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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Frei Santa Rita Durão

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.02.2016
1722 Brasil / Minas Gerais / Mariana
24.01.1784 Portugal / Distrito de Lisboa / Lisboa
Reprodução Fotográfica Horst Merkel

Caramuru, 1781
Frei Santa Rita Durão
Brasiliana Itaú/Acervo Banco Itaú

Frei José de Santa Rita Durão (Mariana MG 1722 - Lisboa, Portugal 1784). Poeta. clérigo e teólogo. Filho de Paulo Rodrigues Durão e Anna Garcês de Morais. Deixa o Brasil em 1731 para estudar em Lisboa, onde ingressa, em 1737, na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, cuja regra professa no ano seguinte. Em Coimbra, estuda Teologia e Filosofia po...

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Biografia
Frei José de Santa Rita Durão (Mariana MG 1722 - Lisboa, Portugal 1784). Poeta. clérigo e teólogo. Filho de Paulo Rodrigues Durão e Anna Garcês de Morais. Deixa o Brasil em 1731 para estudar em Lisboa, onde ingressa, em 1737, na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, cuja regra professa no ano seguinte. Em Coimbra, estuda Teologia e Filosofia por sete anos, após o que se torna presbítero. Leciona Teologia em Braga, por cinco anos, e depois em Coimbra, onde também conclui doutoramento em 1756. Em 1759, escreve textos assinados pelo bispo de Leiria, D. João Cosme da Cunha (1715 - 1783), acusando os jesuítas do recente atentado contra o rei D. José I (1714 - 1777), a fim de promover aproximação com o ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal (1699 - 1782). Pouco depois, apesar dos serviços prestados, se indispõe com o bispo e, após dois anos de perseguição no ambiente eclesiástico, foge de Portugal. Sofre várias adversidades nas cidades por que passa até ser recebido, em 1764, pelo Papa Clemente XIII e lhe entregar documentos que expõem a intriga contra os jesuítas e seu arrependimento. Em Roma, trabalha na biblioteca Lancisiana e depois atua como sacerdote na Congregação dos Passionistas. Volta a Portugal após a morte de D. José I, em 1777, e ocupa cadeira de Teologia em Coimbra. Em 1781, publica o poema épico Caramuru, mas se frustra com a sua recepção no ambiente literário.

Comentário Crítico
A epopeia Caramuru (1781), único poema que Durão publica em livro, focaliza a colonização do Brasil a partir da história do náufrago português Diogo Álvares Correia, que descobre a Bahia e conquista a confiança de índios antropófagos locais a ponto de se casar com a nativa Paraguaçu e lhes incutir a fé católica.

A escolha desse fato histórico, ao qual se junta também muito de lendário, revela-se estratégica diante do interesse do autor em defender a atuação da Companhia de Jesus na colônia (o que se explicita no Canto X) e assim reforçar sua oposição ao Marquês de Pombal. Nesse sentido, o crítico Antonio Candido (1918) indica a religião como "princípio organizador do poema" e o herói europeu que recebe o nome indígena Caramuru como símbolo que assinala o "nascedouro de uma cultura mista".

Nos compêndios de literatura brasileira, embora se estude Durão no contexto do Arcadismo, reconhecem-se suas diferenças em relação a essa escola, para a qual, na busca do equilíbrio, a razão supera a fé. É comum a comparação entre Caramuru e a epopeia O Uraguai (1769), do poeta Basílio da Gama (1741 - 1795), seja pelas posições divergentes quanto aos jesuítas, seja pelas opções formais: ao invés dos versos brancos dos cinco cantos deste, Durão retoma o modelo camoniano de decassílabos em oitava rima distribuídos em dez cantos. Apesar do contraste, ambos são valorizados pelos românticos como seus precursores pela temática indígena de que partilham, vista como indicadora do caráter nacional.

Obras 1

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Reprodução Fotográfica Horst Merkel

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