Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Guilherme de Almeida

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.12.2022
24.07.1890 Brasil / São Paulo / Campinas
11.07.1969 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Guilherme de Almeida, s.d.

Guilherme de Andrade e Almeida (Campinas, São Paulo, 1890 – São Paulo, São Paulo, 1969). Poeta, tradutor, dramaturgo e ensaísta. Conhecido principalmente por sua poesia e seu papel ativo na fundação do modernismo no Brasil, Guilherme de Almeida tem intensa atividade intelectual também em outras esferas, sendo um dos maiores nomes da literatura b...

Texto

Abrir módulo

Guilherme de Andrade e Almeida (Campinas, São Paulo, 1890 – São Paulo, São Paulo, 1969). Poeta, tradutor, dramaturgo e ensaísta. Conhecido principalmente por sua poesia e seu papel ativo na fundação do modernismo no Brasil, Guilherme de Almeida tem intensa atividade intelectual também em outras esferas, sendo um dos maiores nomes da literatura brasileira. 

Forma-se na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, em 1912. Inicia sua carreira literária em 1916 com a publicação das peças teatrais em francês Mon coeur balance e Leur âme, ambas escritas em parceria com Oswald de Andrade (1890-1954). Lança-se na poesia no ano seguinte, com a publicação de Nós. Seguem-se a essa publicação outros títulos, como A dança das horas (1919) e Era uma vez... (1922), que o tornam poeta de grande sucesso.

Essa fase se caracteriza pela grande influência do parnasianismo e do simbolismo, correntes literárias predominantes no Brasil durante o final do século XIX e começo do século XX. Nela, a lírica do autor é marcada pela temática crepuscular, cara ao simbolismo, e pelas rígidas formas fixas — sobretudo o soneto — priorizadas pelo parnasianismo.

Em 1922 participa da Semana de Arte Moderna e passa a divulgar os princípios do movimento. Funda, com Oswald de Andrade, Mário de Andrade (1893-1945), Sérgio Milliet (1898-1966) e outros artistas da época, a Revista Klaxon, principal meio de divulgação do modernismo. A partir desse engajamento, sua poesia assume dicção modernista, embora conjugada a certo tom simbolista e à fixidez formal parnasiana presente em publicações anteriores. 

Em Meu (1925), sua primeira obra de fato modernista, o poeta alterna o verso livre — uma das grandes conquistas do movimento — com o verso tradicional. Em poemas como "Humorismo", por exemplo, o tom modernista faz-se presente na temática — “um Sol atrapalhado e preguiçoso que, nas alturas, tropeça e cai na Terra entre sapos e grilos” — e também na forma mais despojada, composta de versos livres. O poeta, no entanto, jamais prescinde das rimas, como se pode perceber em outro momento do mesmo poema: "uma nuvenzinha alva como um lenço / para enxugar as primeiras estrelas / silêncio". Nesse sentido, vale lembrar que o virtuosismo técnico do poeta é uma das características mais marcantes de sua obra, como ressaltam os críticos Sérgio Milliet e Alfredo Bosi (1936-2021).

No mesmo ano, publica também os livros de poemas Raça e Encantamento. Essa intensa produção com características marcantes do modernismo concentrada no ano de 1925 leva Alfredo Bosi a nomear esse período como “ano modernista”1.  Nessa fase, conjuga temas e recursos poéticos de movimentos estéticos contraditórios: simbolismo, parnasianismo e modernismo figuram, muitas vezes, em um mesmo poema, evidenciando o quanto o autor não efetua, como alguns de seus colegas de geração, um efetivo rompimento com o passadismo.

Em Encantamento (1925), por exemplo, o poema "Branca de Neve" apresenta imagens simbolistas ("Amei-te ...e amei-te, figurinha aluada, / porque nunca exististe e porque sei / que o sonho é tudo – e tudo o mais é nada"); o poema "Cinema" conjuga o tema moderno com imagens passadistas ("Na grande sala escura / só teus olhos existem para os meus / olhos cor de romance e de aventura, / longos como um adeus"). Já o poema "Cubismo", embora aluda, pelo título, à moderna vanguarda europeia, é composto por um rígido sistema de rimas e métricas. No entanto, a imagem central do poema é a do arlequim, figura modernista por excelência.

A partir de 1929, com Simplicidade, Almeida encerra definitivamente sua fase modernista; o tom e a linguagem decadentistas, além do domínio da métrica portuguesa, voltam a predominar em sua obra. Nesse período, o poeta entra em contato com a forma oriental do haikai — poema composto apenas de três versos que aborda, comumente, questões como a espiritualidade, a natureza e a fugacidade do tempo —  e se torna o primeiro poeta brasileiro a elaborar poemas desse tipo.

Almeida demonstra notável habilidade poética na escrita de seus haikais, imprimindo-lhes forma bastante original. Um exemplo dessa originalidade são as rimas, uma vez que raramente elas figuram nessa forma poética. Nesses condensados poemas, os primeiros versos rimam com os terceiros, e nos segundos há uma rima interna, na segunda e sétima sílabas: "Na cidade, a lua: / a jóia branca que boia / na lama da rua". Com os haikais, o poeta trabalha de forma original e interessante temas que sempre estiveram presentes em sua obra, como a espiritualidade, o tempo e a transcendência. Essa produção constitui o ponto alto de sua poesia.

Tamanha notabilidade rende a ele uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL), que assume em 1930, sendo o primeiro modernista a ser eleito pela instituição. Em 1932, participa ativamente da Revolução Constitucionalista de São Paulo, alistando-se voluntariamente como soldado. Devido à atuação política, é preso e exilado. Vive em Portugal até 1933, ano em que publica o volume em prosa Meu Portugal, um conjunto de crônicas elaboradas durante o exílio. Em 1959 é eleito, pelo jornal Correio da Manhã, o "Príncipe dos poetas brasileiros”. 

A inquestionável contribuição de Guilherme de Almeida para a literatura faz dele um dos mais brilhantes poetas brasileiros. Seu rigor estético aliado à habilidade de conciliar princípios artísticos contrastantes produz uma obra original, que condensa a eterna contradição do nacionalismo brasileiro: o velho e o novo.
 
Nota

1. A expressão é de Alfredo Bosi em História concisa da literatura brasileira.

Obras 7

Abrir módulo

Espetáculos 7

Abrir módulo

Exposições 3

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 3

Abrir módulo
  • BOSI, Alfredo. Guilherme de Almeida. In: ______. História concisa da literatura brasileira. 32. ed. rev. e aum. São Paulo: Cultrix, 1994. 528 p.
  • MILLIET, Sérgio. Poesia vária. In: ALMEIDA, Guilherme. Poesia vária. São Paulo: Cultrix, s.d.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: