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Artes visuais

Elisário Bahiana

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.11.2020
04.12.1891 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
14.08.1980 Brasil / São Paulo / São Paulo
Elisiário Antônio da Cunha Bahiana (Rio de Janeiro RJ 1891 - São Paulo SP 1980). Ingressa, em 1908, na Escola Nacional de Belas Artes - Enba do Rio de Janeiro, onde seu pai e seu tio, os arquitetos Henrique Oscar da Cunha Bahiana e Gastão Bahiana, são professores. Interrompe os estudos em 1911, indo trabalhar com o primo, o oficial da marinha El...

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Biografia

Elisiário Antônio da Cunha Bahiana (Rio de Janeiro RJ 1891 - São Paulo SP 1980). Ingressa, em 1908, na Escola Nacional de Belas Artes - Enba do Rio de Janeiro, onde seu pai e seu tio, os arquitetos Henrique Oscar da Cunha Bahiana e Gastão Bahiana, são professores. Interrompe os estudos em 1911, indo trabalhar com o primo, o oficial da marinha Elisiário Pereira Pinto. No ano seguinte é contratado pela Diretoria de Obras Hidráulicas e Construção Civil do Arsenal Marinho, onde permanece até 1916, quando é nomeado desenhista da Estrada de Ferro Itapura-Corumbá. Retoma os estudos na Enba em 1918, destacando-se como o melhor aluno até se formar, em 1920, quando recebe a Grande Medalha de Prata. De 1920 a 1927, trabalha no Rio de Janeiro com os arquitetos Enoch da Rocha Lima, Mário dos Santos Maia e Joseph Gire e com a Sociedade Comercial e Construtora Ltda, com quem realiza também projetos em São Paulo, para onde se transfere definitivamente em 1930. Em 1942 deixa a construtora e busca sem sucesso estabelecer-se como arquiteto autônomo até se associar à Construtora Francisco W. de Santoro, onde permanece até a aposentadoria.

Em 1943 inicia sua atividade docente na Escola de Engenharia, que posteriormente dá origem a Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, onde dá aulas de prática profissional e paisagismo até 1970. Leciona também na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP nos anos 1950. É membro do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - Crea, como representante das escolas de engenharia (1946 a 1949) e das faculdades de arquitetura (1952 a 1954). A obra do arquiteto faz parte do acervo de projeto da biblioteca da FAU/USP.

Análise

Representante de uma geração de arquitetos formados nas primeiras décadas do século XX, Elisiário Bahiana se destaca pela construção de ícones da paisagem urbana paulistana das décadas de 1930 e 1940, como o Viaduto do Chá, 1934/1938, e os edifícios Saldanha Marinho, 1929/19331 e João Brícola, 1936/1939. Sua produção, bem como a de parte de seus contemporâneos, identificada como art déco, impulsiona o desenvolvimento da arquitetura moderna no Brasil, seja através do emprego de novas tecnologias, como a do concreto armado, seja através da adoção de uma linguagem geométrica abstrata quase totalmente despojada de ornamentos.

Recém-formado, Bahiana atua no Rio de Janeiro entre 1920 e 1927, destacando-se no cenário arquitetônico nacional ao projetar com o arquiteto francês Joseph Gire a sede do jornal A Noite, 1927/1930. Considerado um dos edifícios em concreto armado mais alto da América Latina durante a década de 1930 - com 24 andares e 102,5 metros -, sua estrutura é dimensionada pelo engenheiro Emílio Henrique Baumgart, responsável pelo cálculo estrutural do edifício do Ministério da Educação e Saúde - MES, 1936/1945, no Rio de Janeiro.

Inspirado pelo arquiteto francês Auguste Perret, Bahiana busca uma arquitetura que seja a expressão da nova tecnologia do concreto armado. Essa busca, contudo, não se desenvolve como no MES, ou seja, não implica na adoção dos cinco pontos da arquitetura moderna de Le Corbusier, nem na exploração de suas possibilidades técnicas e plásticas tal como ocorre na produção de Oscar Niemeyer. Ela se dá no âmbito da composição, revelando o vínculo do arquiteto carioca com a tradição acadêmica aprendida na Escola Nacional de Belas Artes - Enba. De fato, analisando os edifícios A Noite, Saldanha Marinho, João Brícola (antiga sede do Mappin Stores na Praça Ramos de Azevedo) e Jóquei Club de São Paulo, 1935/1941, percebe-se que o arquiteto ainda se apoia no método de composição Beaux-Arts - no qual Perret também é treinado. Todos eles são marcados pelo desenvolvimento tripartite das fachadas - base, corpo e coroa - e pela definição rigorosa dos eixos perpendiculares entre si que organizam não só a disposição dos ambientes internos como também as fachadas, garantindo assim uma desejada simetria da composição. As formas que nascem do concreto armado se expressam, portanto, na ênfase nas linhas verticais dada pela volumetria, pelo desenho das aberturas e pela adoção de elementos decorativos especialmente localizados na base e no coroamento do edifício.

A atenção dada à estrutura, à economia formal de seus edifícios, mas ao mesmo tempo a permanência de certo preceitos acadêmicos, especialmente os vinculados à composição, fazem com que os historiadores da arquitetura considerem Elisiário Bahiana um arquiteto de transição, entre a tradição Beaux-Arts e a arquitetura moderna. Avaliação semelhante é realizada com relação ao estilo art déco. Ultimamente, as linhas de sua arquitetura tem sido reavaliadas pelo seu papel pioneiro no processo de metropolização e modernização de São Paulo, como sedes de rádios, cinemas e arranha-céus, e são consideradas, assim como os edifícios de Bahiana, as mais modernas ou futuristas do período.

Nota

1 Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat em 1986.

Exposições 3

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Fontes de pesquisa 11

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  • ALVIM, Zuleika; PEIRÃO, Solange. Mappin setenta anos. São Paulo: Ex Libris, 1985.
  • CAMPOS, Vitor José Baptista. O art-déco na arquitetura paulistana: uma outra face do moderno. 1996. 273f. Dissertação (Mestrado em arquitetura e urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
  • GATI, Catharina. Entre o pastiche e o moderno. Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n. 91, ago. 2000. Seção Documento. Disponível em: [http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/91/imprime24320.aps]. Acesso em: 18 de jun. 2009.
  • PINHEIRO, Maria Lucia Bressan. Arquitetura residencial verticalizada em São Paulo nas décadas de 1930 e 1940. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 16, n. 1, p. 109-149, jan./jun. 2008.
  • PINHEIRO, Maria Lúcia Bressan. Modernizada ou moderna?: a arquitetura em São Paulo, 1938-45. 1997. 356p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
  • SANTOS, Luciene Ribeiro dos. Os professores de projeto da FAU-USP (1948-2018): esboços para a construção de um centro de memória. 478f. 2018. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, 2018. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16134/tde-18092018-163855/publico/MElucieneribeirodossantos_rev.pdf. Acesso em: 21 nov. 2020.
  • SEGAWA, Hugo. Elisiário Bahiana e a arquitetura art déco. Projeto, São Paulo, n. 67, p. 14-22, set. 1984.
  • SEGAWA, Hugo. Modernidade pragmática 1922-1943. In: ______. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. 2. ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • SEGAWA, Hugo. Modernidade pragmática: uma arquitetura dos anos 1920/40 fora dos manuais. Projeto, São Paulo, n. 191, p. 73-84, nov . 1995.
  • ______. Modernizada ou moderna?: a arquitetura em São Paulo, 1938-45. 1997. 356p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
  • ______. O art-déco na arquitetura paulistana: uma outra face do moderno. 1996. 273f. Dissertação (Mestrado em arquitetura e urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.

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