Estadual de Cultura, 1976. p. 48-57

Como citar

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