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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Raquel Stolf

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.11.2022
31.05.1975 Brasil / Santa Catarina / Indaial
Reprodução fotográfica Helder Martinovsky

Esquecimentos (detalhe), 1998
Raquel Stolf
Fotografia pin hole - câmera escura (31 fotografias)

Maria Raquel da Silva Stolf (Indaial, Santa Catarina, 1975). Artista, professora, pesquisadora. Seus trabalhos investigam relações possíveis entre os diferentes significados do silêncio, por meio de processos pautados em palavras, sons e imagens. A obra da artista se estende em uma série de mídias, em sua pesquisa acadêmica e sua atividade como ...

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Maria Raquel da Silva Stolf (Indaial, Santa Catarina, 1975). Artista, professora, pesquisadora. Seus trabalhos investigam relações possíveis entre os diferentes significados do silêncio, por meio de processos pautados em palavras, sons e imagens. A obra da artista se estende em uma série de mídias, em sua pesquisa acadêmica e sua atividade como docente. 

Os primeiros trabalhos de Stolf são desenhos sobre papel, realizados no início dos anos 1990. Entre 1994 e 1999, cursa licenciatura em artes plásticas no Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Florianópolis, e é nesse período que produz as instalações Quebra-cabeça (1997-1999), compostas por um jogo de quebra-cabeça de 1.000 peças brancas disponíveis para montagem, e Estofos (1998), reunião de 41 objetos estofados, semelhantes a travesseiros, revestidos por tecido impresso com relatos de sonhos. A fase inicial do trabalho de Stolf denota seu interesse por publicações, livros de artista e intervenções e introduz os assuntos de trabalhos futuros, tais como as interpretações visuais e linguísticas possíveis da cor branca e de textos e palavras, escritos ou escutados.

A pesquisa a respeito do branco e de seus múltiplos sentidos (visuais, sonoros e linguísticos) ganha maior atenção de Stolf em 2000, quando ingressa no mestrado em artes visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Durante a pesquisa, aproxima-se do som como matéria prima do trabalho, tornando-o ponto de partida de suas obras. Desenvolve Lista de coisas brancas – coisas que podem ser, que parecem ou que eram brancas (2000-2003) como instalação, texto, disco compacto, livro de artista e fotografias. Um dos resultados do projeto é a instalação que apresenta na individual “Ruídos do branco” (2002), realizada no Torreão, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, onde Stolf dispõe no espaço expositivo adesivos vinílicos e áudios que apresentam palavras e frases que aludem à ideia da cor branca.

Pautadas na investigação sobre o som e suas associações, as obras são criadas a partir de duas situações cotidianas de gatilho: a passagem constante de aviões no local onde a artista residia e o preparo de panquecas para seu almoço.

É também a partir da percepção de ruídos e de silêncios possíveis, desencadeada pelas experiências mencionadas, que a artista começa a trabalhar na individual “FORA [DO AR]” (2004). O projeto é formado por um disco homônimo, composto por 33 faixas distribuídas em áudios de natureza diversa: desde intervenções sonoras no espaço urbano (como carros de som, por exemplo) até sons do espaço doméstico.

Além dos áudios, o disco é concebido junto a uma série de impressos, como o próprio encarte, cartões e um folheto. A escuta dos sons das panquecas levou à produção de Panquecas fantasmáticas (2009), audioinstalação que explora o ruído da massa em cozimento na frigideira. A obra cria um deslocamento de seu contexto original, levando o público a outras construções de sentido por meio de um som corriqueiro.

Em 2006, apresenta a obra Grilo, na exposição Fiat Mostra Brasil (2006), em São Paulo, em que bicicletas equipadas de dispositivos de áudio são disponibilizadas ao público. O som que ecoa nos passeios parte de uma das faixas produzida em “FORA DO [AR]”, resultando em intervenções sonoras no espaço da exposição.

A pesquisa desenvolvida pela artista também ressoa em sua atividade como docente, iniciada em 2002 na Udesc. Imersa em um histórico de proposição e coordenação de publicações experimentais nas disciplinas ministradas na universidade, como Sofá (2003-2011), composta de 11 edições, e Anecoica (2018), Raquel Stolf pensa a escrita e a escuta como espaços possíveis de trocas.

Em paralelo ao interesse por sons, Stolf investiga os intervalos e silêncios e sua relação com o branco. Inicia, em 2007, Assonâncias de silêncios, pesquisa de seu doutorado na UFRGS, entre 2007 e 2011. As publicações sonoras integrantes do projeto são constituídas de uma coleção de silêncios sonoros, por meio de áudios gravados ou apropriados e impressos. Entre as publicações está Assonâncias de silêncios [coleção] (2007-2010), CD que reúne silêncios gravados em diversos contextos, junto ao material impresso que busca estabelecer tipologias sonoras das escutas, organizados em cadernos, partituras e fac-símiles, em que os títulos das faixas exercem função importante para a construção de sentido, como “silêncio com vento”, “silêncio com sossego” e “silêncio com vazio”. Assonâncias de silêncios gera uma série de outras obras desenvolvidas pela artista como a publicação sonora mar paradoxo (2013-2016) e a instalação homônima.

Coordena, desde 2015, com a professora e pesquisadora Regina Melim, o projeto Sala de leitura | Sala de escuta, espaço da Udesc dedicado a acolher e movimentar um acervo de mais de 300 itens, entre publicações sonoras e impressas. A sala, espaço que opera entre espaço expositivo e o da biblioteca e serve de intercâmbio para professores e artistas em formação, foi inaugurada com a exposição “Livros”, composta por 30 publicações do artista plástico Fábio Morais (1975), que passam a integrar o acervo. 

Ao longo de sua carreira, a palavra escrita e falada surge como centro de órbita, assim como as aproximações com o som e o estabelecimento de sentidos da linguagem, dados de forma subjetiva e material. Seu processo de trabalho, sempre interligado, não se esgota na pontualidade de apresentação e exposição dos materiais produzidos e as proposições de cada projeto ganham uma nova vida quando apresentadas em outros contextos, decisivos para a construção de novos significados a partir de suas obras e ações.

 

Obras 1

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Reprodução fotográfica Helder Martinovsky

Esquecimentos (detalhe)

Fotografia pin hole - câmera escura (31 fotografias)

Exposições 46

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Fontes de pesquisa 11

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Como citar

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