Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Cíntia Moscovich

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.11.2020
15.03.1958 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Cíntia Moscovich Faccioli (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1958). Contista, cronista, romancista e jornalista. Integrante da Geração 90, Cíntia Moscovich vem compondo, no conto e no romance, uma obra centrada na reflexão das experiências da mulher e no peso da tradição judaica sobre seus descendentes.

Texto

Abrir módulo

Cíntia Moscovich Faccioli (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1958). Contista, cronista, romancista e jornalista. Integrante da Geração 90, Cíntia Moscovich vem compondo, no conto e no romance, uma obra centrada na reflexão das experiências da mulher e no peso da tradição judaica sobre seus descendentes.

De ascendência judaica, estuda no Colégio Israelita Brasileiro, formando-se em 1976. Gradua-se em comunicação social na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) em 1981. Ingressa na faculdade de letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas não conclui o curso. Muda-se, em 1983, para Dois Irmãos, Rio Grande do Sul, onde permanece por três anos, e retorna a Porto Alegre. 

Decide dedicar-se à escrita após participar, entre 1995 e 1996, de oficina de criação literária na PUC/RS, coordenada por Luiz Antonio de Assis Brasil (1945). Por sugestão do escritor, transforma em romance a narrativa “Duas iguais”, vencedora em 1995 do Concurso de Contos Guimarães Rosa, do Departamento de Línguas Ibéricas da Rádio France Internationale, de Paris, e  lança, em 1998, Duas iguais – Manual de Amores e Equívocos Assemelhados. A obra, que narra a história de amor entre Clara e Ana, em sua gênese e impossibilidades, justapõe questões da homoafetividade e elementos da cultura judaica, como aponta a pesquisadora Virgínia Vasconcelos Leal: “O amor entre duas mulheres, que não pode ser expresso, é aproximado à tradição judaica, na qual o nome de Deus também é impronunciável, algo que não pode ser representado tampouco por imagens, mas apenas pelo tetragrama YHWH, que significa ‘Eu sou quem sou’”1.

Defende mestrado em teoria literária na PUC/RS, em 2000, em seguida trabalha como diretora do Instituto Estadual do Livro (IEL), de 2001 a 2002, e depois como editora da seção de livros do jornal Zero Hora, em que permanece até 2005. 

As implicações da religiosidade, os papéis de gênero e as relações familiares na vida das mulheres podem também ser observadas em Por que Sou Gorda, Mamãe (2006) e no conto “A fome e a vontade de comer”, de Anotações Durante o Incêndio (2000).

No romance, uma escritora, ao se dar conta de que engordou 22 quilos em quatro anos, dedica-se a rever a relação com a mãe. Entre a busca por amor e o medo da frustração, entre o afeto e a rebeldia, a obesidade se revela como metáfora para os traumas étnicos e familiares. Movimento parecido acontece na narrativa curta: é por meio da comida que a protagonista Ana retornará ao seio e às influências da família, a despeito do constante esforço em fugir de seu legado. Os dois textos ilustram também o diálogo que a obra estabelece com a tradição. 

O modelo para o livro de 2006 é Carta ao Pai, do escritor checo Franz Kafka (1883-1924), do qual, entretanto, há o distanciamento progressivo. O conto “A Fome e a Vontade de Comer”, por sua vez, recupera passagens bíblicas e demonstra a proximidade da autora com escritos como os de Freud. Nos contos, aliás, há referências constantes a autores como Clarice Lispector (1920-1977), Machado de Assis (1839-1908) e o argentino Jorge Luís Borges (1899-1986).

A obra de Cíntia Moscovich, interessada sobretudo em investigar os sentimentos e a forma como se reage a eles, tece ainda reflexões sobre as relações amorosas (heterossexual e entre mulheres), o enfrentamento das perdas e a solidão, frequentemente unindo o tom lírico ao humorístico ou irônico.

Nota:

1. Cf. LEAL, Virgínia Maria Vasconcelos. “A difícil expressão do amor em Duas Iguais, de Cíntia Moscovich”. In: DEALTRY, Giovanna; LEMOS, Masé; CHIARELLI, Stefania (org.). Alguma prosa. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007.

Eventos relacionados 7

Abrir módulo

Mídias (1)

Abrir módulo
Cíntia Moscovich - Enciclopédia Itaú Cultural
A escritora e jornalista Cíntia Moscovich afirma que, quando começou a escrever, o fez por um caminho equivocado: o da poesia. “Era uma poesia lamentável, sofrível, ordinária, rastaquera e babaquara. Um troço muito ruim.” Ela só descobre que pode fazer prosa aos 35 anos. “A frustração que eu tive na poesia me preparou para enfrentar a prosa”, acredita. Seus textos, diz, são marcados por seu bairro, o Bonfim, em Porto Alegre, pelo judaísmo e por um tom intimista. “O tom intimista eu não pratico, muito embora a literatura traga o que há de mais interior, mais íntimo meu. Mas não creio que seja intimista no sentido de ser confessional, porque não creio numa literatura sem ação”, explica. Para Cíntia, a escrita feminina é como uma “assombração”. “É uma coisa que não existe, mas que amedronta a gente, justamente por ser um restritivo que tende a limitar a literatura, que se pretende uma atividade ampla e universal.”

Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 1

Abrir módulo
  • LEAL, Virgínia Maria Vasconcelos. “A difícil expressão do amor em Duas Iguais, de Cíntia Moscovich”. In: DEALTRY, Giovanna; LEMOS, Masé; CHIARELLI, Stefania (org.). Alguma prosa. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: