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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Vinicius de Moraes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.05.2021
19.10.1913 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
09.07.1980 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Vinícius de Moraes, 1975

Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes (Rio de Janeiro RJ 1913 - idem 1980). Poeta, compositor de música popular, cronista e crítico de cinema. Pertencente a uma família de intelectuais, com formação católica. Faz no colégio jesuíta Santo Inácio o curso secundário e participa do coro nas missas de domingo. Os estudos musicais lhe rendem, em 192...

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Biografia
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes (Rio de Janeiro RJ 1913 - idem 1980). Poeta, compositor de música popular, cronista e crítico de cinema. Pertencente a uma família de intelectuais, com formação católica. Faz no colégio jesuíta Santo Inácio o curso secundário e participa do coro nas missas de domingo. Os estudos musicais lhe rendem, em 1928, o primeiro sucesso, com composição realizada em parceria dos amigos Paulo e Haroldo Tapajós. Ingressa na faculdade de direito e adere ao grupo católico formado pelo escritor Otávio de Faria, o pensador San Thiago Dantas e o jurista Américo Jacobina Lacombe, entre outros. Conclui o curso em 1933, ano em que lança o primeiro livro, Forma e Exegese. Estuda língua e literatura inglesa na Universidade de Oxford, Inglaterra, até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, quando, de volta ao Brasil, escreve regularmente crítica de cinema para jornais e revistas. A partir de 1943, ingressa na carreira diplomática e presta serviços consulares em diversos países, até 1968, quando em virtude de oposições à ditadura militar é exonerado do cargo. A década de 1950 marca o início de sua dedicação à música popular, da composição de seus primeiros sambas e de sua participação na criação da bossa nova, ao lado de Antônio Carlos Jobim (1927 - 1994), com o lançamento do disco Canção do Amor Demais, em 1958, interpretado por Elizeth Cardoso. A lírica de Vinicius torna-se mundialmente conhecida, em 1959, quando o filme Orfeu Negro, uma adaptação de sua peça Orfeu da Conceição, realizada pelo diretor francês Marcel Camus, é premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebe o Oscar de melhor filme estrangeiro. Os últimos anos do poeta são dedicados principalmente à música, período que ele vive entre turnês nacionais e internacionais, acompanhado de Toquinho (1946), seu parceiro mais constante.

Comentário crítico
A trajetória poética de Vinicius de Moraes é dividida em dois períodos. O primeiro é definido como transcendentalista e nele se incluem o livro de estreia, O Caminho para a Distância, (renegado e recolhido depois pelo poeta), Forma e Exegese, Ariana, a Mulher e algumas das composições de Novos Poemas. Nesse período, percebe-se a influência da poesia católica francesa e de Augusto Frederico Schmidt (1906 - 1965). O caráter místico, cristão, responde pelos conflitos marcantes entre os anseios físicos e espirituais. Formalmente, a poesia dessa época é marcada pelo emprego do versículo bíblico, inspirado na lição do poeta francês Paul Claudel (1868 - 1955).

Há um marco de transição para o segundo momento da poesia de Vinicius de Moraes representado por Cinco Elegias, um sopro de renovação de tema, forma e linguagem. É o caso, sobretudo, da Última Elegia, com seus neologismos, a mistura do português e do inglês e a própria disposição gráfica dos versos de abertura na página, evocando os telhados (roofs) de Chelsea, em Londres. A publicação desse livro conta com uma acolhida entusiasta da parte de seus contemporâneos. Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), por exemplo, logo no poema de abertura de seu principal livro de inspiração social, A Rosa do Povo, vai saudar Vinicius como um de seus poetas-irmão, instalando-o ao lado de Vladimir Maiakóvski (1893 - 1930), Guillaume Apollinaire (1880 - 1918), Pablo Neruda (1904 - 1973) e Murilo Mendes (1901 - 1975), justamente por causa de sua "límpida elegia". O próprio Vinicius assinala que, em Cinco Elegias, as duas tendências de sua poesia fundem-se na busca de uma sintaxe própria e ele alcança, afinal, a libertação contra os valores e preconceitos do meio em que é criado e que marcam de modo angustioso sua formação.

O segundo momento de sua poesia é marcado pela rejeição do idealismo dos primeiros livros e, em contrapartida, pela aproximação do mundo material. Marco dessa mudança, O Falso Mendigo (incluído em Novos Poemas) é claramente escrito em oposição ao transcendentalismo do período anterior. Agora, o verso longo não desaparece totalmente, mas o poeta experimenta formas diversificadas, como o soneto, o verso curto, a redondilha, o decassílabo e até o verso alexandrino (de 12 sílabas). Além disso, abandona o tom melancólico, a dicção grave e as imagens etéreas dos primeiros livros, dando lugar a uma expressão mais viva, atento ao transitório e aderindo à realidade mais imediata. Não falta mesmo nesse período a poesia de inspiração social, de que é exemplo o conhecido O Operário em Construção.

Mário de Andrade (1893 - 1945), ao comentar Novos Poemas, chama atenção para o que há de preocupação com a pesquisa da forma e do artesanato nesse novo período, diferentemente da mera adesão anterior de Vinicius à simples fórmula do versículo claudeliano. Numa perspectiva mais crítica, entretanto, Péricles Eugênio da Silva Ramos (1919 - 1992) diz que, apesar de se voltar para a pesquisa de dicção e de assunto, Vinicius não chega a alcançar uma expressão irredutivelmente própria. Até como sonetista ele não descobre "o seu modo imperativo de dizer, o que já levava Mário de Andrade a caracterizá-lo como hesitante no que se refere ao 'conceito e forma soneto'. Boa parte de seus sonetos, com efeito, são pastiches quinhentistas; outros revelam-se incolores, mas há também alguns valiosos, como o Soneto da Separação, em que o poeta vitaliza essa expressão banal que é 'de repente'; o Soneto de Outono, por sua força de enquadramento visual; o Soneto de Despedida".

Diferentemente de Silva Ramos, Manuel Bandeira (1886 - 1968), ao avaliar o conjunto da obra de Vinicius de Moraes, diz que ele soube incorporar magistralmente o mais relevante nas tendências e escolas literárias com que dialoga de perto, como a espiritualidade dos simbolistas, a perícia formal dos parnasianos "e, finalmente, homem de seu tempo, a liberdade, a licença, o esplêndido cinismo dos modernos".

No vasto conjunto da produção literária de Vinicius de Moraes, vale uma menção à peça teatral escrita em 1954: trata-se de Orfeu da Conceição, que reatualiza a história mítica de Orfeu e Eurídice no contexto das favelas cariocas. A peça estreia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1956, com cenários de Oscar Niemeyer (1907 - 2012), trilha musical de Antônio Carlos Jobim (1927 - 1994) e letras do próprio poeta. A peça alcança projeção internacional, pois em 1958, baseado nela, Marcel Camus (1912 - 1982) lança o filme Orfeu Negro, logo depois premiado com a Palma de Ouro, o Oscar e o Globo de Ouro.

Obras 8

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Espetáculos 26

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Espetáculos de dança 1

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Exposições 13

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Palestras 1

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Fontes de pesquisa 3

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  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • ARENA conta Zumbi. São Paulo: Teatro de Arena, 1965. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Arena. Não catalogado
  • TEIXEIRA, Isabel (Coord.). Arena conta arena 50 anos. São Paulo: Cia. Livre da Cooperativa Paulista de Teatro, [2004]. CDR792A681

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