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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Guilherme de Almeida

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.06.2020
24.07.1890 Brasil / São Paulo / Campinas
11.07.1969 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Guilherme de Almeida, s.d.

Guilherme de Andrade e Almeida (Campinas, São Paulo, 1890 - São Paulo, São Paulo, 1969). Poeta, tradutor, dramaturgo e ensaista. Passa a infância no interior de São Paulo. Em 1903, muda-se com a família para a capital paulista, onde cursa a Faculdade de Direito, formando-se em 1912. O início da carreira literária dá-se em 1916 com a publicação d...

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Biografia

Guilherme de Andrade e Almeida (Campinas, São Paulo, 1890 - São Paulo, São Paulo, 1969). Poeta, tradutor, dramaturgo e ensaista. Passa a infância no interior de São Paulo. Em 1903, muda-se com a família para a capital paulista, onde cursa a Faculdade de Direito, formando-se em 1912. O início da carreira literária dá-se em 1916 com a publicação das peças teatrais em francês Mon coeur balance e Leur âme, ambas escritas em parceira com o escritor Oswald de Andrade (1890-1954). Lança-se na poesia no ano seguinte, com a publicação de Nós. Seguem-se então outros títulos, como A dança das horas (1919) e A flor que foi um homem: Narciso (1921). Torna-se, então, poeta de grande sucesso. Em 1922 participa da Semana de Arte Moderna e passa a divulgar os princípios do movimento. Funda, juntamente com Oswald de Andrade, Mário de Andrade (1893-1945), Sérgio Milliet (1898-1966) e outros, a revista Klaxon, principal meio de divulgação do ideário modernista. Continua a propagar tal ideário em 1925, quando percorre o Brasil, visitando estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul, fazendo palestras sobre o movimento e lendo poemas de autores modernistas. No mesmo ano publica os livros de poemas Meu e Raça, nos quais adota a estética de 1922. É o primeiro modernista a ser eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), assumindo sua cadeira em 1930. Em 1932 participa ativamente da Revolução Constitucionalista de São Paulo, alistando-se voluntariamente como soldado. Devido a esta atuação política, é preso e exilado, indo viver em Portugal até 1933. Durante a estada no país elabora o volume em prosa Meu Portugal. Sua participação na Revolução também rende alguns poemas, como "Moeda Paulista" e "Nossa Bandeira". Em 1959 é eleito, pelo jornal Correio da Manhã, o "Príncipe dos poetas brasileiros. Ao longo de sua carreira realiza diversas traduções de relevância, como as dos poetas Paul Verlaine (1844-1896) e Charles Baudelaire (1821-1867). Traduziu, ainda, a peça Huis Clos, de Jean-Paul Sartre (1905-1980). Entre as décadas de 1920 e 1940 escreve para o jornal O Estado de São Paulo, atuando como crítico de cinema.

Análise

A poesia de Guilherme de Almeida anterior a 1922 caracteriza-se pela intensa influência do parnasianismo e do simbolismo, correntes literárias predominantes no Brasil durante o final do século XIX e começo do século XX. De Nós (1917) a Era uma vez (1922), a lírica do autor é marcada pela temática crepuscular, cara ao simbolismo, e pelas rígidas formas fixas - sobretudo o soneto - priorizada pelo parnasianismo.

A partir de seu engajamento na Semana de Arte Moderna de 1922, sua poesia assume dicção modernista, embora conjugada a certo tom simbolista e à fixidez formal parnasiana. Em Meu, sua primeira obra de fato modernista, o poeta alterna o verso livre - uma das grandes conquistas do movimento - com o verso tradicional. Em poemas como "Humorismo", por exemplo, o tom modernista faz-se presente na temática - um Sol atrapalhado e preguiçoso que, nas alturas, tropeça e cai na Terra entre sapos e grilos - e também na forma mais despojada, composta de versos livres. O poeta, no entanto, jamais prescinde das rimas, tal como aparece em "Humorismo": "uma nuvenzinha alva como um lenço / para enxugar as primeiras estrelas / silêncio". Nesse sentido, vale lembrar que o virtuosismo técnico de Guilherme de Almeida é uma das características mais marcantes de sua obra, como ressaltam os críticos Sérgio Milliet e Alfredo Bosi (1936).

Durante a fase modernista, a poesia de Almeida conjuga temas e recursos poéticos de movimentos estéticos contraditórios: simbolismo, parnasianismo e modernismo figuram muitas vezes em um mesmo poema, evidenciando o quanto o autor não efetua, como alguns de seus colegas de geração, um efetivo rompimento com o passadismo.

Em Encantamento (1925), livro publicado em seu "ano modernista",1 o poema "Branca de Neve" apresenta imagens simbolistas ("Amei-te ...e amei-te, figurinha aluada,/ porque nunca exististe e porque sei / que o sonho é tudo - e tudo o mais é nada"); o poema "Cinema" conjuga o tema moderno com imagens passadistas ("Na grande sala escura / só teus olhos existem para os meus / olhos cor de romance e de aventura,/ longos como um adeus"). Já o poema "Cubismo", embora aluda, pelo título, à moderna vanguarda europeia, é composto por um rígido sistema de rimas e métricas. No entanto, a imagem central do poema é a do arlequim, figura modernista por excelência.

A partir de 1929, com Simplicidade, Almeida encerra definitivamente sua fase modernista; o tom e a linguagem decadentistas, além do domínio da métrica portuguesa, voltam a predominar em sua obra. Neste período, o poeta entra em contato com a forma oriental do haikai. Trata-se de poemas condensados, compostos apenas de três versos que abordam, comumente, questões como a espiritualidade, a natureza e a fugacidade do tempo. Almeida estuda detidamente esta forma poética e torna-se o primeiro poeta brasileiro a elaborar haikais.

Almeida demonstra notável habilidade poética na escrita de seus haikais, imprimindo-lhes forma bastante original. Tradicionalmente, os haikais tratam do mundo rural; Guilherme de Almeida, no entanto, não hesita em elaborar haikais com temas urbanos ("Fios. Alarido. / Assaltos de pedra. Asfaltos / E um lenço perdido"). Outra característica original dos haikais de Almeida são as rimas, uma vez que raramente elas figuram nesta forma poética. Nestes condensados poemas de Guilherme, os primeiros versos rimam com os terceiros, e nos segundos há uma rima interna, na segunda e sétima sílabas: "Na cidade, a lua: / a jóia branca que bóia / na lama da rua". Com os haikais, Almeida trabalha de forma original e interessante temas que sempre estiveram presentes em sua obra, como a espiritualidade, o tempo e a transcendência. Essa produção constitui o ponto alto de sua poesia.

Nota

1 A expressão é de Alfredo Bosi em História Concisa da Literatura Brasileira.

Obras 8

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Exposições 1

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Eventos relacionados 7

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Fontes de pesquisa 3

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  • BOSI, Alfredo. Guilherme de Almeida. In: ______. História concisa da literatura brasileira. 32. ed. rev. e aum. São Paulo: Cultrix, 1994. 528 p.
  • MILLIET, Sérgio. Poesia vária. In: ALMEIDA, Guilherme. Poesia vária. São Paulo: Cultrix, s.d.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado

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