Artigo da seção pessoas Laura Belém

Laura Belém

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deLaura Belém: 01-09-1974 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Laura Martins Belém Vieira (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1974). Artista visual. Destaca-se na produção de instalações e esculturas, embora trabalhe também com áudio, fotografia, vídeo, colagem e desenho. Ao desenvolver obras com base em lugares, prioriza a percepção dos elementos do espaço e de sua história, captando o factual para mesclá-lo com características ficcionais, dando margem ao potencial fabulatório advindo dessa mistura.

Durante a infância, por influência paterna, tem contato com vasto repertório musical. Desenvolve interesse por ruídos do ambiente e cria sons com objetos. Na adolescência, estuda piano, mas não dá continuidade à prática. Em 1996, gradua-se em artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Entre 1999 e 2000, cursa mestrado em fine arts na Central Saint Martins College of Art & Design em Londres.

Realiza a obra em vídeo Paisagem da Cidade (2002), na qual sobrepõe diversas embalagens plásticas de alimentos a um souvenir com pequenas casas de madeira. A construção do áudio aparece de maneira sutil, mas traz ao barulho das grandes cidades a modulação dos sons de um espaço mais calmo.

Exibe a exposição individual Bolsa Pampulha: Quatro Ensaios sobre o Amor (2004). Nela, destaca-se a obra Enamorados (2004-2005), que estabelece forte diálogo com a paisagem da Lagoa da Pampulha e é denominada pela artista como uma escultura, mesmo não sendo criada por meio das técnicas usuais dessa expressão1. Essa obra, composta de dois barcos com holofote, traz um fio de narrativa amorosa que não se fecha por completo e permite a quem observa traçar os próprios pensamentos por meio da contemplação ativa. Também foi apresentada na 51a Bienal de Veneza, em 2005, utilizando embarcações típicas da cidade.

Entre 1998 e 2007, Laura Belém participa de residências artísticas em Sausalito (Estados Unidos), Mar del Plata (Argentina), Madri, Nova York, Recife e Toronto, desenvolvendo pesquisas e novos trabalhos.

Na série de desenhos Paisagem Seca (2008), a artista utiliza papel carbono para traçar linhas horizontais paralelas e volumes negros em papel. Com poucos elementos, Belém se inspira no jardim zen japonês, variando os pesos dispostos nas composições como quem altera um arranjo espacial.

Tem a instalação O Templo dos Mil Sinos (2010) comissionada pela 10a Bienal de Liverpool, na Inglaterra. Em uma antiga capela de cemitério, a artista pendura mil sinos de vidro sem badalos. Constrói também um ambiente sonoro através de trilha em cinco canais, narrando a lenda de um templo que afunda no oceano. Aqui, é intensificada a característica fabulatória presente nas obras de Belém por meio da camada de áudio, pensada para afetar os corpos fisicamente no espaço como um aspecto escultural remetido à tridimensionalidade.

Participa da primeira e segunda edições do Prêmio Mostra de Artistas no Exterior (2010-2011), da Fundação Bienal de São Paulo e do Ministério da Cultura. É escolhida pelo Programa de Bolsas e Comissões da Cisneros Fontanals Art Foundation e reconhecida como artista emergente na América Latina em 2011. No mesmo ano, recebe o Prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas e, no ano seguinte, a Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais.

Nesse período, desenvolve as séries de colagem Manhãs de Carnaval I e II (2012-2013), que contêm confetes coloridos sobre papel. Além de remeter aos restos da festa popular, deixados pelo chão nas ruas, a artista toma esse elemento para criar composições dinâmicas no espaço enquadrado.

Em 2017, faz parte de residência artística na Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. No mesmo ano, fotografa em preto e branco vários troncos de árvores centenárias cortadas pela prefeitura de Belo Horizonte, sobrepondo com cristais ou pedras preciosas a ausência das copas e refotografando as imagens em cores. Esse trabalho dá origem à série Reconstrução (2017), voltada para o espaço da capital mineira e questões de exploração da natureza, numa ação de cruzamento entre elementos bidimensionais e tridimensionais.

Ganha o Prêmio de Residência SP-Arte, em 2018, para realizar pesquisas, interlocuções e networking na Delfina Foundation, em Londres. É convidada para a Art Residency Wildbad, na Alemanha, onde cria uma obra permanente para o Parque Wildbad, O [...] Elemento (2019), instalação que surge com base em uma estância termal seca. Belém recebe da comunidade uma antiga bomba d’água, que é incorporada ao trabalho como objeto ready-made. Uma construção sonora em quatro canais é desenhada para o espaço, contendo um poema escrito e declamado pela escritora germano-suíça Nora Gomringer (1980) acompanhado por ruídos de água corrente. Além de trabalhar diretamente com a história, a memória e o contexto do lugar, a artista acrescenta camadas poéticas que situam sua obra num limiar entre o fato e o imaginário. O som tem um caráter fundamental na estruturação do espaço tridimensional, interferindo diretamente nas sensações e ativando as lacunas da ausência material.

Laura Belém se volta com atenção para os espaços não só na montagem de seus trabalhos, mas também na elaboração dos conceitos que norteiam as escolhas poéticas. Suas obras – incluindo colagens, fotografias, vídeos e desenhos, ou seja, aquelas que pousam sobre o plano bidimensional – primam pela exploração da construção espacial por meio da composição com objetos próximos ao cotidiano.

Nota

1. Moldagem, cinzelação, fundição e aglomeração de partículas.

Outras informações de Laura Belém:

  • Outros nomes
    • Laura Martins Belém Vieira
  • Habilidades
    • Escultor

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  • LAURA Belém. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa27253/laura-belem>. Acesso em: 23 de Set. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7