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Menotti Del Picchia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.05.2021
20.03.1892 Brasil / São Paulo / São Paulo
23.08.1988 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Menotti Del Picchia, s.d.

Paulo Menotti del Picchia (São Paulo, São Paulo, 1892 - idem 1988). Poeta, contista, romancista, cronista, ensaísta, jornalista, autor de histórias infantis e político. Filho do jornalista Luiz Del Picchia e de Corina Del Corso, inicia os estudos em Campinas, São Paulo, concluindo-os no Ginásio Diocesano São José, em Pouso Alegre, Minas Gerais. ...

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Biografia
Paulo Menotti del Picchia (São Paulo, São Paulo, 1892 - idem 1988). Poeta, contista, romancista, cronista, ensaísta, jornalista, autor de histórias infantis e político. Filho do jornalista Luiz Del Picchia e de Corina Del Corso, inicia os estudos em Campinas, São Paulo, concluindo-os no Ginásio Diocesano São José, em Pouso Alegre, Minas Gerais. Retorna à capital paulista e ingressa na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Estreia na literatura com o livro Poemas do Vício e da Virtude, em 1913. No ano seguinte, passa a residir em Itapira, São Paulo, onde trabalha como advogado e dirige os jornais Diário de Itapira e O Grito!. Publica em 1917 os poemas Moisés e Juca Mulato, este considerado sua obra-prima. Em 1919, trabalha como redator-chefe da Tribuna de Santos, onde que permanece por um ano. Novamente na capital paulista, assume a direção do jornal A Gazeta e inicia a colaboração para o Correio Paulistano, veículo em que fará, sob o pseudônimo Hélios, uma das mais contundentes defesas do movimento modernista. Participa da Semana de Arte Moderna, em 1922, coordenando a segunda noite do evento. Nos anos seguintes integra, com o poeta Cassiano Ricardo (1985-1974) e o escritor Plínio Salgado (1895-1975), os grupos Verde-Amarelo e Anta, agremiações político-literárias de caráter nacionalista que se opunham ao movimento pau-brasil de Oswald de Andrade (1890-1954). Convidado por Assis Chateaubriand (1892-1968), assume a direção do jornal Diário da Noite em 1933. Em 1936, integra o grupo A Bandeira, movimento cultural fundado por Cassiano Ricardo, de caráter também nacionalista e responsável pela edição da revista Anhanguera. Dois anos depois, é indicado pelo governador Ademar de Barros (1901-1969) para a direção do Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, renomeado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Em 1942, dirige o jornal A Noite. No ano seguinte, toma posse da cadeira número 28 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Entre 1926 e 1962, ocupa por diversas vezes os cargos de deputado estadual e federal. Na cidade de Itapira, é inaugurada, em 1987, a Casa Menotti Del Picchia, instituição responsável pela manutenção e preservação do seu acervo.

Análise da trajetória
A importância histórica de Menotti del Picchia para o Modernismo brasileiro é consensualmente reconhecida: para além de ter sido o responsável pela apresentação dos pressupostos estéticos durante a Semana de Arte Moderna, o autor militou em favor do movimento em sua coluna diária no Correio Paulistano, tornando-se assim um de seus principais cronistas.

Embora tenha atuado na linha de frente do movimento e da organização da Semana de Arte Moderna de 1922, Menotti del Picchia desenvolveu obra ainda influenciada pelas correntes estéticas com as quais o Modernismo procurou romper. Nos diversos gêneros a que se dedicou nota-se o desencontro entre sua prática literária e a revolta de forma e conteúdo por ele mesmo propagada.

O livro de estreia, Poemas do Vício e da Virtude (1913), apresenta tom grandiloquente e imagens preciosas, movendo-se ainda pela inspiração romântica, como revela o trecho de "Cantiga do Sapateiro":

"Desditoso e contrafeito
eu numa ânsia me debato:
ela voltar, como um louco,
nem que morra dentro em pouco,
tiro o coração do peito
dele faço um sapato?".

Em 1917, inaugura-se uma importante vertente na obra do autor: a dos poemas dramáticos, no seu caso dirigidos mais à leitura que à encenação. Nesse ano são publicados Moisés, cuja inspiração bíblica dará origem também a Jesus (1958), e Juca Mulato, com que se notabilizou. Este livro antecipa, apesar da persistência na idealização romântica, um dos temas centrais ao Modernismo: a busca pelo dado essencialmente nacional, revelada na figura do caboclo cuja paixão impossível pela filha da patroa se retrata em versos pitorescos e ritmados, com fluência próxima à oralidade.

A aproximação efetiva com a estética modernista se inicia com Chuva de Pedra (1925), que desmistifica a visão romântica expressa nos livros anteriores, e se consolida em República dos Estados Unidos do Brasil (1928), com versos livres em torno de assuntos nacionais. A afinidade de Picchia com autores como Mário de Andrade (1893-1945) e Alcântara Machado (1901-1935) se faz notar em poemas como "Torre de Babel", em que canta as diferentes nacionalidades formadoras da cidade de São Paulo:

"[?] Italianos joviais,
húngaros de olhos de leopardo,
aboclos de Tietê arrastando o caipira[?]".

No que diz respeito à obra em prosa, o autor dedicou-se a narrativas de aventura e ficção científica - esses seus escritos foram por ele mesmo considerados obras menores: sobre A República 3000 (1930), afirmou se tratar de "zona recreativa que não confina sequer com o plano da arte". O projeto do autor de atingir leitores não cultos - razão talvez para o grande sucesso popular de Juca Mulato - leva Alfredo Bosi (1936) definir o conjunto desta produção como "singular no contexto modernista, no sentido de uma descida de tom (um maldoso diria: de nível) que lhe permitiu aproximar-se do leitor médio e roçar pela cultura de massa".

Obras 1

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Espetáculos 4

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Exposições 15

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Fontes de pesquisa 1

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  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado

Como citar

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