Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Menotti Del Picchia

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.05.2022
20.03.1892 Brasil / São Paulo / São Paulo
23.08.1988 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Menotti Del Picchia, s.d.

Paulo Menotti del Picchia (São Paulo, São Paulo, 1892 – Idem, 1988). Poeta, contista, romancista, cronista, ensaísta, jornalista, autor de histórias infantis, político. O escritor é um dos maiores nomes do Modernismo brasileiro.

Texto

Abrir módulo

Paulo Menotti del Picchia (São Paulo, São Paulo, 1892 – Idem, 1988). Poeta, contista, romancista, cronista, ensaísta, jornalista, autor de histórias infantis, político. O escritor é um dos maiores nomes do Modernismo brasileiro.

Inicia os estudos em Campinas, São Paulo, concluindo-os no Ginásio Diocesano São José, na cidade mineira de Pouso Alegre. Retorna à capital paulista e ingressa na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. 

Estreia na literatura com o livro Poemas do vício e da virtude, em 1913. O livro apresenta tom grandiloquente e imagens preciosas, movendo-se ainda pela inspiração romântica, como revela o trecho de "Cantiga do Sapateiro":

[...] Desditoso e contrafeito
eu numa ânsia me debato:
ela voltar, como um louco,
nem que morra dentro em pouco,
tiro o coração do peito
dele faço um sapato? [...]

Em 1914, passa a residir em Itapira, no interior paulista, onde trabalha como advogado e dirige os jornais Diário de Itapira e O Grito!. Em 1917, inaugura uma importante vertente poética em sua obra: a dos poemas dramáticos, no seu caso dirigidos mais à leitura que à encenação. Nesse ano são publicados Moisés – cuja inspiração bíblica dá origem anos mais tarde a Jesus (1958) – e Juca Mulato, obra com a qual se notabiliza. Esse livro antecipa, apesar da persistência na idealização romântica, um dos temas centrais ao Modernismo: a busca pelo dado essencialmente nacional, revelada na figura do caboclo, cuja paixão impossível pela filha da patroa se retrata em versos pitorescos e ritmados, com fluência próxima à oralidade.

Em 1919, trabalha como redator-chefe da Tribuna de Santos, periódico no qual permanece por um ano. Novamente na capital paulista, assume a direção do jornal A Gazeta e inicia a colaboração para o Correio Paulistano, veículo em que faz, sob o pseudônimo Hélios, uma das mais contundentes defesas do movimento modernista. Participa da Semana de Arte Moderna de 1922, coordenando a segunda noite do evento. Nos anos seguintes integra, com o poeta Cassiano Ricardo (1985-1974) e o escritor Plínio Salgado (1895-1975), os grupos Verde-Amarelo e Anta, agremiações político-literárias de caráter nacionalista que se opunham ao movimento Pau-Brasil, encabeçado por Oswald de Andrade (1890-1954)

Embora tenha atuado na linha de frente do movimento e da organização da Semana de Arte Moderna de 1922, desenvolve obra ainda influenciada pelas correntes estéticas com as quais o Modernismo procura romper. Nos diversos gêneros a que se dedica, nota-se o desencontro entre sua prática literária e a revolta de forma e conteúdo por ele propagada.

A aproximação efetiva com a estética modernista se inicia com Chuva de pedra (1925), que desmistifica a visão romântica expressa nos livros anteriores, e se consolida em República dos Estados Unidos do Brasil (1928), com versos livres em torno de assuntos nacionais. A afinidade de Picchia com Mário de Andrade (1893-1945) e Alcântara Machado (1901-1935) se faz notar em poemas como "Torre de Babel", em que canta as diferentes nacionalidades formadoras da cidade de São Paulo:

[...] Italianos joviais,
húngaros de olhos de leopardo,
caboclos de Tietê arrastando o caipira [...]

No que diz respeito à obra em prosa, o autor se dedica a narrativas de aventura e ficção científica – escritos considerados obras menores pelo próprio autor. Sobre A República 3000 (1930), afirma se tratar de "zona recreativa que não confina sequer com o plano da arte". O projeto do autor de atingir leitores não cultos – razão talvez para o grande sucesso popular de Juca Mulato – leva o crítico literário Alfredo Bosi (1936-2021) a definir o conjunto desta produção como "singular no contexto modernista, no sentido de uma descida de tom (um maldoso diria: de nível) que lhe permitiu aproximar-se do leitor médio e roçar pela cultura de massa".

Convidado por Assis Chateaubriand (1892-1968), assume a direção do jornal Diário da Noite em 1933. Em 1936, integra o grupo A Bandeira, movimento cultural fundado por Cassiano Ricardo, de caráter também nacionalista e responsável pela edição da revista Anhanguera. Dois anos depois, é indicado pelo governador Ademar de Barros (1901-1969) para a direção do Serviço de Publicidade e Propaganda do Estado de São Paulo, renomeado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Em 1942, dirige o jornal A Noite. No ano seguinte, toma posse da cadeira número 28 da Academia Brasileira de Letras (ABL). 

Entre 1926 e 1962, ocupa por diversas vezes os cargos de deputado estadual e federal. Na cidade de Itapira, é inaugurada, em 1987, a Casa Menotti del Picchia, instituição responsável pela manutenção e preservação do acervo do autor.

De fundamental importância para a literatura brasileira, Menotti del Picchia é o responsável pela apresentação dos pressupostos estéticos durante a Semana de Arte Moderna e tem a coragem de militar a favor do movimento em sua coluna diária no Correio Paulistano, tornando-se um dos principais cronistas do periódico. A importância histórica de Menotti del Picchia para o Modernismo brasileiro é consensualmente reconhecida e o seu legado artístico permanece até os dias de hoje.

Obras 1

Abrir módulo
Coleção Brasiliana Itaú / Reprodução Fotográfica Horst Merkel

Espetáculos 4

Abrir módulo

Exposições 15

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 7

Abrir módulo
  • BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2004.
  • CAMPOS, Maria José. Versões modernistas da democracia racial em movimento: estudo sobre as tragetórias e as obras de Menotti Del Picchia e Cassiano Ricardo até 1945, 368 p. Tese (Doutorado em Antropologia Social). São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2007.
  • FRIAS, Rubens Eduardo Ferreira. “Uma poesia entre a tenaz tradição e o futuro em transe”. In: PICCHIA, Menotti del. Melhores poemas. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2004. p. 9-16.
  • MOISÉS, Massaud. História da literatura brasileira, Vol. V, Modernismo (1922-Atualidade). São Paulo: Cultrix, 1996.
  • PICCHIO, Luciana Stegagno. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1997.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado
  • STURARI, Marlene. De Pero Vaz de Caminha a Menotti Del Picchia: alguns motivos edênicos na literatura de viagens dos séculos XVI e XVII e no modernismo, 132 p. Dissertação (Mestrado em Literatura Brasileira). São Paulo, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2006.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: