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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Marcia Abreu

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.12.2019
1963 Brasil / Bahia / Salvador
Márcia Regina de Amorim Abreu (Salvador, Bahia, 1963). Pintora, gravurista, professora e artista multimídia. Sua produção dialoga com o barroco, principalmente pela dicotomia sagrado-profano, mas se concentra no uso de signos e símbolos da feminilidade como crítica aos regimes de corpos e de desejos.

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Márcia Regina de Amorim Abreu (Salvador, Bahia, 1963). Pintora, gravurista, professora e artista multimídia. Sua produção dialoga com o barroco, principalmente pela dicotomia sagrado-profano, mas se concentra no uso de signos e símbolos da feminilidade como crítica aos regimes de corpos e de desejos.

Em 1989, a artista gradua-se pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Obtém o mestrado pela mesma instituição em 2004. Entre 1993 e 2007, atua como professora dos cursos de xilogravura nas Oficinas de Expressões Plásticas do Museu de Arte Moderna da Bahia, e como professora de pintura na Ufba entre 2007 e 2009. Participa de exposições coletivas desde 1984, incluídas aí como as mais significativas a VIII Bienal do Recôncavo, em 2006, o XIV Salão da Bahia, em 2007, a IX e X Bienal do Recôncavo, nos anos de 2009 e 2013 respectivamente, além da III Bienal da Bahia em 2014.

No ano de 1996, realiza duas exposições individuais: a primeira, no Museu de Arte Moderna da Bahia, e a segunda, no Museu de Arte Contemporânea de Olinda (Pernambuco). Em ambas, exibe pinturas de pasta de celulose e acrílica em tonalidades de ocre, investigando nessas peças as fissuras corporais do feminino e seu vínculo erótico e mórbido com o espaço doméstico. Nessas telas, as fendas do corpo da mulher dividem espaço com camas, cadeiras, garrafas e demais itens de mobiliário, diluindo-se ao longo dos fundos abstratos feitos de largas massas de cor, numa alusão às conexões simbólicas entre o corpo feminino e a casa, e hora ou outra sobrepostos por linhas suturais, salientando as relações ambivalentes dessas conexões. Segundo a curadora Denise Mattar, o universo aparentemente abstrato da artista tem tudo em suspensão e timidamente permite surgir figuras como notas líricas da realidade.

Em Vale Quanto Pesa (1996), a junção de uma balança comercial do século XIX com pedaços de uma boneca também antiga, desmembrada e disposta entre as pequenas gavetas de madeira, com o pequeno vestido branco fazendo contrapeso ao emaranhado preto de metal, faz alusão à condição feminina como objeto de consumo e de especulação de seu valor social. O crítico e curador Marcos Lontra (1954) afirma que é do corpo feminino que a artista desenvolve uma inteligente pesquisa pictórica, via economia cromática, em que as formas revelam-se por um processo acumulativo de matéria, e onde se completam sensualidade e equilíbrio.

A questão das normatizações do feminino se faz presente na produção de Abreu em diversos momentos de sua carreira, desde Anima e Abracadabra (ambas de 1996) até a produção do livro de artista Como Tornar-se e Conservar-se Bela (2007). Nas primeiras, abstratamente ocorre uma incisão e uma sutura da vulva sobre a massa alaranjada da tela, o que salienta a carnalidade e a potência erótica da imagem. No livro de artista, as imagens reproduzidas nas páginas sanfonadas da encadernação em corino vermelho e letramento dourado, são a representação de objetos ligados à cosmética e ao embelezamento, portanto, à construção do belo feminino via sociedade de consumo.

A produção de Márcia Abreu é multifacetada pelas técnicas e materiais, já que transita entre os grafismos da gravura, as massas de cor da pintura e a apropriação de objetos no campo escultórico. Todavia, mantém coerência temática em suas investigações, como a presença do corpo feminino como um núcleo de articulação discursiva. Isso permite à artista o exercício de fragmentação física e conceitual sobre as ideias de feminilidade, desejo e devoção, com inserções de referências literárias e da tradição barroca baiana.

Exposições 25

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Fontes de pesquisa 4

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  • ABREU, Márcia. Márcia Abreu. Salvador: Museu de Arte Moderna da Bahia, 1996. (Catálogo da exposição).
  • ABREU, Márcia. [Currículo] Enviado pela artista em: 23 set. 2019.
  • LINKE, Ines; MAY, Andrea; STEELEE, Daniela. Livro de artista. Salvador; UFBA, n. 1, 2018.
  • REIS, Heitor (Org.). 7 artistas contemporáneos baianos. Barcelona: Central Hispano 20: Museu de Arte Moderna da Bahia, 1997. (Catálogo da exposição).

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